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Carta 073

Sonho de Valsa Muxibento

Sobre parar de tentar enganar o seu desejo com micro doses de coisas que você nem quer tanto assim — e a reflexão de quantas grandes sobremesas nós perdemos porque ficamos a vida toda tentando nos satisfazer com migalhas.

Nóias da cabeça

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!

Como a senhorita chega no dia de hoje?

Animada, cansada, exausta, piripacada, orgulhosa?

Eu chego com novidades para contar e reflexões para compartilhar

Vamos começar, como sempre, te dando uma atualizada sobre bastidores

aqui da Fluida dessa semana:

  • Começamos a semana tendo nosso instagram DERRUBADO. Sim, imagina abrir o insta para fazer seus stories e receber uma mensagem dizendo “sua conta foi suspensa, se não pudermos confirmar que você não infringiu as regras tal tal e tal sua conta será suspensa definitivamente”. Eu sempre achei que teria um piripaque do chaves se isso acontecesse um dia. Mas, incrivelmente, eu não senti um pingo de adrenalina. Nadinha, avisei o time, procuramos um advogado e criamos um plano B caso a conta não voltasse. E o mais engraçado é que ninguém do time ficou desesperada também não, acho que a gente já passou por tanto troço doido que nada mais nos abala 😂 Estamos vacinadas. A conta voltou. Vida que segue!
  • Estamos terminando aqui a trilha de treinamento de onboarding para novas sereias do time. Meu Deus, como que tá linda! Quis criar para o nosso time a “Uni Fluida”, nossa universidade interna, para toda sereia que chegar ter uma trilha de conteúdos para aprender o que é ser Fluida, o que é ser sereia e como ela vai fazer parte do time mais maravideuso desse Brasil segundo as minhas pesquisas. To muito orgulhosa de poder trazer nossa bagagem de educação não só para as alunas, mas também para nosso time (dá um trabalho desgraçado kkk e tá compensando).
  • Batemos a meta do mês ontem dia 21! IHUUUULLL Comemora comigo!! Definitivamente o Universo tá sendo muito bom para a ppk com essa empresária que vos fala.
  • Tem também processo seletivo aberto e estamos processualizando todos os métodos de entrega da VÊNUS. Gente, é coisa para cacete, a gente tem o “nosso” jeito de fazer absolutamente tudo. Também tá dando um trabalho desgramado, mas quando terminarmos vamos iniciar o projeto que chamamos internamente aqui VÊNUS 2.0, tenho planos ousadíssimos para nossa metodologia para mentorar. APENAS ESPEEEEEREEM.

Bom, atualizações e fofocas feitas bora para a carta de hoje?

Pois, bora!

Talvez você tenha visto nos stories ontem que eu contei de um novo ritual que inventei para a minha própria vida

(to virando a rainha dos rituais, tudo agora eu quero ritualizar haha), esse ritual se chama

“comer quantidades não saudáveis de açúcar com cacau em estabelecimentos excessivamente caros” — ou podemos chamar de escolher uma sobremesa gostosa num café bonito

(que, 99% das vezes também será caro só porque é bonito, o que não me agrada tanto assim kkk).

Primeiro vou precisar de explicar como que eu cheguei nesse ritual.

A essa altura do campeonato (que expressão bizarra essa né?), você já deve ter percebido que eu sou uma pessoa que gosta bem muito de CHOCOLATE. Nível eu não compro chocolate para a minha casa por que enquanto houver cacau com açúcar eu estarei comendo. Até A-CA-BAR.

Eu gosto mesmo mesmo mesmo mesmo.

Porém eu tenho peculiaridades de saúde que não me permitem ficar comendo trigo e açúcar sempre que eu quiser. Tenho que planejar quando é que vou cometer essa orgia gastronômica e fazer todo um controle de danos posterior.

Resumidamente é assim: tem uma coisa na minha vida que me dá muito prazer, mas ao mesmo tempo me gera consequências não saudáveis. Como é que lida com isso?

Abandona o prazer pela saúde? Ou abandona a saúde pelo prazer?

Eis como eu tava lidando

com isso:

Como eu sei que não tenho autocontrole (nenhum) para chocolate eu simplesmente não tenho em casa. E isso torna impossível eu terminar o almoço e ir correndo comer uma barra. Não torna impossível o fato de eu ficar PENSANDO na barra depois do almoço, mas me impede de seguir todos os meus impulsos açucarados.

Pois muito que bem, o problema acontecia quando eu estava FORA de casa.

Vou almoçar em um self-service e na hora de pagar, tá lá o sonho de valsa do lado do caixa.

O batom branco (que eu nem gosto tanto) ao alcance das minhas mãos.

Uma unidade de ferrero rocher olhando para a minha cara.

Eu olho para aquele diminuto pedacinho de açúcar e penso

“tá, esse pequenininho aqui vou pegar”.

Compro o troço

Como

Ele nem é tão gostoso assim

É um chocolate “normal”. Nem tem CARA de chocolate.

É apenas uma minúscula unidade de calorias que TENTA ser uma unidade de PRAZER.

Resultado: eu nem sinto tanto prazer assim comendo o sonho de valsa do restaurante e meu desejo continua lá.

Sedento por uma BOA sobremesa com chocolate.

Veja onde eu fui parar com isso: eu nem mato o desejo NEM ganho mais “saúde”. Fico ali num meio termo esquisito de “nem nem”.

Nenhuma das necessidades atendidas.

Até que um dia, sabe-se lá porque, eu decidi que ia parar de tentar CONTORNAR o meu desejo por chocolate.

Eu ia parar de ficar me negando esse prazer.

Eu ia parar de tentar sufocar ele com doses ineficientes de sonhos de valsa murcho do restaurante self service.

Eu decidi que tava tudo bem DESEJAR.

Eis minha solução:

Eu vou parar de tentar enganar meus desejos com micro doses de outras coisas que não o caralho do desejo em si.

Eu iria APRENDER a ME DAR o que eu DESEJO. Sem tirar de mim o resto que é importante (minha saúde).

Cheguei então no ritual:

Uma sobremesa gostosa (realmente gostosa) totalmente isenta de culpa e malabarismo mentais em um lugar bonito

Quando: toda semana

To nesse ritual há 3 semanas e vou compartilhar o que eu descobri com isso:

  • Eu não preciso mais lutar com o sonho de valsa que me encara no caixa toda vez que eu vou passar compras no supermercado. Eu olho para ele e digo “o moço, você não chega aos pés da banoffe que vou comer no final da semana, boa sorte aí para você”. Essa luta mental acabou, eu SEI agora que o sonho de valsa murcho da prateleira NUNCA será capaz de saciar meu real desejo, então não tenho que me preocupar mais com ele
  • Eu aproveito cada molécula de serotonina que é liberada no meu corpo com a sobremesa da semana. Eu fico uma hora sentada no café escolhendo a torta que eu quero, olho para todas elas e penso “qual que eu QUERO mais?” analiso, olho por outro angulo, pergunto os ingredientes, abro o site do café no celular e vejo os comentários sobre cada sobremesa. Defino a escolhida, ajeito ela no prato, tiro uma bela foto. Pego uma garfada boa e me embriago com a felicidade que um punhado de carboidratos é capaz de disparar nos meus neurônios. Cheiro, mastigo… olho de novo. Como de novo. Uma hora de puro prazer auto induzido.

O que antes eram micro segundos de prazer pulverizados ao longo da semana se transformaram numa bomba de 3600 segundos agregados de uma só vez.

Sentiu aí?

Pois então.

O que que isso tem a ver com negócios, mulheres e tudo que conversamos por aqui?

Eu descobri que

DESEJAR é um troço poderoso para nós mulheres.

Poderossíssimo.

Esse ritual (dentre outras mudanças que venho fazendo na minha vida), tem sido uma forma de eu lembrar o meu cérebro que

eu não preciso tentar driblar o que eu quero me preenchendo de pequenas doses daquilo que eu nem quero tanto assim.

É um lembrete externo para tentar remodelar a forma como o meu cérebro (e o de quase todas as mulheres) funciona.

Estamos o tempo todo nos podando.

Regulando nossos prazeres.

Cronometrando nossos momentos feliz.

Ajustando nosso tom de voz.

Poderia ser só sobre comer chocolate, mas é uma forma de me RE-EDUCAR.

Educar a mim mesma para QUERER um troço e ME DAR isso.

É sobre querer e me satisfazer, mas é também sobre parar de me satisfazer com pouco.

Reconhecer e bancar o que eu quero, como eu quero e quando eu quero.

Parar de FUGIR do que eu quero.

E reconhecer que ainda que algumas pessoas desejem um prato bonito de massa ou um vinho caro, eu desejo a torta de chocolate transbordando avelã.

Quanto dinheiro eu gastei com sonho de valsa murcho tentando despistar meu desejo pela torta chocolatuda?

Faz as contas:

Total deliciosa: R$ 19 por semana

Sonho de valsa no almoço: R$ 3

Batom na fila do mercado: R$ 2,50

Ferrero rocher no posto de gasolina: R$ 9,50

Trufa caseira na mesa do bar: R$ 5,00

Quanto tempo da minha vida eu trabalhei para pagar hologramas do que eu queria de verdade?

Quanto tempo NÓS mulheres nos auto enganamos com migalhas de prazer quando o que realmente queríamos JÁ ESTAVA DISPONÍVEL?

Leia de novo:

JÁ ESTAVA DISPONÍVEL

As portas das confeitarias e dos cafés bonitos SEMPRE estiveram abertas para eu sentar minha bela buzanfa na cadeira que imita couro e pedir a danada da torta superfaturada.

Por que em 34 anos eu nunca me atentei para isso?

Por que passei 34 anos da minha bela vida evitando as grandes sobremesas enquanto tentava me satisfazer com as pequenas?

A resposta (quase sempre) reside no complexo sistema de condicionamento mental feminino que o patriarcado amarrou muito bem.

É quase como ter antolhos mentais que simplesmente apagam do nosso campo de visão as infinitas possibilidades que já existem para a gente agarrar.

Seja uma torta chocolatuda

Um CNPJ milionário

Um relacionamento feliz com o seu corpo

Quais outras tantas possibilidades já estão ai na nossa cara mas estamos todas insistindo na poha do sonho de valsa muxibento da padaria?

Eu não sei se você tem clareza visceral dos seus desejos.

E nem que pequenas migalhas vem tentando usar para tapar o seu anseio por algo maior.

Mas, eu posso apostar que em toda mulher existe pelo menos um desejo salivante que está sendo enganado por uma merreca de carboidrato industrializado.

Qual é o seu?

Beijos com resquícios da torta que comi ontem,

Mari Fernandes.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·