Carta 065
Bolinhos de notas verdinhas reluzentes
Por que deixar dinheiro na mesa de propósito é, na verdade, a decisão mais inteligente que você pode tomar para o seu negócio — e o conceito de trade-off que vai liberar a sua mente da ansiedade de querer pegar tudo ao mesmo tempo.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!
Bora para o nosso tão ritual esperado de toda sexta-feira?
Bora!
Vamos começar como sempre trazendo algumas atualizações direto das coxias da Fluida, essa história de mostrar só palco é muito blasê. Vocês fazem parte do que a Fluida é, então quero que acompanhem cada micro passo que a gente der.
Vamos as nossas atualizações de Janeiro:
Como tem sido nos últimos 10 meses de minha vida, parece que vivi uns belíssimos 2 meses dentro desse Janeiro.
E num tô reclamando não.
Num tô mesmo.
Janeiro está sendo um baita mês aqui na Fluida.
Fizemos em Janeiro
20% da meta do ano.
(Tu tem noção disso? Minha ficha de verdade ainda não caiu. Janeiro representa 8% da meta, mas por aqui já chegamos em 20%. Vai sair carta sobre esse sentimento também, aguarde)
Sobre nosso lindo time de sereias (para quem não sabe, nós carinhosamente chamamos de “sereias” a mulherada que trabalha com a gente): estamos com uma sereia nova na área de vendas e com processo seletivo aberto para mais uma na área de sucesso ao cliente.
Tem uma cacetada nova de coisas para resolver: elaboração de contrato novo, com cláusulas novas, processos internos para acomodar um setor novo, onboarding de um cargo que eu nunca treinei. É meio doido, mas é uma doidera boa que me indica amadurecimento. Tô feliz com isso.)
Tem outra novidade: TODAS as vagas do conselho do primeiro semestre esgotaram. (palmas para a gente!!).
Eu AMEI cada negócio que entrou para o Conselho e as novas mentoradas são uma figura (😂 um dia eu posto aqui as palhaçadas que elas me mandam por whatsapp).
Por enquanto as vagas do Conselho estão encerradas e só devemos abrir de novo em Julho.
Até lá meu foco é só para elas.
Como você pode ver Janeiro chegou arregaçando no bom sentido com todos os nossos sonhos e desejos para 2024. E por incrível que pareça, foi um dos meses mais LEVES da história da minha vida como empresária.
Refletimos muito sobre isso aqui na Fluida e chegamos a algumas conclusões.
O que foi responsável por ultrapassarmos nossas metas com toda essa “facilidade” (facilidade entre aspas por que a gente vem construindo nome, método e resultado a muitos bons anos), eu cheguei a conclusão que é
porque decidimos DEIXAR dinheiro na mesa.
Sim, é isso mesmo.
Deixamos vários bolinhos de notas verdinhas reluzentes largados em cima da superfície horizontal que chamamos de mesa.
Vou explicar…
Em Janeiro, rolou a campanha de vendas para a imersão de Planejamento Anual
É um ticket bem menor que o conselho (que é 30k), mas é um ticket que vende em volume e que traz muita gente para a nossa base.
A Mariana de alguns meses atrás (talvez uns 11) iria tentar se dividir entre a campanha da Imersão e as vendas do Conselho.
Eu acharia que tinha que distribuir a minha atenção
igualmente entre esses 2 produtos.
Poderia ter feito uma super campanha de vendas para vender a gravação da Imersão de Planejamento do Ano, poderia ter planejado uma super campanha de vendas para a mulherada que entrou na Imersão, poderia ter aproveitado o frenesi de início de ano para fazer super campanhas dos nossos produtos gravados.
Mas eu não fiz nada disso
— e isso tem tudo a ver com a nossa carta de hoje.
Trouxe esse mesmo tema para as minhas deusas da Vênus na quarta-feira e senti que preciso compartilhar com vocês também porque ele é um antídoto contra ansiedade (tipo Planilhas, como vimos na carta passada).
“Que antídoto é esse, Mariana? Me conta que minha ansiedade já atacou aqui”
O antídoto, maravilhosa, é um conselho anti guru, anti macho sapatênis, anti marketing alfa:
DEIXE DINHEIRO NA MESA.
Tá todo mundo te dizendo que você tá sendo trouxa de deixar dinheiro na mesa.
Mas, eu tô aqui pra te dizer pra você deixar o dinheiro na mesa sim.
Deixe muito dinheiro na mesa.
Deixe todo o dinheiro que você NÃO quer na porra da mesa porque outras pessoas vão pegar e tá tudo bem.
Tá tudo bem porque existe um trem chamado trade-off.
Trade-off significa nada mais nada menos do que fazer uma troca.
Você fez um trade-off quando decidiu ser empresária e não celetista.Você trocou uma certa estabilidade, férias, 13º por mais liberdade.Você fez um trade off quando decidiu juntar as escovas de dentes com outra pessoa em vez de se manter livre, leve e solteira.Você trocou noites de farra por Netflix e sofá.
Quando a gente escolhe uma coisa, automaticamente estamos escolhendo NÃO ter a outra.
O tempo inteiro estamos fazendo trocas, exercendo esse tal de trade-off.
Ter uma coisa é perder outra coisa.
E não tem nada de errado com isso, apenas é o que é.
Muitas escolhas, quiçá as mais importantes, exigem isso.
Uma escolha anula a outra.
São mutuamente excludentes.
Quando eu escolhi atender mulheres, eu escolhi não atender os homens.
Isso fez com que o meu público reduzisse pela metade (pra ser otimista aqui, pois há mais homens empreendendo e investindo em seus negócios).
Quando eu escolhi que não queria viver a insanidade do lançamento, eu escolhi matar o meu produto best seller, o Empreender Sem Enlouquecer.
Quando eu escolhi ter produtos extremamente personalizados e íntimos pra saber o nome, os números, os detalhes das minhas mentoradas, eu escolhi abrir mão da escala que os produtos gravados possibilitam.
O trade-off acontece o tempo inteiro.
Todo o tempo nós estamos fazendo trocas sem necessariamente perceber que estamos fazendo.
E o que eu quero trazer para vocês?
Que quando a gente não faz CONSCIENTEMENTE as nossas próprias escolhas, o mercado induz a gente a não perceber esses trade-offs
e a achar que trade-off não existe.
Tem 14 mil anúncios aparecendo pra você agora que é preciso vender um produto baratinho no perpétuo.
Aí tu vai, acredita, compra essa ideia.
Daí depois vem outros 14 mil assuntos falando que agora é possível vender 6 dígitos por mês vendendo mentoria.
Mas tu não pode ter os dois ao mesmo tempo agora já.
Porque ou tu fica MUITO boa em uma ou tu fica MUITO boa em outra.
NÃO EXISTE ESSA DE SER BOA PARA PPK EM TODAS AS ESTRATÉGIAS E PRODUTOS.
Se livra RÁPIDO dessa ilusão.
Eu sou INFINITAMENTE melhor dando mentoria do que dando aula gravada, ainda que eu ache que minhas aulas gravadas dão BANHO em muito curso mequetrefe por aí.
A vida é muito curta para a gente não ser muito boa naquilo que JÁ É MUITO boa.
O seu faturamento não vai vir 50% de mentorias e 50% de produtos gravados.
Se for assim, com absoluta certeza a senhorita tá vendendo muito menos do que poderia.
Confia na tia que também caiu nesse engodo.
Porque não se fica extremamente boa em funil de perpétuo enquanto tá ficando deusa da conversão por reunião.
O nosso tempo é finito.
É preciso priorizar.
É urgente entender o conceito do trade-off e fazer essas escolhas de maneira consciente,
com todos os seus neurônios em perfeito estado de sanidade mental.
Dá ruim quando a gente tenta pegar todos os dinheiros da mesa.Dá ruim quando a gente tenta fazer o que os concorrentes estão fazendo.Dá ruim quando a gente abre mão das coisas sem nem perceber que estamos abrindo mão.Dá ruim quando a gente não sabe o que é importante pra gente e que não queremos e nem aceitamos fazer diferente.
Mas, sabe o que também dá ruim?
Dá ruim quando o dinheiro que tá sendo largado na mesa é o dinheiro que você QUER pegar e não tá pegando porque se perdeu no meio de tanto dinheiro que poderia pegar.
Eu poderia pegar o dinheiro da gravação da Imersão, do Consultorize, do Empreender Sem Enlouquecer, do Dinheiro Sem Neura.
Mas, eu não tô preocupada com esse dinheiro.
E aqui eu to falando LITERALMENTE.
O dinheiro que eu quero, aquele pelo qual eu quero ser reconhecida é o dinheiro da Vênus, do Conselho…
Porque eu escolhi atender personalizado,
ter produtos intimistas.
Isso quer dizer que nunca na história desse país nós teremos campanhas homéricas para vender produtos gravados?
Não.
Significa que a cada mês, trimestre e ano, o meu FOCO está em um só lugar.
E é o MEU lugar vender pra mulherada que quer profissionalizar, que quer ser empresária de verdade, que quer estratégia, que quer visão de longo prazo, que quer personalização, que quer proximidade.
Nesse lugar, esse dinheiro é meu e eu não deixo na mesa.
Nesse lugar, eu tenho que ser a melhor.
Nesse lugar, eu não posso poupar recursos da minha empresa ser a melhor competidora do meu mercado.
E, com isso, eu tenho que aceitar que no mercado de volume, de ter mil pessoas entrando num produto num dia, nesse mercado aí eu vou perder de lavada, vou passar vergonha se eu quiser competir nesse lugar.
Ter isso em mente vai fazer com que os seus esforços e os seus neurônios consigam dormir em paz.
Escolha qual é o dinheiro que você quer, em qual formato, em qual estratégia de vendas, de qual jeito.
E fique muito boa nisso.
Só nisso.
No resto, passe vergonha.
Abraços (hoje escolhi mandar abraços em vez de beijos),
Mari Fernandes.