Carta 091
Decreto Nacional
Esse mês eu tenho a sensação que vivi 3 em 1. Descubro um comportamento nada saudável: tentar estocar prazer. Spoiler: não dá.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSAS!
Como as senhoritas estão?
Vamos começar a carta de hoje com atualizações de dona Fluida.
Esse mês eu tenho a sensação que vivi 3 em 1
(e ainda nem terminou).
Voltei de viagem, peguei um vírus desgramado, acelerei como uma louca, desacelerei, voltei a comer ovo, troquei de escritório e de academia, deleguei uma porrada de coisa, criei treinamento, fiz processo seletivo…
Sinceramente, não sei como tudo isso coube em 26 dias.
Além de tudo isso aí que rolou na PJ, na PF eu encontrei 3 mentoradas, sendo 2 delas que nem moram em Brasília, almocei com amiga, visitei meu vô, tive um dia romântico com senhor Fluido, reabasteci a geladeira das minhas marmitinhas congeladas e tô nos ajustes finais de fechar a minha rotina do segundo semestre.
Foi um mês e tanto, está sendo ainda.
Eu não sei se já contei aqui para vocês, mas eu tenho um caderno onde eu registro as melhores memórias de cada mês,
as coisas que eu não quero esquecer que aconteceram.
Eu gosto de poder olhar para os meses passados com calma e saborear os momentos que eu vivi.
É como um caderno de memórias relevantes da minha vida.
Nada complexo, é um caderno inteligente onde coloco no meio de uma folha o nome do mês e a cada evento ou acontecimento que eu quero lembrar, eu vou lá e escrevo nessa folha um resumo desse acontecimento.
Esse mês eu visitei meu avô de 85 anos, passamos a tarde juntos com direito a café, bolo e histórias da infância.
Eu quero me lembrar disso, sabe? Aí vou lá e escrevo no meu caderninho um tweet desse dia.
Nessa folha, divido a parte de cima para coisas da PF e a parte de baixo para coisas da PJ.
E esse mês aconteceu uma coisa fora do esperado:
Eu não tenho mais espaço para colocar lembranças da PF.
Foi tanto momento massa que lotou a página.
Por muuuuito tempo, a parte da PJ SEMPRE foi a mais cheia. Indiscutivelmente.
Eu contei para vocês numa carta passada, acho que foi a carta 89, que eu voltei de férias e me enfiei numa corrida por dobrar metas nada saudável (lembra disso?).
Vi que eu tava me estrupiando desnecessariamente para ultrapassar sempre todos os meus recordes. Graças às deusas (e à terapia), percebi isso cedo o suficiente para mudar a rota.
Tive uma conversa com o time e criamos um plano de ação para liberar espaço na minha agenda, me tirar de reuniões e descentralizar ainda mais decisões.
Remarquei compromissos, diminui expectativas com o que não era essencial e me foquei em ter espaço para viver.
E, ao que tudo indica, funcionou.
O espaço na folha da PF acabou. Temos ainda um quarto de mês e eu já não tenho mais espaço no caderninho para momentos da PF que quero lembrar quando for velhinha e desmemoriada.
Esse mês, a PF e a PJ conviveram em harmonia. Na maior parte dos anos da minha vida de empresária, a PJ ganhou de lavada e acho que eu fiz certo, foi isso que levou a gente até aqui, mas tem sido absurdamente gostoso começar a colher frutos mais duradouros de toda essa jornada empreendendo.
É como uma casa que eu passei anos cavando o chão com a mão para fazer a fundação.
Toda suja, descabelada, fedida…
Era só um buraco na terra e uma visão na minha cabeça.
E parece que, de uma hora para a outra (só parece), temos piso, parede, teto, móveis, decoração… a casa tá lá.
Ela JÁ existe.
Ela é sólida, estável.
Não são mais 3 ripas de madeira se equilibrando para formar uma cabana.
É uma casa.
Esse mês, a sensação de viver na Fluida é essa.
Temos uma casa, e ela tem funcionado muito bem sem que eu tenha que passar metade do dia enfiada num buraco tirando terra com as mãos.
Tem coisa para um cacete para resolver, criar e crescer, mas eu tô orgulhosa demais de tudo que temos até aqui (acabei de perceber que essa carta tá gratiluz namastê, só falta eu acender um incenso e começar a dançar pelada em volta de uma fogueira).
Bom, e é sobre os aprendizados desse mês que eu quero conversar hoje com vocês.
AprendizadoS não, quero falar sobre UM em específico.
Por coincidência (ou não), esse foi um tema recorrente nas mentorias que dei essa semana.
Com todos os acontecimentos desse mês, descobri um comportamento meu nada saudável e que eu sequer percebia que fazia.
Vou contar para vocês:
Eu passei quase 20 dias vivendo tal qual Dionísio, de férias, no meio de um dos cenários mais lindos do planeta, fazendo tudo e absolutamente só o que eu tinha vontade de fazer.
Caminhar no pôr do sol, ler um livro, tomar umas caipirinhas, yoga aqui, banho de mar ali….
Eu passei as minhas férias focada única e exclusivamente no meu prazer.
Quando eu trabalho, eu trabalho.
E quando eu me divirto, eu faço isso por inteira.
Pois muito que bem.
Eu passei 20 dias dedicada aos prazeres da vida.
De algum jeito, o meu cérebro fazia a seguinte conta:
“Mariana, você ficou bastante tempo só se divertindo, agora que seu estoque de prazer tá completinho, você pode ficar vááários dias sem prazer só focada no trabalho”
E lá ia dona Mariana com a certeza que o tanque de prazer cheio garantia autonomia para vários dias de trabalho e foco sem prazer.
Afinal, prazer é como um tanque
que você enche um dia e vai gastando até que fica exaurida demais para fazer qualquer coisa que exija cérebro. Quando isso acontece, você larga tudo, tira férias e recarrega seu tanque de prazer.
Parece que faz sentido, né?
Pois preciso te avisar que não faz.
Eu costumava compensar muito tempo de prazer com muito tempo de trabalho. Como se eu precisasse criar uma equação equilibrada de prazer x trabalho.
E eu não podia estar mais errada.
Faz um exercício comigo:
Respira bem rápido aí umas 10 vezes.
O mais rápido que você conseguir.
Acumule no seu sangue todo o oxigênio que for possível.
Acumulou?
Agora prenda a respiração pelos próximos 20 minutos.
Nesse momento você está questionando as minhas capacidade cognitivas, uma vez que não importa quantas vezes que você tenha respirado no último minuto, você ainda precisará respirar em TODOS os próximos.
Sacou onde eu quero chegar?
Assim como não dá para acumular horas de sono ou economizar oxigênio respirado, também não dá para ESTOCAR PRAZER.
Leia devagarinho isso comigo:
NÃO SE ESTOCA PRAZER.
Prazer é uma unidade inguardável.
Não dá para distribuir em grandes caixas organizadoras etiquetadas por mês e colocar na despensa para usar ao longo do ano.
Não tem como levar encher um garrafão de prazer que vai te permitir ficar vários meses vivendo só de trabalho.
NÃO SE ESTOCA PRAZER.
Nós, mulheres, empresárias, doidas, megalomaníacas tal qual somos, precisamos de prazer assim como precisamos de oxigênio.
Doses regulares SEMPRE.
Não dá para acumular.
E se não dá para acumular, vamos precisar diligentemente nos servir com doses comedidas, porém frequentes daquilo que nos faz bem.
Eu já descobri que preciso cansar meu corpo e suar com doses de no mínimo 3x na semana.
Necessito de poções de açúcar em forma de sobremesas superfaturadas mais ou menos uma vez por mês.
Semanalmente faz se necessária uma generosa porção de natureza e luz solar.
E ainda que eu passe 20 dias andando pelas dunas do maranhão tal qual gabriela cravo e canela, eu ainda vou precisar das minhas doses semanais de luz solar todas as demais semanas.
Todas elas.
Entender isso é libertador, a culpa cai por terra.
E se tem uma coisa que caga a existência de nós mulheres é essa porra dessa culpa.
A sensação que não estamos fazendo aquilo como deveríamos.
Seja descansar, trabalhar, ganhar dinheiro, maternar… não importa. A culpinha tá ali.
Mas, agora eu tô te dizendo que você pode se livrar dela no quesito prazer (pelo menos nesse).
Não é mais uma escolha sua.
Assim com respirar, você não fica chateada porque respirou muitas vezes na última semana.
Apenas é uma necessidade fisiológica que você não pode controlar.
Então, a partir de agora, eu declaro que no país Fluida, o prazer também se comporta assim.
E (felizmente) não há nada que possamos fazer para mudá-lo.
Precisamos de doses regulares e frequentes de prazer para o resto de nossas vidas.
Que pena.
Por conta disso, oriento todas as empresárias que imediatamente chequem suas agendas.
Essa não é uma simulação.
Abram suas agendas.
Calculem quantas doses de prazer estão inseridas na sua próxima semana.
Certifique-se que você tem doses regulares de prazer no decorrer dos próximos 7 dias.
Especialistas indicam uma lista de recomendação para aderir sua dose semanal:
Mexer o corpo, suar em bicas, pisar na grama, inserir doses de sacarose com cacau, fofocas politicamente incorretas com a melhor amiga, banhos longos onde os cabelos são lavados com calma, séries para os dias de QI negativo ou qualquer outra estratégia que, caso não fosse a lei nacional instaurada nesse decreto, te faria se sentir culpada por usar.
Declaro que a lei acima entra em vigor na data da publicação dessa carta.
Ou seja: hoje, 26 de julho de 2024.
Em caráter irrevogável, indiscutível e imutável por toda a eternidade:
NÃO SE ESTOCA PRAZER
Vá buscar suas doses da semana.
Beijos já tendo garantido a minha do dia,
Mari Fernandes
OBS 1:
Férias também podem ser consideradas políticas inegociáveis das empresárias fluidas. As minhas de outubro já estão devidamente planejadas no calendário da empresa. Vou tirar férias novamente devido ao sucesso dessa empresa ao funcionar sem a minha pessoa. Isso se deu por conta do
protocolo pré-férias
que fiz por aqui antes de ir para o Maranhão e que vou entregar para as minhas mentoradas na próxima quarta.
Resolvi abrir pra senhorita que ainda não é minha mentorada poder ir também pela bagatela de R$ 47 dinheiros.
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