Carta 070
Um ato de fé
Sobre descobrir que o desejo de ter uma equipe grande não era sobre números — era sobre coletivo, sobre crer no mesmo mundo, e sobre entender que precisamos de argumentos para proteger nossos desejos até de nós mesmas.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSAS!
Como essa sexta chega para a senhorita?
Por aqui, eu chego preservando minha bela voz
(não ria que tu nunca me viu cantando)
por conta das trocentas e vinte e nove horas de mentoria que dei essa semana.
Eu até perdi as contas de quantas mentoradas conversei essa semana. Só sei que eu vi mais sorrisos, lágrimas e comemorações do que metade desses guru véi de instagram vão presenciar na vida deles.
Coisas engraçadas acontecem comigo quando eu mentoro, vou contar para vocês algumas delas:
-
Eu fico TÃO focada ali na mentoria que esqueço de beber água, comer e fazer xixi. Frequentemente são as mentoradas que pedem “Mari, posso ir lá ao banheiro?” e aí eu lembro que dentro de mim também reside uma bexiga.
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Meu cérebro não sossega enquanto não encontra uma solução para os problemas que vocês me trazem. Quando eu digo que não sossega é LITERAL, eu SONHO com os problemas e acordo com as soluções na cachola. Às vezes (muitas vezes), eu tô no meio do meu banho e, BUM, cai uma ideia, sugestão, solução e eu tenho que sair correndo do banho (é sério) para pegar o celular e anotar e não esquecer.
Então, saiba que se você é minha mentorada, é provável que você já tenha sido responsável pelo chão do meu banheiro ficar todo molhado quando eu saio correndo para capturar uma solução para você.
De nada.
Agora, vamos à carta de hoje real oficial.
Esses dias nos stories estamos conversando sobre uma porrada de tema que estão mexendo MUITO com vocês. Acho que com nós todas,
falamos sobre seguir seu IMPULSO.
E também sobre saber exatamente o que se deseja.
Tu chegou a ver esses stories?
(Se num viu recomendo fortemente que veja, acho que vai ser cutucador para você.
Nessa última semana, fiz mais uma descoberta sobre os meus próprios desejos e queria compartilhar ela com vocês.
Talvez você já tenha me visto falando que eu quero ter uma equipe GRANDE.
Já me viu chamando a mulherada que trabalha com a gente de Sereia ou já espiou trechinhos das nossas reuniões semanais pelos stories.
Eu, desde o dia ZERO da Fluida, sempre sempre sempre visualizei a Fluida como um lugar cheio de mulher. Várias mesmo, essas imagens vinham na minha cabeça com frequência.
Eu pensava na Fluida “do futuro” como uma casa com várias mesas de trabalho, computador, parede de vidro para rabiscar, post it.
Eu imaginava as nossas dinâmicas de fim de ano, visualizava a mulherada fofocando na copa…. essas imagens sempre estiveram presentes na minha cabeça.
Mas, nessa vida de empresária de minha deusa, eu comecei a ouvir o tal do “one person business” (a ideia de que você pode construir sua empresa com muito mais liberdade se você criar uma empresa com alta margem que tenha você e uma assistente e cabô).
Comecei a ouvir muita gente dizendo
“ah eu não quero equipe maior não, dá trabalho demais”.
Meus próprios desejos sobre ter equipe grande foram ficando cada vez menos fortes.
Eu comecei a simpatizar com essa ideia de ter equipe pequena.
Afinal, tinham tantos argumentos a favor…
- Custo fixo menor
- Menos reunião para fazer
- Quanto mais gente mais complexa fica a comunicação… e por aí vai.
Até que num lapso de bom senso (e muita terapia), eu PERCEBI que e
stava flertando com um desejo que eu nunca tive,
ele só me parecia “racional” o suficiente.
Eu, como boa pensadora que sou, confio muito na racionalidade, então fui me deixando levar por ela.
Até que eu fiz uma enorme descoberta (na verdade a senhora minha psicóloga me ajudou a fazer) do porquê que eu me deixei levar por um desejo que não era meu.
Bom, eu descobri que eu DESEJAVA aquilo, mas eu não sabia PORQUE eu desejava aquilo.
Eu (literalmente) sonhava com uma equipe foda só de mulheres, mas não sabia dizer O QUE nesse cenário me atraía.
O que eu quero não é uma equipe grande.
Não é um número.
O que eu quero é COMPARTILHAR vitórias, é o coletivo que me move.
Estar em rede, estar junta, ouvir e ser ouvida.
Parando para refletir agora, me parece tão óbvio isso.
Afinal de contas, eu criei uma REDE, uma ESCOLA, e é óbvio que o grupo é uma coisa importante para mim. Eu poderia ter escolhido criar qualquer outra coisa, mas inventei de fazer uma em que existisse mais do que ser só eu.
Tudo que eu quero para vocês: acolhimento, saber que se pertence a um lugar, ser ouvida… eu também quero para quem vive a Fluida da porta para dentro.
Eu também quero isso para MIM.
Muitos gestores acham um saco as tais das reuniões one on one, que são as reuniões individuais periódicas que fazemos com a equipe para estar mais perto de cada uma.
E eu sempre AMEI fazer one on one. Eu acho o maior barato ouvir os sonhos das sereias, saber o que elas estão vivendo na vida delas, como estão se desenvolvendo.
Hoje eu entendo porque eu sempre curti. Eu sou uma pessoa de pessoaS.
No plural, é assim que eu sou, eu vejo valor na felicidade COMPARTILHADA.
(Talvez por isso eu tenha tantas amigas com 10, 15, 22, anos de amizade)
E o que isso tem a ver com todas nós?
Se a gente não sabe o motivo dos nossos desejos, ficamos sem argumentos para defendê-los de nós mesmas.
Ter uma equipe maior dá sim mais trabalho.
Sim, custa mais caro.
Vai gerar ruído de comunicação e pedir sistemas mais eficientes.
Mas, absolutamente nada disso se compara ao ÊXTASE que eu tenho de dizer “o nosso time”.
(Saiba que 100% das vezes que eu falo essa frase, estou me sentindo orgulhosa de poder falá-la).
De saber que não sou só eu.
De acompanhar o crescimento de cada uma e falar
“caraca, olha que foda, essa pessoa paga a yoga que ela tanto ama com o dinheiro que a gente como time foi capaz de fazer”.
Isso me preenche.
De um jeito que eu não sabia colocar em palavras, eu só sabia que isso me fazia feliz.
Agora eu sei.
Eu quero um time, e sempre quis, porque as coisas têm valor para mim quando alguém, além de mim, pode se beneficiar delas também.
Eu não sei qual é o seu desejo visceral, nem sei se você já conseguiu encontrar os seus.
Mas, eu vou te convocar a descobrir PORQUE você quer tanto essa coisa.
Vou repetir: precisamos de argumentos para proteger nossos desejos de nós mesmas
(ou do que o patriarcado nos fez achar que queremos).
Qual é o seu argumento?
Vou te contar alguns dos meus para te inspirar:
- Eu posso dizer que tô com cólica numa reunião semanal e ser agraciada com rostinhos de verdadeira empatia
- Tenho alguém com quem comemorar cada meta batida, com palminhas e gritinhos estridentes
- Quando a carga de trabalho aumenta demais, eu sei que posso pedir ajuda
- Posso fofocar sobre os podres do mercado digital e sobre as coisas lindas que ele também tem com quem vive as mesmas coisas que eu
- Consolo uma sereia em um dia horrível e recebo uma msg no discord no outro elogiando uma coisa que eu fiz
Hoje, eu poderia ficar algumas dezenas de minutos listando motivos pelos quais eu AMO ter uma equipe.
Poderia te dizer que é por que trocamos memes, nos falamos a base de gifs ou porque temos esse nível de diálogo aqui:



Mas, o motivo, de verdade, que faz meu coração desejar tanto um time se resume a isso aqui:

Leia isso de novo:
“Se você acredita, eu acredito”
Ter uma equipe para mim (assim como ter fundado uma rede de empresárias)
é sobre CRER no mesmo mundo.
Um mundo onde nossos corpos são nossos.
Nosso dinheiro é nosso.
E nossos sonhos também.
Ter um time para mim é isso, um ato de fé de que a nossa missão na verdade é estarmos juntas.
O resto, a gente descobre no caminho.
Beijos com muita fé,
Mari Fernandes.
OBS:
Se essa carta te empolga e você está no momento de construir TIME, CULTURA, GESTÃO, esse lugar com o meu acompanhamento pode ser no Conselho (que está com lista de espera no momento com possibilidade de abrir uma vaga no fim de junho) ou na Vênus.
Responde esse email falando que essa empresária é você e conversamos sobre isso.
Se essa empresária ainda num é tu, mas você também sabe que quer ter esses elementos (time, cultura, gestão), responde com o nosso símbolo (🌊) para eu saber que te tocou aí também.