fluida blog

Carta 095

Bronca

Uma mentorada do Conselho me perguntou se ser nichada demais seria um problema. A resposta virou uma bronca carinhosa: você precisa aprender a pensar o seu próprio negócio, não copiar framework de guru de sapatênis.

Gestão de negócios

BUENAS TADES, MARAVILHOSAS!

Como a senhorita está hoje no dia 398 de agosto?

Espero que animadíssima com a meta que tá quase batida.

Ansiosa para começar setembro.

E confiante que você fecha o ano no azul.

Amém?

AMÉM!

Bom, para a nossa santa conversa sagrada de toda sexta, quero te contar sobre um tema que discuti com uma das mentoradas do Conselho.

(O conselho é nosso programa mais avançado de orientação, onde trabalhamos gestão HARD para aumentar o lucro e a sanidade das empresas que acompanhamos, me envolvo pessoalmente na estratégia e abrimos 3 a 4 vagas por semestre)

Essa mentorada está abrindo um novo braço na empresa e agora serão duas operações separadas.

Dois times

Dois mercados

Duas personas

Existe uma complexidade ai de gestão para resolvermos.

Mas, o que quero conversar com você é especificamente sobre uma pergunta que ela me fez — como estamos criando um novo produto em outro segmento, nós precisamos passar de novo por todo o processo de validação.

Problema - Persona - Produto

Quem já passou por isso sabe como pode ser um período louco e incerto (glórias as deusas, esse período passa 😂)

E nessa fase do negócio ela vira para mim e pergunta numa sessão:

“Ô, Mari, mas se o que eu sei fazer só atrair uma persona bem específica? Num dá ruim não?”

Ela tem um conhecimento bem nichado, raro no mercado dela e com uma profundidade incomum na formação de profissionais como ela.

Então, sim, estamos falando de um troço específico demais e que, justamente por isso, pode ter um público muito reduzido.

Público pequeno talvez signifique faturamento pequeno.

Se você vende um conhecimento muito específico ou fala dele de um jeito muito diferente da prática majoritária do seu mercado, pode já ter se sentindo assim.

Com medo de ser tão específica a ponto de só ter meia dúzia de gato pingado que querem aprender com você.

Já teve essa sensação?

Bom, tudo isso de que um público pequeno demais pode ser um problema para o negócio é verdade, mas eu queria também trazer aqui um outro lado (que foi justamente o que eu trouxe para ela).

Pensa comigo:

Se você presta serviços (consultoria, atendimento, mentoria…), a base do seu serviço é você mesma.

Esse ser que você chama de “eu” cuja fuça está estampada no seu CPF.

É razoável que você se preocupe se o que faz tem público suficiente, se vai conseguir continuar vendendo no longo prazo, se vão ter clientes novos para repor clientes antigos… é razoável.

Então, você se questiona se não deveria abrir mais a persona, aprender uma nova formação mais parecida com o que o mercado já oferece… tudo para ficar um pouco mais próxima do que as pessoas “já estão procurando”.

Até aqui, ok.

Mas, deixa eu te fazer uma pergunta:

A base do seu serviço é você mesma certo?

Certo.

Você tem alguma intenção em deixar de ser você mesma?

De mudar suas características mais marcantes?

Quer falar de um outro jeito?

Pensar de uma forma diferente?

Ser alguma coisa que você não é?

Se a resposta for “não”, então você num precisa bitolar muito com isso não.

Se o seu serviço é você e você não tem intenções em deixar de ser você mesma…

ADIANTA VOCÊ FICAR NOIADA DE QUE SER VOCÊ MESMA É MUITO NICHADO?

Não adianta.

Porque simplesmente você não pode mudar quem você é.

Vou aprofundar um tico mais:

Quando eu comecei minha história empreendendo, eu só encontrava machos de sapatênis lustrando um os egos dos outros nos ambientes dito “educacionais”.

Tive algumas experiências massas, mas a maior parte delas eu sempre tava com a sensação que ali ainda não era o meu lugar.

Eu ficava nessa esperança que o próximo curso, a próxima consultoria, a próxima aceleração iam ser aquele lugar que eu falava “ok, ok, posso tirar o sutiã porque tô em casa”.

Acontece que esse lugar nunca apareceu.

Como nunca me deparei com ele, eu fui eu mesma criando ele para mim.

Comecei a juntar amigas, agregar conhecidas, organizar uma palestra aqui, uma roda de conversa ali, um outro happy hour acolá.

E, BUM, 6 anos depois estamos eu e você na carta número 95 da empresa que todo mundo sempre me falou que era “nichada demais”.

Eu não ignoro as lógicas da administração, é essencial saber o tamanho do seu público comprador antes de criar um plano de negócio que nunca vai te entregar o faturamento que você projetou.

Mas, a gente também precisa por o pé no chão e se perguntar se nós queremos mesmo concorrer com o google, facebook, uber… para precisar de um tamanho de público na casa das centenas de milhões.

Precisa mesmo?

Faz as contas aí, quanto você quer faturar no ano?

Quantas vendas precisa fazer para chegar nisso?

Multiplica isso por uns 20 anos e você vai descobrir quantos clientes seu negócio precisa ter até a senhora se aposentar.

Eu tenho 99% de certeza que você não chegou nem perto de um número com 7 dígitos (de clientes, não de faturamento).

O que eu quero te dizer aqui é para você sacar de uma vez por todas que “negócio” é uma palavra muito ampla que engloba centena de tipos e tamanhos de negócios embaixo dela.

Quando você ouve o fulaninho da camisa de gola rolê dizendo que um negócio digital dá pra escalar infinito com mentoria, você acha que o SEU negócio precisa escalar ao infinito.

Quando assiste a filha de Deus dizendo que só passa 2 horas dando mentoria por mês e que tem trocentos e vinte e quatro mentoradas, você acha que a senhorita com seu CNPJ e uma assistente debaixo do braço deveriam estar fazendo isso também.

NÃO

NÃO

E NÃO.

Isso só faz você aplicar processos e métodos completamente descabidos para a sua fase de negócio.

Isso te atrasa um bocado, te faz gastar uma grana desnecessária e, no final, muito provavelmente vai fazer mais mal para a sua empresa do que bem.

Eu tô te falando isso porque eu VEJO isso acontecendo todo santo dia.

Toda hora eu recebo uma empresária aplicando estratégias INÓCUAS nas suas empresas porque foram orientadas por mais um mentor hight ticket num sei o que lá.

Por que raios isso acontece?

Por que toda hora as senhoritas estão girando feito o peão da jequiti nas estratégias que aplicam?

Por que é tão difícil ter certeza para onde ir?

Por que contratam equipe e, às vezes, ela mais atrapalha do que ajuda?

Tá preparada para a resposta?

Porque a senhorita num tá acostumada a pensar.

Pode ficar brava comigo, mas é esse o motivo.

Te enchem de templates, frameworks, modelo copia e cola daqui, copia e cola dali.

Tudo isso ajuda.

Mas, se você não souber PENSAR SOZINHA A POHA DO SEU NEGÓCIO, isso não adianta nada.

Você tá sempre dependendo de alguém de fora para tomar a iniciativa.

E é aí que tá o problema.

O papel do mentor não deveria ser te dizer o que fazer.

Mas, sim te dizer entre as opções que a senhorita JÁ ANALISOU, qual delas vai encurtar mais o seu caminho.

Entende a diferença?

É uma linha tênue entre fazer VOCÊ gerar resultados para a sua empresa e fazer você ter resultado só enquanto EU tô te dizendo o que você tem.

Eu definitivamente não to nesse segundo grupo.

Eu vou te dar todos os meus templates, modelos e processos prontos para a senhorita desfrutar.

Mas, mais do que isso, eu vou cutucar até o fim da sua alma para você tomar as rédeas do SEU negócio.

Talvez você ache que eu sou simpatia, amor e açúcar.

Mas, a verdade é que com as minhas mentoradas uma parte significativa do tempo eu sou assim:

Sacolejo e pé no chão.

Para gerir uma empresa nos SEUS termos, você vai precisar de muito mais do que simplesmente um framework validado.

Você vai precisar de uma forma de PENSAR negócios moldada dentro da sua cachola.

Se você não tiver isso instalado numa pasta segura dos seus miolos, todo zé ninguém que aparecer na sua frente vai te convencer de alguma merda sobre o seu próprio negócio.

“Nichado demais”

“Personalizado demais”

“Escalável de menos”

“Muito centrado em você”

Assim como a minha mentorada tava lá toda noiada com o “nichado demais ” do negócio dela, talvez a senhorita esteja noiada com qualquer porcaria aí.

Não sei qual é a nóia da vez.

Mas, eu tenho certeza que se você aprender a pensar por si mesma, num vai precisar de uma pessoa que detém a lanterna mostrando para você para onde ir.

Você vai querer uma pessoa que já percorreu a sua trilha te dando as diretrizes para você aprender a passar por ela com as SUAS habilidades.

E isso, meu amor, isso a gente faz com maestria.

Agora ser a sua guru que regurgita tudo para você assimilar, mas que não para 5 minutos para te fazer aprender a encontrar respostas estratégicas sozinhas, não conte comigo.

Talvez todas as nossas cartas no fim também sejam sobre isso:

Fazer a gente pensar.

Eu penso daqui.

Jogo para você daí.

E vamos juntas moldando nossas cabeças pensantes para fazermos cada vez mais grana com mais autonomia e menos cagação de regra.

Beijos pensantes,

Mari Fernandes.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·