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Carta 085

Vidrão bonito com formol

Sobre a liberdade de aceitar a mulher estranha e imperfeita que você é — de verdade, sem editar nenhum pedacinho.

Nóias da cabeça

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!

Como a senhorita está nessa sexta?

Como todas já estão carecas de saber, estou me organizando para entrar de férias na segunda-feira (viva as deusas da gestão feminista!).

Eu contei para vocês um tico desse processo nas cartas 83 e 84.

Mas, num vou me alongar mais nesse tema porque hoje to com vontade da gente conversar sobre outro troço.

Um troço que tá bem muito pedindo para ser conversado dentro de mim.

Hoje conversaremos sobre a liberdade desgramada que é aceitar (real oficial) a mulher estranha e imperfeita que você é.

Comecemos: se você é Dino Fluida, sabe que eu amo uma terapiazinha. E o troço danado de bom para fazer a gente se entender, né?

(Inclusive, se eu pudesse instaurar uma política pública seria a da terapia grátis que nem camisinha em post de saúde: distribuir para todo mundo).

O tema da carta de hoje tem nascido nas minhas sessões de terapia

. Observe a intimidade que temos, pois estou prestes a te contar uns troço que só a pobi da terapeuta sabe.

Eu acho que todas nós já ouvimos esse rolê de

“aceitar quem você é”

ou

“amar você mesma”

, mas eu acho que os tópicos em torno desse assunto ficam muito superficiais, abstratos e pouco práticos.

Hoje vou tentar trazer um pouco de concretude

sobre isso.

Vou descrever em detalhes alguns dos traços de quem vos fala.

Vou te contar quem eu sou aos meus olhos.

Mas, antes de eu te contar quem eu sou, eu quero que você faça esse julgamento da minha pessoa.

Descreve ai umas características que você acha que eu tenho.

Vai, é um exercício mesmo, pensa ai na sua cachola.

Pode ser em relação ao meu trabalho, ou minha relação com Sr Fluido ou até em como eu sou como meu sobrinho.

Você fez um tantão de suposições sobre a minha pessoa baseado no que você conhece de mim.

Agora, eu vou te mostrar como eu vejo meu reflexo no espelho comecemos:

Eu sou ligada nos 220v (isso ja deve ter ficado bem claro para você, né?). Eu tenho uma energia descomunal que emana da minha cabeça diariamente. É tanta energia que se eu não treinar quase todo dia, pode dar uma semana para eu ter perdido o réu primário. Essa característica me permite ficar 4, 6, 7 horas dando mentoria sem ver o tempo passar. Mas, me faz precisar de todo um ritual para conseguir dormir sem ter 8 ideias de produto antes de terminar de colocar o pijama.

Eu sou um ser humano crítico. Muito crítica. Eu sempre consigo rapidamente olhar para uma coisa e ver como ela poderia ser melhor. E vale para tudo: espaços, pessoas, processos, produtos, empresas, relacionamentos. Tudo o tempo todo eu tenho um scaner mental que mapeia onde um trem num tá mara e como ele poderia ser ainda melhor.

O fato de eu ser essa Mariana aí é um dos trem que me faz ser tão maravilhosamente boa no meu trabalho: eu tenho uma visão de raio x embutida na cachola, leio um fluxo de caixa e consigo achar rapidamente onde tá escoando dinheiro, ouço um pedido de ajuda num hotseat e identifico em 2 puloa origem do desafio emocional que a minha mentorada está vivendo. Eu fico boa para caralho no meu trabalho por conta disso.

Ao mesmo tempo, isso me faz ser…

Digamos…

Crítica.

Com tudo. Eu frequentemente me frusto com atendimentos em restaurante, loja, shopping. Acho os processos dos estabelecimentos muito ruins. Tenho uma enorme dificuldade de achar um médico que eu confie, uma mentor que confie. Demoro muito para comprar um troço porque analiso cada micro aspecto da funcionalidade do troço antes de investir meus dinheiros.

Essa sou eu.

Eu sou tagarela. Falo pelos cotovelos, pelos joelhos, pâncreas e, se duvidar, até o rim. Sempre fui assim, me lembro de inúmeras vezes ouvir os adultos a minha volta falando “meu Deus, essa menina não para de falar nunca não?”. Não, senhoras e senhoras, eu não parei. Ser uma tagarela desembestada como sou, me faz ser uma ótima comunicadora me dá uma vantagem muito grande no meu mercado, eu simplesmente tenho conteúdo infinito, posso gravar uns 10 vídeos numa sentada só, faço pitch como se tivesse comendo sopa de lesma — mole, mole. Mas, ser tagarela também me faz ser… tagarela. Temos todo um esquema aqui na Fluida para o meu time me impedir de falar DEMAIS nos nossos eventos de vendas, se deixar eu ultrapasso todos os tempos previstos e fico tirando duvida até não sobrar mais nenhum neurônio das minhas pobres ouvintes.

Essa sou eu.

Eu gosto de clareza. De falar as coisas abertamente, de deixar a verdade exposta na mesa. Minhas mentoradas me procuram exatamente por isso, elas sabem que se tiver alguma sujeirinha embaixo do tapete eu serei a pessoa que vai levantá-lo e apontar o dedo para ela pegar logo uma vassoura. Isso cria uma confiança incomparável entre nós, mas também faz com que elas morram de medo de eu sair levantando os tapetes que elas não estão prontas para levantar.

Essa sou eu.

Eu também sou bem boa em planejar troços. Qualquer troço. Sou boa de ver o começo, meio e fim das coisas, consigo fatiar facilmente um grande projeto em micro ações, tenho facilidade de ver onde cada ação de hoje vai desembocar no futuro. Isso me ajuda demais a criar e conquistar objetivos para a minha vida. Eu defino uma meta, crio um plano e vou passinho por passinho atrás. Eu alcancei um tanto de trem legal na minha vida assim, coisas maiores e menores. Isso me ajuda na Fluida, me ajuda na minha vida pessoal. Mas, o fato de eu ser assim também me faz ficar muito impaciente quando tenho que participar de um troço com planejamento mal feito ou que num é feito de acordo com meus requintadíssimos padrões de organização. Eu falto ter 3 tipos de troço quando vou viajar com um grupo de amigos que não são tão chegados ao planejamento. Quase mato o Sr Fluido com meus olhares fulminantes quando temos que planejar uma viagem juntos, eu já ponho tudo no todoist, defino prazos, coloco responsáveis. Ele começa o planejamento em papeizinhos de rascunho espalhados pela mesa.

Essa sou eu.

Toda essa exposição da minha pessoa na mesa é para te mostrar um ponto:

essas características que eu tenho, me fazem ser quem eu sou.

Não é só bom ser planejada, isso também me traz desafios com o resto da humanidade (que planeja suas vidas conforme Zeca pagodinho).

Não é só ruim ser crítica, isso também me faz uma das melhores mentoras que conheço (sem nenhuma modéstia).

Não é só bom ser faladeira até num poder mais, isso as vezes cobra a sanidade do meu time.

Mas, essa aí que você leu, essa aqui que você tá lendo é exatamente quem eu sou.

E ter tudo isso junto e misturado me faz experimentar essa vida como eu experimento.

Num dia, tô chorando as pitangas aqui porque me sobrecarreguei de trabalho mais do que deveria.

No outro, comemoro em gritos estridentes com o time nossa meta semestral batida no inicio do mês.

A forma como eu experimento essa grande jornada mucho louca chamada vida é maravilhosa aos meus olhos.

Eu aprendi (ou talvez esteja aprendendo) a não editar nenhum pedacinho meu para ficar “melhor”.

Eu não preciso cortar partes de mim mesma para que as pessoas me entendam.

Não preciso ser menos crítica crítica, mais silenciosa e menos organizada para não ofender os polidos, silenciosos e bagunceiros.

Eu posso ser eu inteirinha com toda essa complexidade e dicotomia que te apresentei nos parágrafos acima.

Isso muda tudo.

Muda absolutamente tudo.

Meu cutucão do amor com a carta de hoje é para a gente trazer para a realidade toda essa história de “amar quem você é”.

Amar quem você é não é um conceito abstrato para vender perfume e lâmina cor de rosa para depilar o sovaco.

Amar quem você é e falar em voz alta suas características e não ter vontade de sair correndo para se esconder no primeiro buraco que aparecer.

É escrever que sua “criticiadade” extrema faz seu boy quase enlouquecer e ainda sim ter a leveza de escrever isso sem qualquer vontade de digitar o “delete”.

Eu tô aqui fazendo uma autópsia das minhas características na sua face para que você se sinta autorizada a fazer o mesmo com as suas.

Pega o atlas da sua anatomia e corta camada por camada até chegar nas células mais basilares de quem você é.

Depois leve cada uma delas para um belo jarro de vidro, encha de formol para conservá-las por muito tempo e ajeite esse belo potão de vidro na estante da sala.

Chama as visitas para verem.

Deixe que elas apareçam no fundo dos seus stories.

Faça um tour por elas com cada ser novo que aparecer na sua vida.

Afinal, essa É você.

Me leva para conhecer esse pedaço seu que ninguém conhece?

To aqui para te ler.

Pode responder esse e-mail contando: QUEM É VOCÊ?

Beijos nua e crua,

Mari Fernandes.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·