Carta 056
Feminista
A Fluida só atende mulheres feministas? Uma pergunta simples para uma resposta que vai te fazer repensar por que tantas de nós esperamos uma carteirinha de autorização para nos definirmos como o que já somos.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA.
Como a senhorita está na última sexta-feira de novembro?
Parece que começa outubro, você pisca e já está comprando rabanadas para o Natal.
Começarei hoje com um breve resumo de acontecimentos aqui dos nossos bastidores. Percebi que
tem um monte de coisa massa que rola nos bastidores vocês nem ficam sabendo:
- Concluímos novembro com as escassas vagas do Conselho Estratégico devidamente preenchidas por empresárias maravideusas
- Estamos fechando as as últimas vagas na Vênus antes do reajuste de preço de 2024
- Batemos o martelo que vai rolar imersão de planejamento do Ano para nossas alunas (sim, meu amô, fique com esse spoiler saiba em primeira mão que teremos imersão de planejamento do ano tal qual tivemos para 2023!).
- Já começamos o balanço do nosso 2023 para planejar o que faremos em 2024
Bom, essas foram as minhas novidades.
Agora, bora pra nossa carta.
Esses dias eu tive tava conversando no direct com uma seguidora e recebi uma pergunta que até recebo com uma certa frequência e que percebo que não é um assunto que nunca abri publicamente.
Então, hoje eu quero falar sobre essa pergunta e sobre essa resposta.
A tal pergunta é mais ou menos assim, são variações dessa pergunta seja de forma mais implícita ou de forma mais explícita:
“Mari, a Fluida só atende mulheres feministas?”
Várias mulheres que não são tão próximas do feminismo já me perguntaram algo como isso.
Uma pergunta simples para uma resposta complexa.
Quem tem a necessidade de dividir, de separar e de categorizar mulheres em classes ou em grupos não é o feminismo.
É uma coisa chamada patriarcado.
E a gente tá tão imersa nessa porra que automaticamente fazemos isso nas nossas cabeças.
Chega a ser um tanto irônico que um movimento que nasceu justamente pra quebrar essas caixinhas, essas categorias, essa classificação das mulheres em classes tenha sido usado para reforçar essas divisões.
Mulheres feministas.
Mulheres não-feministas.
E, o pior, mulheres anti-feministas (isso aqui é um caso a parte que vamos precisar de uma pós graduação para discutir depois)
Para além da classificação feminista, temos também:
A mulher que é pra casar.
A mulher que nasceu pra ser mãe.
A mulher que vai ficar pra titia.
A mulher que trabalha.
A mulher que não trabalha.
A mulher que cozinha.
A sociedade patriarcal categoriza as mulheres em classes, em ordens, quase como se a gente estivesse fazendo um leilão.
“Temos aqui uma bela vaca leiteira que faz 200 litros de leite por semana e do outro lado uma galinha depenada que não põe nenhum ovo”,
sabe assim?
E aí a gente rifa, a gente leiloa, temos um valor diferente dependendo da categoria da classe na qual na qual estamos.
Mas, o que isso tem a ver com o trabalho da Fluida?
Ninguém pode te dar uma “carteirinha de feminista”.
Não existe uma entidade certificadora que distribui certidão de “feminista autorizada a praticar feminismo”.
Não tem selo, não tem fiscal e nem mensalidade.
Assim como não tem uma carteirinha de “empresária”.
Olha que curioso: a imensa maioria das mulheres demora ANOS para falar em voz alta “sou empresária”.
Até chegar esse dia elas se apresentam como “empreendedoras” ou então dizem “eu tenho uma loja de sei lá o que”, “eu vendo tal coisa”.
É raríssimo ouvir um sonoro “eu sou EMPRESÁRIA” sem esboçar o menor medo de ser “arrogante”.
O cara abre um boteco de esquina e fala que é empresário, a mulher tem uma escola digital com sei lá quantas alunas e se chama de empreendedora.
Percebem o mecanismo?
Com o “ser feminista” é a mesma coisa.
Nós não nos sentimos autorizadas a nos AUTO DEFINIR.
Aprendemos que é alguém de fora que diz O QUE somos.
Só que não existe entidade certificadora, nós ficamos ali esperando alguém pendurar um crachá no nosso pescoço.
E sabe qual é o problema disso?
Ninguém pode ficar boa em um papel que não acha que tem.
Não podemos ser excelentes empresárias se não achamos que SOMOS de fato.
E o mesmo mecanismo se repete com o “título” de feminista.
“Não sou feminista, logo não vou levantar esse tema numa roda de amigos ""Não sou feminista, então não vou me meter muito quando aparecer esse assunto para não falar besteira""Não sou feminista, então não vou procurar livros feministas”
Basicamente fizemos as mulheres VOLUNTARIAMENTE evitarem falar de feminismo porque não sabem “o suficiente”.
E quem é que vai saber?
Os homens?!
Esse é um
EXCELENTE mecanismo para manter a gente longe daquilo que nos LIBERTA
.
De deixar a gente bem incompetente em exigir o que é nosso.
O mundo não quer mulheres que sabem que não tem tudo que poderiam.
Muitas mulheres que nos acompanham não se auto intitulam “feministas”.
E eu acho isso muito curioso, quase um retrato do mundo sendo exibido na minha frente.
Leem as nossas cartas, amam os posts, fofocam horrores com a gente no direct, recomendam a Fluida para todas as amigas.
Mas, não se vêm como feministas.
90% do nosso conteúdo é só feminismo aplicado ao contexto do CNPJ.
E continua sendo feminismo.
Agora voltamos a pergunta que gerou essa carta:
“A Fluida só trabalha com empresárias feministas?”
Não.
Por um motivo muito simples: a maior parte das feministas ainda não sabem que o são.
Na minha percepção, eu tenho duas missões como fundadora de uma escola Feminista de negócios.
A primeira é capacitar feministas para serem empresárias FUDEROSAS
Quanto mais dinheiro fazemos, mais poder de transformação temos. E eu quero que tenhamos feministas definindo os rumos do mundo.
Quer um exemplo disso? Um exemplo concreto para mim, como contei em alguma outra carta e tem nos destaques do Instagram, é o fato da gente ter sido convidada para participar da elaboração da política nacional de fomento ao empreendedorismo feminino.
Só pudemos botar o feminismo dentro de uma mesa de decisões nacionais porque temos uma EMPRESA que fala sobre isso.
Se eu fosse “só” uma pessoa física aí na vida, que não tivesse um negócio, não tivesse curso, não fizesse palestra, não postasse, não tivesse uma empresa, talvez não estivéssemos lá.
Isso para mim é poder.
Ter uma empresa te dá poder
nesse quesito.
E é esse tipo de poder que eu quero usar. Eu quero juntar empresárias para a gente usar esse nosso poder para influenciar as coisas para que elas sejam melhores para a gente.
Já a segunda missão é:
Pegar essa cambada gigantesca de mulheres que hoje não se identificam como feministas, que talvez nunca vão se identificar, que nunca vão se auto rotular dessa forma, mas fazer essas mulheres aplicarem princípios feministas nas vidas delas.
Porque eu sei que esses princípios vão fazer elas serem mais livres, de fato, mais felizes, de fato.
Não trabalho só com empresárias feministas. Mas, todas as empresárias feministas que existem neste planeta Terra deveriam estar aqui na Fluida.
Se você é uma dessas mulheres:
BEM-VINDA!

Beijos feministas,
Mari Fernandes.