Carta 062
Exige ovários
Uma carta de orgulho e reconhecimento para quem bancou a decisão de ser empresária — porque construir um negócio ético no Brasil, sendo mulher, exige muito ovário mesmo.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!
CHEGOU 2024!
Passou meu covid, passou o nosso recesso e começamos oficialmente 2024 aqui na Fluida.
Estamos agora no processo seletivo para a mulherada que vai ocupar as vagas doConselho e semana que vem tem imersão de planejamento anual. O ano começou começando por aqui.
E por aí, como estamos?
Espero que a senhorita esteja com planos grandiosos por aí também e com 🔥 no 🆒 para executá-los.
Pois muito que bem.
Estamos na 1ª das 52 cartas que teremos em 2024.
E nessa primeira carta do ano quero trazer para vocês uma reflexão que a gente ouve muito falar no nosso mercado
(mas, que na minha visão, a gente olha para ela pelo ângulo errado).
É sobre a tal da comparação.
Muito se ouve por aí para não nos compararmos.
A gente ouve muitas pessoas falando coisas do tipo
“Não compare o seu bastidor com o palco das outras pessoas”
“Não compare 15 segundos que você vê no stories de alguém com as suas 24h”
Fazer essa comparação o tempo todo pode te fazer acreditar que é só o seu negócio que tem problemas, que você tá indo devagar demais, que o seu negócio está crescendo a passos muito lentos, que seu faturamento está inferior etc.
E é desafiador lidar com esses sentimentos
de olhar para uma pessoa ou para uma empresa ou para um objetivo que você sente que tem a capacidade de conquistar, mas que ainda não conquistou.
Você olha para uma parada que pode ser a sua realidade, mas tu ainda não tá nessa realidade.
Pobre coitado do nosso ego.
É bem aí que começa um monte de questionamento.
Por que pra mim ainda não deu certo isso?
O que eu tô fazendo de errado?
Por que que eu ainda não explorei esse potencial que sei que tenho ou que me dizem que tenho?
Se você não é a Shakira, esses pensamentos certamente já passaram na sua cabeça, mesmo que de relance.
E aí eu quero trazer algumas reflexões sobre isso.
Eu sei que racionalmente você já sabe que não é pra se comparar, que não é pra olhar para as suas “concorrentes” ou pras outras pessoas do mercado e ver o que elas estão fazendo, como o negócio está funcionando e se comparando negativamente.
Só que não é dessa comparação tão óbvia que eu quero falar hoje, mas sim uma que é muito sorrateira e até mesmo vezes invisível, mas ela é muito danosa:
A comparação com pessoas que NÃO empreendem, que NÃO tem seus próprios negócios, que NÃO são empresárias.
Talvez a sua amiga funcionária pública ou que tenha um trabalho CLT, no final do ano ficou apenasmente aproveitando rabanadas e tomando bons drinks nas confraternizações de fim de ano enquanto você talvez nem recesso teve, ficou presa em revisão do ano, em planejamento, em outras das 500 atividades que uma empresária tem pra fazer antes do ano acabar.
A vida do tal funcionário público pode ser especialmente irritante para nós empresárias nos momentos que labaredas invadem nosso CNPJ.
Sim, porque é quando o troço pega fogo que começamos a questionar as nossas decisões.
Você focada em dobrar o faturamento do ano e calculando ROI de funil enquanto a abençoada da sua amiga concursada preocupada em fazer amigo oculto no trabalho.
Ranço, raivinha, ego de novo.
Quando o faturamento cai, o mercado muda… essa vida concursada tão desprovida de riscos, com tanta estabilidade em abundância começa a ficar tão apetitosa.
Por alguns milésimos de segundos, a gente deseja todos os efeitos colaterais de não ser nossa própria chefe.
Um vale refeição? Cairia bem.
Férias remuneradas? Quero.
Licença para interesses particulares? O que danado é isso “interesse particulares? A licença para interesses particulares da empresária é usar o tempo de almoço para ir ao dentista (ria comigo dessa tragicomédia).
Sair de férias e tacar o foda-se para o trabalho, porque o seu trabalho vai estar lá exatamente como ele é quando ela voltar, quando você voltar. Ter certeza que o seu salário vai cair na conta do mesmo jeito todo quinto dia útil do mês. Ter plano de saúde, cartão alimentação, 13º… enfim.
Às vezes, intimamente, a gente deseja isso, deseja esses benefícios.
Mas, o que eu quero trazer de perspectiva é o seguinte…
Ter estabilidade é gostoso, ter tranquilidade é maravilhoso.
Mas, será que a gente seria feliz nesse estilo de trabalho?
Será que esses benefícios não vem com um pacote que é um pacote que a gente não quer?
Outros elementos que a gente não quer?
Essa estabilidade toda é o caminho que a gente quer?
Pode ser que você já tenha tido experiências anteriores e decidido que não é.
Pode ser que efetivamente ser dona do seu próprio negócio é o seu caminho.
Fato é que ser dona de um CNPJ tem algumas nuances amargas.
Sempre precisar evoluir
Nunca ter certeza do futuro
Sentir que somos as únicas responsáveis pelo troço da certo
São sabores amargos.
Mas, é esse mesmo ingrediente que às vezes traz notas adocicadas, açucaradas, energizantes que tanto desejamos um dia.
Resumo da ópera:
Bancar a decisão de construir uma empresa sendo uma mulher no Brasil, uma empresa que vende de forma ética, justa, que remunera as pessoas de forma adequada é para poucas.
Bancar não mentir para vender é uma decisão que exige muito ovário.
É provável que você sinta isso também: pouquíssimas pessoas ao seu redor conseguem compreender o quanto de ovário exige você trabalhar com o que trabalha.
As pessoas não conseguem acessar essa complexidade e essa série de sacrifícios que a gente faz.
Então, queria primeiro que você soubesse que eu tenho um orgulho, um orgulho cabuloso, fortíssimo da ppk de você.
De vocês que bancam as decisões de serem empresárias.
Não é fácil.
E eu sei o que custa pra gente.
Então, queria te dizer que me orgulho de você que decidiu ser empresária.
(E tá tudo bem também se você escolher não ser mais e decidir ir para qualquer outro caminho, você não é fraca ou incapaz ou menos competente por conta disso. Nada disso definiria o seu valor)
Outra coisa que eu quero trazer pra você nessa primeira carta do ano é um desejo.
Desejo que você consiga celebrar e saborear todos os benefícios que vem no pacote de ser empresária.
Isso exige um certo esforço coletivo para que a gente consiga fazer isso.
Às vezes acabam passando batido os benefícios que a gente tem, tipo trabalhar de pijama passa a ser algo que a gente sequer percebe que 90% do país não tem essa possibilidade.
Poder trabalhar com gente de qualquer lugar, escolher clientes, dizer não para vários clientes, escolher horários de trabalho, escolher quando tira férias, escolher como aumentar pró-labore.
Tudo isso são presentes, são privilégios muito significativos para a gente que escolheu empreender.
Que esse ano a gente se lembre recorrentemente de aproveitar esses pacotinhos de benefícios, essas notas açucaradas e adocicadas nos momentos que o prato parecer amargo demais.
Que em 2024 a gente continue bancando a decisão de bancar as próprias decisões sejam elas qual forem.
Continuar com seu CNPJ, fechar o CNPJ, casar, descasar, separar, engravidar, adotar, tirar um ano sabático…
que a gente continue bancando a decisão de bancar as nossaspróprias decisões.
Que em 2024 a gente tenha mais um ano juntas, independente dos caminhos que você decidir.
Beijos renovados,
Mari Fernandes.
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