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Carta 063

Fiz merda

Sobre aquela decisão que você tomou e que ficou ruminando por semanas — e como aprender a separar o que é humildade saudável do que é ignorar o seu próprio instinto.

Nóias da cabeça

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!

Como você está na segunda sexta-feira de 2024? De fio dental, sem calcinha ou de calcinha sem costura?

(Se você num entendeu nada dessa introdução é porque você perdeu a revolta do fio dental que rolou ontem nos stories. O papo parece uma conversa de comadres, mas é um assunto sério que fala muito sobre a sociedade patriarcal, deixei o papo salvo nos destaques pra você ver aqui)

Pra além dessa conversa nos stories, a nossa carta de hoje também surgiu em uma conversa,

só que dessa vez foi uma conversa interna que tivemos aqui na Fluida.

Pois muito que bem, a gente está passando para uma série de mudanças — e acho que a gente nunca vai parar de falar isso, tem uns 2 anos que eu falo das mudanças que estamos vivendo. Parece doidice, mas já me acostumei que o mercado que a gente trabalha é um mercado muito ágil e com mudanças constantes mesmo e bora que vamos.

Estávamos eu e Fer (sereia aqui da firma) conversando sobre um processo interno que estamos implementando na Fluida:

Contei pra ela sobre uma parada que fiz que não me orgulhei nadinha.

Dessas que a Mariana do futuro ia puxar a orelha da Mariana do passado, sabe?

Fer cantou a bola que isso seria uma conversa massa para a gente ter aqui na carta de sexta e cá estou eu pra abrir essa conversa com vocês hoje.

Às vezes, quando vamos fazer algo novo na nossa empresa, na hora que a gente está fazendo, aparece uma pulguinha atrás da nossa orelha.

Um incômodo.

Quase como se fosse um sussurro.

Tipo você do futuro puxando a orelha de você no presente.

“É desse jeito mesmo que você quer fazer?”

Já aconteceu com você?

Isso acontece principalmente quando a gente está fazendo as coisas pela primeira vez, onde estamos aprendendo uma estratégia de uma outra pessoa, uma metodologia de uma outra pessoa e a gente nunca fez ou a gente faz de um jeito diferente na empresa, aí aparece essa pulguinha atrás da orelha:

“Será que eu estou sendo resistente às orientações das pessoas que sabem mais do que ou eu deveria continuar fazendo como sempre fiz?”Será que esse jeito dessa pessoa super funciona para muitas pessoas, mas talvez não funcione para a minha empresa?”

Essa pulga veio me incomodar há algumas várias semanas.

A pulga em questão me veio durante um dos processos seletivos que estão abertos na Fluida.

Eu queria fazer de um determinado jeito, mas calcei as sandálias (não o salto — outra referência aos stories de ontem) da humildade e fui e seguir as orientações técnicas de quem tem muito mais experiência do que eu.

99% do que eu aprendi com essa pessoa foi MUITO útil, mas esse 1% estava me incomodando.

E tu imagina qual foi o resultado?

Até hoje eu me sinto culpada por uma das coisas que eu fiz

nesse processo seletivo que eu não queria ter feito.

Contei pra Fer no dia 7 de dezembro, logo depois que fiz, e até hoje tô carregando um sentimento de culpa.

Porque eu agi de um jeito que eu acho que é incoerente com os meus próprios valores.

E isso é uma coisa que me magoa, me incomoda, que me traz culpa, remorso.

Resumidamente é algo que não me faz me orgulhar de mim mesma.

Acho que a gente tem as coisas neutras, as coisas das quais temos vergonha de ter feito e aquelas das quais nos orgulhamos.

E nesse caso eu queria ter feito algo que me orgulhasse (mesmo quando a imensa maioria das empresas enxerga essa ação como uma ação neutra).

Em vários momentos da nossa trajetória como empresária, da sua trajetória como empresária, a gente vai precisar escolher um desses dois caminhos:

Como EU quero fazer vs. Como uma pessoa mais experiente do que eu está me orientando a fazer

Os dois caminhos podem estar certos, eu já errei e acertei diversas vezes indo por um e indo por outro.

Especificamente nesse último episódio, o fatídico dia 7 de dezembro, eu sinto que eu errei.

Não porque errei tecnicamente, tecnicamente eu estava corretíssima, inclusive muito bem embasada em livros e um punhado de artigos.

Mas, ainda que tecnicamente eu estivesse certa, emocionalmente aquela ação para mim era errada.

E qual que é o aprendizado aqui que vim compartilhar porque é útil pra ppk pra senhorita:

SEJA HUMILDE, MAS NÃO HUMILDE DEMAIS A PONTO DE IGNORAR OS SEUS INSTINTOS

Quando você se deparar com essa encruzilhada de “faço o que quero ou faço do jeito que estão me orientando”, tenha critérios para tomar essa decisão

de forma mais assertiva e confortável para você.

Mas, ó, presta atenção aqui num trem relevante.

Se o assunto é de um conhecimento puramente técnico, eu acho que sempre vale testar e ver os resultados.

Por exemplo, existe uma estratégia de lançamento em que você faz duas lives ao invés de cinco, essa é uma questão técnica que você pode fazer sem prejuízo moral e comparar os resultados.

É um número, matemática simples que vai te dizer se 2 lives é melhor do que 5 lives.

Para todas as coisas que podemos testar e trazer resultados numéricos, é fácil saber se você tem que decidir pelo caminho 1 ou pelo caminho 2.

Na pior das hipóteses, você testa e volta a fazer do jeito que você fazia.

Agora, existe todo um outro conjunto de decisões que os resultados não são números.

Decisões que, muitas vezes, podem gerar resultados muito mais importantes do que simplesmente um número:

As decisões que impactam a forma como você se sente com você mesma.

Uma decisão que faz a gente se orgulhar menos de quem nós somos, NÃO É UMA BOA DECISÃO — ainda que ela seja uma decisão que vá trazer melhores números para você.

Leia de novo.

Quando uma decisão fizer você ter esse sentimento de culpa.

(E aqui e eu não estou falando a culpa católica que a sociedade incute nas mulheres da gente se sentir mal por exigir o básico)

Aquela culpa de se sentir mal por achar que as suas ações podem prejudicar ou impactar emocionalmente alguém, ela NÃO É UMA BOA DECISÃO.

A decisão do dia 7 de dezembro, eu errei. Ela fez com que eu não tivesse orgulho de mim naquele momento e foi por isso que eu falei pra Fer:

Tem o que o mercado faz.

E tem o que A GENTE faz.

Esse erro eu não vou mais cometer, a lição foi aprendida.

Sim, todo mundo do planeta vai fazer coisas que não se orgulha, uma hora ou outra, de novo e de novo, mudando só de contexto.

Não tô falando que você vai, sei lá, chutar um cachorro abandonado na rua, né, pelo o amor das deusas, não é esse tipo de coisa),

são as pequenas decisões

que pra gente, pra nós mulheres principalmente, que somos muito auto-exigentes com a nossa régua de coerência, são decisões que a gente fica dias, semanas, meses ruminando e se arrependendo de ter agido daquela forma.

Na hora que você se deparar com essa encruzilhada decisória se pergunte

isso ajuda ou prejudica as pessoas?

Isso faz bem para as pessoas ou isso vai fazer mal para alguém de algum jeito?

E não tô falando aqui pra você ser aquela menina boazinha que abre mão de tudo que é importante pra você, apenas pra que as outras pessoas não fiquem chateadas.

Eu tô falando pra você usar o seu filtro, o seu critério de gerar coisas boas no mundo como um indicador dos caminhos que vão ser mais coerentes pra você e que, portanto, esses caminhos vão vão fazer você se orgulhar das decisões que você tomou no passado.

Nem sempre vamos nos orgulhar do que fizemos, mas a gente pode aprender a sintonizar o nosso radar de decisões,

a forma como a gente toma cada uma delas.

Com certeza existem coisas que você fez e sente vergonha, sente culpa, você nem contou para ninguém porque você nem reconhece essa pessoa do passado que tomou essas decisões, né?

Pois, saiba que você não está sozinha. Eu também tenho decisões, comportamentos e coisas que eu me envergonho de ter tomado ou feito.

Faz parte, a gente só precisa aprender a separar aquilo que é evolução e aprendizado pra fazer diferent

e na próxima oportunidade.

Ontem eu fiz diferente do que fiz no dia 7 de dezembro.

A Mari do futuro já se orgulha da Mari de ontem.

Beijos sem culpa,

Mari Fernandes.

OBS: Por falar em jeito que outra pessoa faz e jeito que você faz, esse final de semana temos a Imersão de Planejamento do Ano.

Eu vou ensinar o jeito que a gente faz aqui na Fluida, como nós planejamos o nosso ano e que fez a gente dobrar de faturamento de 2022 pra 2023 com a metade do time.

Lá a gente vai guiar você pra fazer o seu planejamento nos moldes que fazemos aqui, mas do SEU JEITO, abarcando o que é importante pra VOCÊ.

Tem gente que vai querer faturar mais pra comprar uma casa, tem gente que é pra ajudar a família, tem gente que é pra aposentar mais cedo. Tem gente que quer ter time, tem gente que não quer. Tem gente que quer trabalhar final de semana, tem gente que quer trabalhar 4 dias na semana.

O elemento mais importante do nosso planejamento é o “fator você”.

Imagino que até aqui a senhorita tenha me conhecido o suficiente pra saber se quer ser guiada por mim pra planejar o seu 2024.

Hoje é o último dia para você se inscrever e conseguir participar ao vivo.

A Imersão é sábado e domingo das 09h às 13h e das 14h às 17h.

Se tu quiser vir, corre pra pegar o bonde clicando aqui.

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