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Carta 087

O áudio pra minha mentorada

Sobre a tendência de maternar clientes e equipes — e como desenvolver postura de empresária começa por respeitar a si mesma.

Gestão de negócios

BUENAS TARDES, MARAVILHOSAS!

Como contei na carta 86, essa aqui é mais uma carta escrita com antecedência para não quebrar o nosso ritual.

(Obrigada, gestão feminista e obrigada time mais lindeuso desse Brasil!)

Enquanto vocês estão lendo isso aqui, eu terminei uma travessia de 5 dias nos lençóis maranhenses.

(Graças ao meu olhar quase psicopático de gestão, tô viva! Preparei com antecedência a minha mochila, água, protetor solar, roupas adequadas e, claro, as minhas marmitas porque sabia que teria lugares que eu não encontraria o que comer rs)

Já falei para vocês que acontece uma coisa muito esquisita com o processo de escrever nossas cartas.

Eu nunca sei exatamente o que vou falar nelas.

Tem semanas que até tenho um assunto fervilhando na cabeça que penso “porra, isso eu tenho que falar para a mulherada”.

Mas, na maioria dos dias, eu simplesmente sento.

Eu sento e parece que os meus dedos estão possuídos (pelo ritmo ragatanga)

Começo a digitar loucamente um assunto que sinto no fundo das minhas hemácias que vocês precisam ouvir.

Como essa carta está sendo escrita no dia 13 de junho, ainda no meu pré-férias, os meus dedos não estão com vida própria.

Tenho que parar e pensar no que vou escrever aqui.

Parei, pensei e resolvi trazer um assunto que gerou esse burburinho aqui no grupo da Vênus:

Tá curiosa aí pra saber o que rolou, né?

Bora de contexto primeiro.

Uma mentorada trouxe no grupo uma situação que estava acontecendo na mentoria dela que basicamente era um pedido de reembolso muito tempo após o período de garantia simplesmente porque a aluna dela não estava tendo tempo de acompanhar os encontros ao vivo.

Tu já recebeu uma mensagem desagradável e ficou na dúvida de que postura assumir diante do desconforto, do confronto?

Vendendo mentoria ou outro tipo de serviço que inclui lidar com pessoas, ouso afirmar que sim.

Não à toa todas as minhas mentoradas se identificaram com a minha resposta.

E que resposta foi essa?

A resposta já começou falando “fulana, eu vou te falar uma coisa que NÃO é o que você quer ouvir, mas é o que você precisa para parar de sofrer com esse negócio aí”

Esse aqui já é o primeiro cutucão

que eu quero que você tire dessa carta:

Seja como mentora ou como o empresária, muitas vezes nós vamos DESAGRADAR os nossos clientes.

Não porque a senhorita tem tendências narcisísticas tal qual uns 43% do mercado digital e sim porque ele te contratou para RESOLVER um problema.

E, muitas vezes, para RESOLVER um problema, a gente vai precisar desagradar primeiro.

Porque o nosso papel não é fazer as coisas como o cliente quer apenas.

Se fosse assim, ele não precisaria da gente, né? Já saberia tudo.

O nosso papel é entregar o que o cliente precisa, o que resolve o problema para o qual ele veio buscar a solução.

Imagina um dentista que se depara com um dente todo podre dizer “como o senhor não gosta do canal eu vou borrifar essência de rosas aqui no seu dente e você vai para casa feliz, ok?”

Nós, como profissionais, sabemos (ou deveríamos saber) o que resolve o problema dele.

Primeiro cutucão dado, continue acompanhando.

Depois de alinhar expectativas que eu ia desagradar num primeiro momento, o que eu trouxe para a minha mentorada no áudio é que ela estava tratando a mentorada dela como criança.

E aqui já vem o segundo cutucão

que eu preciso que você tatue na testa se for necessário:

Nós, mulheres, temos a tendência de tratar o outro como criança porque nos colocamos no lugar de mãe. Nos colocamos não, SOMOS COLOCADAS.

Mãe de cliente.

Mãe de marido.

Mãe de amigos.

Mãe de equipe.

A gente foi treinada tão fortemente a maternar o mundo que nos colocamos inconscientemente em situações como essa.

Fica na nossa responsabilidade saber e lembrar os nossos maridos e maridas quando é uma consulta médica DELES.

Fica na nossa responsabilidade dar piruetas para o cliente fazer o que você orientou que seria o melhor.

Fica na nossa responsabilidade lembrar o fulano que ele ficou de fazer tal coisa.

Tanta responsabilidade na vida de terceiros vai criando uma sobrecarga mental gigantesca em nós.

“Aí, Mari, mas é que eu sou atenciosa com as pessoas ao meu redor”

Não, meu amor, você não está sendo atenciosa.

Você tá sendo trouxa.

Você tá criando mais problemas pra você mesma no futuro.

Você tá deixando ADULTOS em posições de crianças.

Você tá se sobrecarregando.

Você tá gastando os seus preciosos neurônios com coisas que não deveria.

E aí no fim do dia você tá esgotada, com mais cabelo branco do que deveria e com plena convicção que tá falhando em todas as áreas.

O seu papel, como empresária, como líder, como mentora e como mulher não é resolver todos os problemas do mundo.

Você pode dar direcionamento para ajudar as pessoas a resolverem seus próprios BO’s.

Marido te disse que marcou médico para o dia 2 de julho?

Fale pra ele colocar na agenda dele e não esquecer.

Cliente disse que não está conseguindo fazer tal coisa?

Pergunte se ele já tentou tal solução.

Social media disse que esqueceu de postar no feed?

Pergunte se ela já procurou ferramentas de agendamento.

É provável que você não gostaria de ouvir isso em plena sexta-feira.

Mas, talvez esse seja a exata cutucada que você precisava pra desenvolver postura de empresária.

Não é um blazer ou um batom vermelho que vai te ajudar a ser respeitada.

É você que precisará, antes de tudo, respeitar a si mesma.

Beijos no meu último dia de férias,

Mari Fernandes

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·