fluida blog

Carta 097

Jureminha

Jureminha nasceu — e com ela a prova de que é possível construir uma empresa sólida sem precisar escolher entre o CNPJ e as fraldas. Uma celebração para a primeira Baby Fluida e para todas que acreditaram nessa jornada junto com a Jurema.

Mulheres

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!

Como a senhorita chega nessa sexta?

Eu estou, entre outras coisas, tentando sobreviver à secura apocalíptica que se encontra em minha cidade nesse momento.

Chegamos aos impressionantes 7% de umidade relativa.

As senhoras têm noção do que é isso?

Basicamente, me sinto morando em um desidratador de bananas passas.

Me visualizo lentamente perdendo moléculas de H2O para o ambiente, que jamais serão recuperadas.

Desertos africanos têm umidade de 20%.

VINTCHY, gente.

Estamos em SETE!

Sinceramente, não há creme antirrugas que seja páreo para a desidratação acentuada dos meus tecidos.

Mas, afora a ressequidão que estou enfrentando bravamente com meu copo Stanley, uma manteiga de cacau e um borrifador de água para não desfalecer no meio da rua, temos outros assuntos para conversar.

Na verdade, hoje é um só assunto.

Para a gente falar sobre ele, vamos precisar recorrer a uma carta anterior.

Talvez uma das cartas mais comentadas por aqui.

A belíssima carta da Jurema, você lembra?

Pois, se você não lembra ou não leu essa carta, vou fazer um enorme favor para a sua esperança na humanidade e vou colocar o linkinho dela aqui para você ler antes de prosseguir para a carta de hoje.

(Veja que maravilha: você veio esperando uma carta e vai levar duas! Oferecimentos que só a Fluida pode fazer por você).

Pois muito bem, eu já vou colocar o link da carta da Jurema aqui, mas antes vou fazer um breve reavivamento da sua memória:

A carta 69 (a referida da Jurema) é sobre a jornada de uma empresária rumo à maternidade.

Ou talvez de uma mulher que se tornou empresária e nutriu por anos o sonho de ser mãe.

Mas, como sair de licença quando sua empresa depende de você?

Como abrir mão do que você passou anos construindo sem saber quem vai cuidar de tudo no seu lugar?

Bom, sem mais delongas, se você não lembra da carta 69 da Jurema, eis aqui o link.

Pode ir lá ler e voltar, que eu te espero.

https://www.notion.so/redefluida/69-Jurema-e-os-1974-anos-53abd32330ae46e4ba1e9b30f5f857b6?pvs=4

Voltou?

Enxugou as lágrimas?

Recomposta?

Pois, então, venho com as notícias da carta de hoje.

Na carta da Jurema, eu contei para você que nós passamos muito tempo (exatos 5 anos) preparando toda a empresa para que ela pudesse ir atrás do sonho da maternidade em paz.

Abre processo seletivo.

Seleciona.

Treina.

Cria descrição de cargo.

Demite.

Contrata de novo.

Cria processo.

Otimiza processo.

Delega.

Reúne.

Dá feedback…

Toda empresária que já passou por esse processo sabe como é esquisito esse momento do crescimento.

A gente costuma, inclusive, falar em “dor do crescimento”.

Aquele momento no tempo em que você TEM QUE ser dispensável na sua empresa.

Não dá mais para fazer tudo sozinha; você nem quer mais fazer tudo, porém você não sabe o que vai fazer além do que vem fazendo nos últimos anos.

Você e sua empresa criam uma relação que mimetiza um monte de relações ao mesmo tempo.

Mãe e filha.

Criadora e criatura.

Parasita e hospedeira.

Ela é você, e você é ela.

Você não sabe onde terminam os seus limites e começam os dela.

É uma massa misturada quase indissociável.

Como duas amoebas melequentas de cores diferentes que são misturadas por uma criança cheia de energia.

Sim, é difícil se despedir de um pedaço de você.

Talvez mais difícil ainda seja aprender a confiar em quem você nunca viu na vida para cuidar do que, até ontem, era responsabilidade sua.

Eles vão saber fazer como eu faço?

E se acontecer alguma coisa?

Eu serei chamada?

Ninguém faz como eu faço.

Essa é a jornada da pobre empresária:

Passa anos construindo a PJ.

Escolhe o nome.

Cria a identidade visual.

Alimenta.

Leva para fazer curso.

Apresenta para a mentora.

Aos poucos, a PJ vai se tornando cada vez menos dependente.

Já sabe faturar sem que você esteja sentada 32 horas por dia na cadeira fazendo conteúdo.

Gera lucro quase todo mês.

Até que você vai sendo cada vez menos demandada.

Menos necessária.

O sentimento de ultra importância, de que você seria parte vital desse organismo que até pouco tempo você escolhia as roupinhas, vai sendo substituído por uma sensação inquieta de inutilidade.

Você passou anos desejando exatamente isso: ser inútil.

Mas, agora que realmente parece que você não se faz necessária, o sentimento não é nada parecido com o que você esperava.

Ser inútil não é tão prazeroso quanto você imaginava.

Você esperava liberdade.

Tempo sem preocupações.

Manhãs regadas a cafés da manhã lentos e notícias em papel, tal qual os incas faziam.

Mas, não é bem isso que você sente.

Você sente um buraquinho.

Um vazio.

Um tempo livre que você não sabe como preencher.

Era gostoso saber que alguém dependia de você para todas as necessidades básicas.

Fechar o financeiro, emitir nota, pagar os impostos, até para fazer stories, veja só.

Agora ninguém depende de você.

Ninguém precisa de você visceralmente para viver.

Esse alguém vive muito bem, obrigada, sem a senhorita.

A missão está cumprida.

Todo o esforço finalmente chegou ao seu resultado.

Não era o que você queria?

Era. E também não era, ao mesmo tempo.

Nós, todas nós que estamos lendo juntas essa carta de hoje, fizemos de nossas paixões um CNPJ.

Aprendemos a tirar satisfação pessoal do trabalho.

De certa forma, vencemos (um tico) o sistema e, contra todas as estatísticas, gostamos de verdade do nosso trabalho.

Nos importamos com nossas tarefas.

Pensamos em nossos clientes, às vezes mais do que os coaches de produtividade cagada diriam que é saudável.

Visualizamos seus anos futuros, tiramos cavalares doses de satisfação pessoal e reconhecimento do que todo mundo enxerga só como “trabalho”.

Bem-vinda. Essas somos nós.

E é claro que é desafiador se afastar do lugar de onde a gente tira muito mais do que dinheiro.

Descobrimos ali que somos muito mais fodas do que achávamos.

Superamos inúmeros obstáculos doloridos para fazer aquilo continuar funcionando.

Nós CRESCEMOS interna e externamente dentro desse organismo parido de nós mesmas.

É uma puta jornada também de autoconhecimento e autoestima.

Tivemos a certeza de que somos boas.

Competentes e capazes.

Talvez a jornada de empreender seja, caso você não tenha notado, muito próxima à de se tornar mãe.

E a carta de hoje até aqui foi sobre isso.

Sobre uma Jurema que passou 5 anos se preparando para se afastar da sua primeira criação, para finalmente produzir a segunda diretamente de seu útero.

Comunico a todas que Jureminha nasceu.

A primeira Baby Fluida desejada, planejada, gestada e parida entre nós.

E ela é uma jureminhA.

Ela saberá que a mãe dela não precisou escolher entre a PJ e as fraldas.

Conseguimos.

Jurema conseguiu.

E todas nós que acompanhamos ela durante esses anos sentimos que esse momento é também nosso.

Nasce mais uma de nós.

OBS 1: Ela é tão cabeluda que faria o calvo do Campari chorar em posição fetal por causa de suas entradas.

Se Jurema permitir, em breve compartilho imagens seguras da nossa nova mascotinha.

Celebremos!

OBS 2: Enquanto não temos fotos da Jureminha, compartilho o ambiente de insalubridade que a carta de hoje foi escrita (ou quase não foi). Meu sorbrinho respeitando meu espaço pessoal enquanto tento me comunicar sobre crias. Vejam só, com vocês, apreciem

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·