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Carta 076

Ambiciosa demais

Sobre a sensação estranha de se sentir deslocada em uma conversa de amigos concursados — e o momento em que caiu a ficha de que amar o seu trabalho não é desequilíbrio, é conquista.

Nóias da cabeça

BUENAS TARDES, MARAVILHOSAS!

Como as senhoritas estão nessa sexta?

(Pode responder eu quero mesmo saber)

Eu to animadíssima por motivos de: meu aniversário tá chegando!

(Segundo o meu time, tá longe para caralho, mas eu acho que 27 dias já é perto)

Ao invés de fazer atualizações da Fluida, vou começar a carta de hoje com atualizações desse evento anual relevantíssimo para a nossa rede:

Bom, eu tenho uma tradição pessoal de todos os anos comemorar meu aniversário só com amigAs em um lugar ao ar livre, que tenha sol, água e natureza.

Eu junto amigas de grupos diferentes nesse ritual anual marianístico, acho que já tem talvez uns 5 anos (ou mais).

Eu AMO aniversário, AMO comemorar (já falamos sobre isso em outra carta), eu assumo que tem um mês inteiro do ano que é só para mim, só meu.

E esse mês, no caso, é o mês de maio (já anota ai: DEZ de maio, DEEEEZ de maio. Não esqueça).

Bom, eis que esse ano o universo me convocou para uma comemoração diferente:

Talvez você fique levemente chocada com essa informação, mas eu tive um passado axezeira. De ir de abadá atrás do trio, sabe? Pois, então.

E eis que no fim de semana anterior ao meu aniversário, vai rolar uma micarê aqui em Brasília com bandas que são a minha juventude inteirinha (Timbada, Chiclete com Banana e Tomate).

Então, eu decidi: vou fazer uma caravana com as minhas amigas e comemorar na micarê.

Botar todas elas numa van, com abadá combinandinho, bons drinks e seguir juntas para 5 horas perseguindo um trio elétrico cantando músicas de extrema qualidade melódica.

Eu fiz toda uma estratégia para convencer mulheres 30+ com filhos a me acompanharem nessa insanidade juvenil 😂. Mas, não abrirei as estratégias aqui até que elas estejam 100% bem sucedidas kkk.

Essa será a parte 1, ainda estou arquitetando a parte 2 e 3 (já disse que amo aniversário?!) e vou contando aqui para vocês também a medida que for decidindo as coisas.

Bom, essa é a atualização da vida que eu queria dividir com vocês, curtiram saber?

Quero dividir coisas massas da vida além da PJ com vocês também.

Bom, atualizações da PF feitas, vamos a carta de hoje?

Simbora!

Algum tempo atrás, eu saí com um grupo de amigos bem antigos. Daqueles que você conhece há tantos anos que nem sabe mais quantos.

A maior parte deles é concursado (quem num é aqui em Brasília, né?) e, entre os vários papos que rolaram,

chegamos ao papo de trabalho, dinheiro e ambições.

Para mim, foi um papo meio esquisito, eu não sabia dizer direito o que tava me incomodando ali.

Mas, fiquei com aquela sensação que eu não tava conseguindo entender a “vibe” daquela conversa.

Bom, trocamos de assunto, falamos de outras coisas, bebemos, comemos, rimos e vida que segue.

Na volta para casa Pedro (o Senhor Fluido, caso você não saiba), me perguntou no carro assim:

“Gostou amor? Foi legal ter vindo?”

E aí eu fiquei alguns segundos tentando encontrar dentro de mim essa resposta.

Eu tava feliz por ter visto meus amigos, ri um bocado.

Mas, eu ainda estava incomodada com alguma coisa e não sabia o que era.

Falei isso para o Sr Fluido e ele logo diagnosticou (ele tem essa incrível habilidade de descobrir meus desconfortos através de perguntas):

“Você tá incomodada por que você acha que eles te acham ambiciosa demais”

BINGO

BINGO

O papo era sobre como a gente tinha de desacelerar a corrida por dinheiro.

Que a vida não era só isso, que se a gente quer muitas coisas fica doido correndo atrás delas.

O que racionalmente não está incorreto.

Mas, aquela mensagem ainda ressoava esquisita em mim.

A mensagem dizia um convite ao equilíbrio. Um lembrete para não se perder no caminho.

Mas, nos meus ouvidos ela soava como “é errado você querer tanto”, “queira menos”.

Eu (e a maior parte das mulheres) demorei MUITO para reconhecer, aceitar e falar em voz alta que eu quero MAIS.

Que eu quero MUITO.

Que os meus desejos são megalomaníacos.

Ouvir alguém me dizer que “o trabalho” não era tão importante assim era como se eu estivesse que me enfiar num cômodo que eu precisei esmurrar centenas de vezes a porta para conseguir sair.

E aí, me caiu uma outra ficha.

A MAIOR parte das pessoas acha o seu trabalho um mal necessário.

Necessário, mas ainda sim um pé no saco.

O chefe é arrogante, o colega de trabalho é encostado, o setor ao lado não faz a parte dele.

Quem vai gostar de um trabalho assim?

Acredito que em sã consciência ninguém gostaria.

Mas ai é que tá o ponto:

Eu GOSTO do meu.

Eu GOSTO DO MEU TRABALHO, do jeito que eu faço, com quem eu faço e para quem eu faço.

Eu simplesmente AMO (e faço aqui questão de usar ESSA palavra) o pagador dos meus boletos.

E aí eu entendi um outro troço: quem não gosta do seu trabalho considera uma insanidade alguém que voluntariamente escolhe trabalhar MAIS.

Que QUER que o trabalho cresça, que QUER ter mais gente trabalhando no time, que QUER mais clientes.

Não é uma questão só de PRECISAR fazer mais dinheiro e por isso precisar de mais clientes, é simplesmente porque eu QUERO.

Eu quero alastrar o impacto que causamos na vida das mulheres.

Quero ser reconhecida nacionalmente.

Quero ser referência na minha área.

Sim, eu quero que venha mais trabalho para mim.

E ai está a importância da gente ter clareza do que são os valores do outro do que são os nossos.

Aquela conversa era esquisita para mim porque me dizia que amar o trabalho é errado.

Mas, é “errado” para as pessoas que não tiram nada de bom dos ambientes onde recebem seu salário, além dos dígitos que caem na conta.

E não é culpa dessas pessoas, é só o que é.

Fofoca, puxada de tapete, inimizade são comuns em uma parte muito significativa dos empregos.

Mas, eu NÃO vivo isso.

Eu troco memes, piadas e confidências da vida privada com a minha equipe.

Temos um canal de fofoca e metade da comunicação acontece por gifs.

Eu vou odiar isso? Não vou.

Não vou fingir que meu trabalho é uma bosta para não esfregar felicidade na cara das pessoas.

E acho (só acho) que

você também deveria fazer o mesmo.

Precisamos parar de ter medo de expressas aquilo que com muito custo conquistamos.

Eu construí essa poha.

Recrutei, treinei, selecionei, dei feedback, ouvi, direcionei.

Essa é uma CONQUISTA minha e eu tenho orgulho.

Não é vergonhoso ter um trabalho que você gosta.

Não é sinal de “desequilíbrio” trabalhar em horários que seus amigos concursados não trabalhariam.

Não é ambição demais querer mais, muito mais.

Esse é o caminho que você escolheu.

Não permita que alguém que nunca suportou o peso de não saber se vai pagar os funcionários te diga que você “trabalha demais”.

Repito: esse é o caminho que você escolheu.

Para muitas pessoas pode parecer loucura “abrir mão da estabilidade pelo risco”.

E, em certa medida, é mesmo.

Mas, talvez a gente goste de ser um pouco assim.

Louca mesmo.

Da próxima vez que você se sentir deslocada pelo caminho que escolheu, se lembre disso aqui:

Beijos com muita ambição e loucura,

Mari Fernandes.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·