Carta 090
Excomungada
Uma declaração pública de culpa: às vezes a empresária de alta performance precisa simplesmente admitir que está com preguiça.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSAS!
Como as senhoritas estão?
Eu sempre chamo vocês tudo de maravilhosas, mas tô achando que para a nossa a carta de sexta deveríamos ter um nome só nosso, sabe?
Será que posso já cometer a audácia de chamar vocês de leitoras?
Ou talvez de desprovidas de um parafuso tal qual a empresária que vos escreve?
Aceito sugestões.
O tema da carta de hoje já estava prontinho na minha cachola desde segunda-feira, eu li um conteúdo que me deu vários sacolejos e eu pensei em trazer esses sacolejos para vocês também.
Porem, contudo, todavia, entretanto, não vou trazer esse tema hoje. Ele vai ter que ficar para outra carta.
E o motivo é: um vírus desgramado que se instalou em minha pessoa.
Eu saí do sooool dos lençóis maranhenses daquele calor do verão e caí numa Brasília desértica e fria para um caralho
(caso você não saiba, para uma brasiliense 20 graus é frio).
Ao que parece, o meu sistema imunológico prefere ser mimado na praia na base da caipirinha no copo de plástico.
Se rebelou o dito cujo.
Estou gripada, porém dessa vez NÃO É COVID. Fiz o teste hoje.
OBRIGADA, DEUSAS!
(Você já tava aqui quando passei o Natal covidada? E quando peguei covid no MEIO de um lançamento? Pois isso aconteceu com a minha pessoa)
Bom, voltando ao tema da carta de hoje.
Eu queria dar o meu máximo essa semana para vocês.
Porém, o mínimo é o máximo
que eu posso dar.
É tipo aquela figurinha “fiz o que pude, podia pouco”.
(Se não sabe, você tá precisando trocar whats com pessoas mais interessantes)
Então, guardarei esse tema para uma semana que eu esteja com a energia um tico maior do que a que me encontro agora.
O que automaticamente me puxou um tema que, esse sim, faz sentido conversarmos no dia de hoje.
Simbora:
Durante toda a minha curta existência, eu sempre estabeleci uma convivência quase bélica com doenças que se instalavam no meu corpo.
Sabe quando você sente a garganta dar aquela avisada “oie, acho que vou ficar inflamada”?
Ou quando percebe que seu corpo tá meio capengando e que em breve você estará produzindo fluidos nasais com uma frequência desagradável?
Pois, então.
Eu valorizo MUITO a minha independência diária.
Eu AMO estar viva e VIVER os minutos do dia.
Quando eu tô doente, sinto que cada dia passado debaixo das cobertas dentro de um quarto é tipo um desperdício de vida.
Como se eu tivesse vendo minhas horas de vida passando bem na minha frente.
Por esse motivo, eu instauro um esquema de guerra ASSIM que percebo que existe uma remota chance de talvez quem sabe eu ficar doente.
É o combo: própolis, gengibre, chá de alho, cúrcuma, piperina, óleo essencial, lavagem nasal, água em abundãncia, mel…
Eu monto um arsenal e instauro guerra contra os invasores.
Na minha cabeça, eu vou expurgar qualquer que seja o microorganismo invasor na base do ÓDIO.
Vou entregar tantas doses de antivirais, antibióticos e antiinflamatórios (tudo natureba que eu sou dessas) que ele simplesmente não vai ter TEMPO de se alastrar.
Vou atazanar tanto o coitado que a única alternativa vai ser se render aos meus glóbulos brancos (lembre que eu sou bióloga de formação, então eu consigo literalmente VISUALIZAR essa batalha acontecendo dentro da minha pessoa).
Eu sempre fui assim com qualquer doença.
Até essa semana.
Algum fenômeno desconhecido pela minha pessoa se instalou por aqui.
Meu arsenal de combate consiste em greys anatomy e cobertor.
Um arsenal pífio frente ao maquinário de guerra que se instala na minha cozinha todas as vezes que fico doente.
Não fiz nenhum escalda pés.
Minhas papilas gustativas não tiveram o desprazer de saborear chá de alho com 80 ervas.
Sequer me dirigi a farmácia em busca do mais concentrado spray de própolis disponível.
Teria eu sido abduzida por um espírito do Zeca Pagodinho?
O “deixa a vida me levar” agora é minha nova skin?
Fato é que sim, talvez essa porcaria desse vírus, fique por aqui mais tempo do que se eu tivesse travado minha rotineira batalha pela saúde.
Porém, dessa vez eu tô só com aquele sentimento que nós empresárias não podemos falar o nome.
Num tá lembrada?
É o sentimento que o conselho nacional dos CNPJs tirou do rol dos sentimentos aceitáveis.
Sentir isso e, pior ainda, FALAR isso em voz alta é como decretar a sua falência.
Nenhuma empresária que se preze sente isso.
Inclusive, é um pedaço do nosso cérebro que temos que inativar assim que pagamos o primeiro DAS.
Não pode.
A coisa é tão séria que falam que a empresária que ousa burlar a regra sofre de uma desgraça quase instantânea.
O ROI cai, o tráfego encarece e pasmem…
Só cai lead desqualificada na sessão estratégica.
Se isso não é a maior tragédia na vida de uma empresária, eu não sei o que pode ser.
Então, na carta de hoje declaro, por escrito, a minha culpa.
Reconheço publicamente que tentei resistir enquanto pude.
Porém, ela foi mais forte que eu:
Eu tô com…
PRE-
GUI-
ÇA.
Essa moléstia indizível.
A praga que nós não reconhecemos nem para nós mesmas.
O pedaço da gente que não queremos que ninguém veja.
Afinal, gente preguiçosa não tem sucesso, né?
Tô com preguiça de montar um arsenal de guerra para combater um vírus.
Só dessa vez (quem sabe) eu vou ceder ao pecado capital dos “high performancers”.
Vou deixar meu sistema imunológico fazer o trabalho dele sem a minha ajuda.
Por hoje despeço-me do meu sucesso.
E abraço a excomungada do mercado digital.
Oi, preguiça, seja bem-vinda.
Mari Fernandes