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Carta 068

A raba rebolante e o carrinho de recursos etílicos

Sobre descobrir que atribuía seus maiores resultados ao acaso — e a convocação para que você se apossesse dos seus méritos, celebre as suas conquistas e aprenda que repetir o que você nem sabe que fez é impossível.

Nóias da cabeça

Buenas tardes, minhas deusas purpurinadas!

Como a senhorita está nessa sexta?

(Num é uma pergunta retórica, pode responder sempre que eu leio tudo)

Bom, vamos começar com a nossa tradicional atualização dos acontecimentos dessa última semana.

Nas últimas cartas, você acompanhou minha lenta agonia para superar um covidzinho e uma dengue num intervalo de 45 dias (inshalá meus leucócitos trabalharam).

Parece que finalmente essa temporada na enfermaria acabou.

E o responsável por essa belezura tem nome: carnaval.

Sim, ele mesmo.

A primeira coisa que precisamos estabelecer aqui e que, se você ainda não sabe, precisa saber que vocês conhecem uma versão da Mari mentora, empresária, gestora e que é bem provável que não passe na sua cabecinha a minha versão bagaceira, carnvalesca e que rebola o popô com amigas num bloquinho de carnaval com condições sanitárias duvidosas.

Então, já vamos começar daí: meu amor pelo carnaval tem relação com um valor muito enraizado em mim:

CELEBRAÇÃO.

Tudo para mim nessa vida é motivo para a gente celebrar, reconhecer. É como se fosse uma forma de agradecer a louca (e curta) experiência que é estar viva.

Esse valor é tão enraizado em mim que antes mesmo de eu racionalizar (haja terapia) que essa é uma parte essencial de quem eu sou, eu

dei um jeito de enfiar rituais de celebração em tudo quanto é canto da Fluida.

Vou te trazer alguns exemplos para vc tangibilizar o que tô falando:

  • Todo lançamento da Fluida já começava com a data do happy hour de encerramento com a equipe toda. E fazia parte do calendário oficial, assim como as datas dos CPLs, abertura de carrinho…
  • O Empreender Sem Enlouquecer encerrava com uma colação só para a gente comemorar o encerramento da formação. Drinks, musica, premiações… a gente podia só dar um certificado e beijo tchau, mas rolava essa bagaceira toda aí.
  • No diário das mentoradas da Vênus tem essa sessão aqui:

Uma parte inteira só dedicada à vitórias.

Bom, você já entendeu que CELEBRAR faz parte de mim e, por consequência, tá incrustado no DNA da Fluida.

E é sobre esse valor tão importante para mim que vamos conversar

hoje.

Eu achava, na minha cabecinha, que todas a pessoas do universo enxergavam as suas conquistas como eu, que o meu desejo de criar marcos que reconhecessem minhas vitórias e momentos fosse um desejo compartilhado pela humanidade.

Eu demorei para entender porque o meu namorado, desde os primeiros meses de namoro (já tem tipo uma década que estamos juntos), falava para mim que eu era “facilmente impressionável”.

Íamos para um show e eu saia de lá falando “meu deus, amor, foi incrível, maravilhoso, perfeito. não foi?” e ele “é, foi legal”

Íamos a um restaurante, comíamos um brownie e eu soltava sem nem pensar “esse foi o melhor brownie que eu já comi na minha existência”.

E ele lá me olhando com uma cara de semi confusão pensando como é que uma pessoa que já deve ter comido todas as opções de brownie da cidade consegue a cada novo bolinho experimentado dizer que é o “melhor que já comi na vida”

Não é o brownie. Sou eu.

Eu e esse comichão dentro de mim que me faz querer soltar confete e gritinhos agudos com cada coisa “legal” que a existência nesse universo me proporciona.

Descobri que esse bichinho da celebração não mordeu todo mundo

— e, falando assim, é meio óbvio que valores não são universais e que é óbvio que um valor essencial para mim

pode simplesmente ser inexistente na vida de outra pessoa.

Fato é que eu venho aqui no alto da minha arrogância emocional (você já vai atender) tentar convencer você a colocar esse valor no rol de coisas importantes para a ppk na sua vida.

Eu tenho uma ENORME facilidade para celebrar absolutamente todos os momentos da minha vida pessoal.

Comemoro que aprendi uma postura nova no yoga, passo MESES planejando como serão as comemorações do meu aniversário, faço tábuas de petiscos e compro bebidas gostosas para “comemorar” mais uma semana.

Enfim, não é difícil para mim me apossar do meu tempo aqui na Terra.

Mas, apesar de ter enfiado vários rituais de celebração na Fluida, eu descobri (para a minha total surpresa) que

eu não tinha me apossado dos nossos resultados.

Sabe como é que eu descobri isso?

Estava eu na reunião de fechamento do financeiro de 2023, conversando com a minha gerente financeira sobre os resultados do ano e eis que ela chega uma hora e fala assim:

“Ó, Mari, sobrou tantos mil no caixa de lucro liquido de 2023 , eu vou fazer o fechamento contábil disso e aí a gente transfere para a sua conta PF”.

Eu fiquei uns segundos tentando entender que caralhos ela tava falando. Como assim “transferir esse dinheiro para a minha conta”?.

De 2022 para 2023, nós multiplicamos em mais de 6 vezes nossa margem líquida.

Isso significa que fechamos o ano com uns BONS dígitos limpinhos na conta.

Pagamos todo mundo, montamos reserva, investimos um outro tanto e “sobrou” dinheiro.

Estavam lá os dígitos sozinhos, prontos para serem transferidos para a minha conta como distribuição de lucro pelo ano excepcional que fizemos.

Eu buguei.

Fiquei ali tentando entender como que raios aquele dinheiro podia ser meu.

Como assim essa grana toda ai é MINHA?

Não, não… isso é da FLUIDA.

E é mesmo, mas quem raios criou essa porra desse CNPJ?

Quem passou os últimos 6 anos dedicando quantidades desproporcionais de energia e amor para fazer esse troço dar certo?

Quem que fez um lançamento com covid? Precisou recriar uma equipe INTEIRA do zero em menos de 40 dias? Quem recusou DUAS convocações para cargos públicos porque não parecia existir outro caminho que fizesse sentido que não ser dona do meu CNPJ?

EU

Euzinha

E aí, me caiu uma ficha:

Era como se aquele dinheiro fosse “ao acaso”, um desvio temporário do destino.

No fundinho do meu coração, ele ainda temia não saber como repetir esse resultado.

Ouso dizer que ele acreditava que foi um misto de sorte.

Sim, eu. A empresária que há dez anos estuda exaustivamente os efeitos da socialização feminina nas nossa autoestima e liberdade,

tava lá atribuindo meu sucesso a sorte

(sem nem perceber).

Não é algo que se pensa e se fala abertamente. Eu precisei cavucar muito com a minha terapeuta para descobrir que meu coração acreditava nisso de verdade.

Que foi sorte.

Eu encontrei uma sócia foda por sorte do acaso, coincidência.

Construi uma equipe que eu AMO porque fulaninha me conheceu por conta da outra que eu era amiga.

Tenho alunas apaixonadas pela gente porque somos muito parecidas.

Tudo obra do “acaso”, nada obra do ESFORÇO.

Tem uma frase que eu repito exaustivamente para minhas mentoradas: a gente não poder repetir aquilo que não sabe que tem.

E aí me caiu a ficha, eu nunca poderia repetir os resultados de 2023 se não tivesse certeza que aquele resultados eram MEUS.

Por posse e direito.

Eles eram MEUS.

E o que eu fiz? Me obriguei a reconhecer a minha parte do mérito dos resultados da Fluida (agora preciso fazer uma pausa e dizer que PARTE desse resultado é meu porque a outra parte é inteira e merecidamente do meu time que eu sou apaixonada, amo, tenho orgulho e que merece celebrar também).

Defini um valor de bônus anual para mim e decidi que iria gasta-lo só com coisas que eu DESEJO.

Que o ÚNICO motivo para tê-las é porque eu quero.

Sem ser uma coisa útil, uma coisa que eu preciso, algo que “tá fazendo falta”.

Apenas o mais puro suco do capitalismo inserindo desejo em objetos que custam dinheiros.

E que potência essa decisão teve aqui dentro.

Essa sensação de MERECER algo e ter a certeza que aquilo é seu porque VOCÊ fez o que precisa ser feito muda tudo.

Eu tenho dificuldade para expressar em palavras o que é essa sensação.

Vou tentar meu máximo aqui:

É como se tudo tivesse valido a pena.

Como se todos as madrugadas viradas treinando pitch tivessem sido só um peidinho silencioso quase apagado na memório que estava me preparando para essa sensação:

ISSO É MEU!

Eu conquistei essa porra.

Eu tenho algumas dezenas de desejos fervorosos ainda a serem conquistados, não tenho um milhão investido na minha conta PF, nem um prédio sede da Fluida com mesas e cadeira lotadas de mulheres trabalhando por outras mulheres, mas eu senti o gosto do que é ter certeza que ninguém pode te tirar essa sensação de “eu consegui”.

É doce, cremoso, quentinho, intenso…

Eu queria que você pudesse experimentar essa iguaria comigo.

Queria tanto que eu acho que essa vem sendo a minha força motriz na Fluida durante todos esses anos sem que eu nem percebesse.

Eu quero distribuir poções dessa iguaria chamada merecimento em escalas gigantescas para todas a mulheres

do planeta terra.

É tipo

“o melhor brownie que eu já comi na minha vida”.

E não faz sentido comer o melhor brownie da vida se ninguém mais puder comer ele com você.

Eu (ainda) não sou uma milionária que pode se aposentar e ir para uma casa no mato viver de yoga e suco verde.

Tem uma cacetada de trabalho pela frente.

Anos ainda de construção do que vai ser a Fluida.

Muitas e muitas horas na cadeira olhando para planilhas.

Mas, eu entendi porque a gente faz tudo isso.

Minha convocação para você

hoje é:

Tal qual minha raba ama um carnaval para celebrar, nós mulheres também PRECISAMOS aprender a celebrar nossos méritos.

A ritualizar conquistas.

A nos apossar do que é resultado das nossas horas bunda na cadeira.

Talvez por isso o carnaval me encante tanto e me faça TÃO BEM.

Sou eu, celebrando a mim mesma.

Minhas amigas

Minha vida

Meus anos vividos

Para mim e mais ninguém.

Eu não posso terminar a carta de hoje sem te convocar para celebrar também.

Eu vou dar para você a mesma tarefa que dei para a minha mentorada.

Na verdade são duas:

CELEBRAR OS SEUS MÉRITOS.

Qual conquista sua você ainda não celebrou?

Que coisa você não reconheceu ainda que é sua ?

Lembra: não dá para repetir algo que você não sabe que é seu

Então, sua tarefa agora é essa:

Me responder esse e-mail contando algo que vale a pena ser celebrado.

E se você for do time das mais despirocadas como eu, sugiro que você comemore

celebre e poste uma foto bem linda contando para o mundo que aquela conquista é SUA.

E, como aqui na Fluida eu não sugiro aquilo que eu mesma não estaria disposta a fazer, vou compartilhar com você momentos do meu carnaval de pura celebração.

Por ter feito o mês de maior faturamento da Fluida em Janeiro

Por ter saúde para andar, pensar, falar, escrever essa carta

Por ter uma equipe que embarca nos meus sonhos (brigada por isso, Fer)

Por ser tia

Por ter sido de alguma forma indicada pelo universo para construir meu sonho em forma de CNPJ

Por poder dar voz a angústias as vezes tão doídas que você acha que só você tem

Obrigada universo.

E que venham mais carnavais para celebrarmos as delícias de sermos exatamente o que somos.

Detalhes da make cheia de glitter que me rendeu uns 40 minutos no banheiro de casa pós bloquinho, com quantidades de álcool ainda significativas no meu sangue, pingando lantejoula por lantejoula desse olho e lacrimejando em todas elas.

Sócias no carnaval com a Nossa baby Fluida, vivendo seu primeiro carnaval (tem carta sobre o nascimento dela tb, todo mundo chorou com essa carta aqui.

O único close que tenho que mostra um pedaço do top que levei 738 anos para fazer (e não terminei):

E uma reboladinha de raba com as amigas para você lembrar de rebolar a sua também

E para te mostrar que a gestão não descansa nem no carnaval, meu carrinho com todos os recursos necessários para viver um dia de celebração da vida.

Recomendo.

Beijos com restos de purpurina,

Mari Fernandes.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·