Carta 052
Aqui jaz uma marketeira
Um ano de cartas ininterruptas e uma confissão: eu sempre me senti destoante no mercado digital porque meu coração é de gestora, não de marketeira. Uma declaração sobre o que eu realmente quero fazer pelo seu negócio.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA.
Hoje é dia de FESTA na Fluida
Chegamos, enfim, à carta 52.
Que número lindão esse, hein?
Significa que tem 52 semanas sem falhar que todas as sextas-feiras eu paro pra escrever uma carta pra vocês, pra gente conversar, pra gente estar aqui.
52 semanas é um ano inteiro.

A carta de hoje é uma comemoração e uma confissão.
Comecemos:
Na vida da empresária acontece tanto troço na velocidade da luz que até ontem eu não tava lembrando que essa seria a carta 52.
Num espaço de 7 dias, atendi a mulherada do Conselho, pari e facilitei o Laboratório de Implementação, planejei e desplanejei a Black Friday, iniciei a contratação de mais 2 sereias para a equipe da Fluida (e não cometi nenhum crime no caminho).

Essa carta está sendo escrita na quinta (às sextas fico com o meu sobrinho e costumo escrever a carta na quinta à noite mesmo ou quando tenho mais tempo sexta de manhã) e por coincidência ou não do universo,
hoje eu tive uma revelação que acho que tá batendo na minha porta há muitos meses e eu ainda não tinha conseguido verbalizar de forma clara
— apesar dela tá pulsando aqui dentro de mim.
Quando eu comecei a empreender, há mais de uma década, eu achava que empreender era ter liberdade, era poder tomar suas próprias decisões, ser criativa, fazer tudo que você quer e não precisar dar satisfação para ninguém.
Obviamente eu não tinha a menor noção de onde tava me metendo (e imagino que quando você começou foi igualzinho).
Como muitas de vocês, eu tinha uma visão completamente utópica e açucarada da vida de uma empresária (dá até vontade de rir da minha ingenuidade).
Empreender para mim era poder seguir o meu propósito
, poder fazer no mundo as coisas que eu queria com o pretexto que se desse dinheiro, tinha dado certo.
E nesse processo fui me apaixonando por isso que hoje a gente chama CNPJ.
Quando comecei lá atrás com o meu primeiro negócio, o Boas Notas que era uma escola de aulas particulares, eu treinava, selecionava e recrutava professores para que eles dessem aulas particulares para os nossos alunos.
Eu nunca tinha ouvido falar sobre o que era um processo seletivo e como fazê-lo.
Sabia nem se era de comer ou de passar no cabelo.
Pensei em todos os processos seletivos que eu já tinha passado:
“Sempre me pediram currículo nos processos que eu fiz, então vou pedir também""Ah, tem aquela parte das entrevistas, então vou entrevistar os candidatos”
Assim eu fui aprendendo a fazer enquanto eu fazia.
Eu amava fazer o processo seletivo, sentar, conversar com aquelas pessoas, selecionar currículo, entender quem elas eram. Eu gostava disso.
Depois, o dinheiro começou a entrar e aí eu comecei a pensar
“Onde eu coloco esse dinheiro?""Eita, meu Deus, tem que pagar os professores. Como é que eu vou saber quantas horas cada professor deu de aula?”
E se o professor não foi na aula, como é que eu pago ele? Meu Deus, o professor chegou atrasado. Será que eu desconto essa hora? E se precisar remarcar?
E para resolver tudo isso eu precisei aprender a criar planilhas.
Também tinha que acompanhar os alunos, o que eles estavam estudando, acompanhar as datas das provas, os materiais que os pais me mandavam para mandar para os professores. Eu tinha que organizar tudo isso e aí eu aprendi a amar processos e gestão de documentos.
O Boas Notas me pedia para aprender um negócio, eu aprendia e falava “caramba esse negócio aqui é massa” e passava a gostar de aprender mais sobre cada elemento.
Aqui cabe um disclaimer, nessa época a rede social era o ORKUT (🤣) e estávamos começando a usar o facebook.
Marketing digital nunca tinha nem ouvido falar.
A gente fazia “marketing” entregando panfleto na porta de escola. Inclusive imprimi tantos que até hoje tenho uma caixa lotada deles num canto aqui em casa.
Corta para alguns anos mais tardes, fundei a Fluida e rapidamente conheci esse mundo dos negócios digitais que hoje a gente fala que é o “mundo digital”.
Nesse mundo digital, eu, de alguma forma, sempre me senti destoante em algum aspecto
, ajustava um pedacinho, desajustava outro, encontrava alguém que tinha um conhecimento foda, mas descobria que os valores eram meio tortos…. e assim fui caminhando.
E uma das coisas que sempre me deixou encucada era o quanto as pessoas torciam o nariz para algumas coisas que eu amava muito, que me despertavam muito interesse.
Na verdade, não é nem que elas torciam o nariz, era a completa ausência de conversa, era o silêncio sobre coisas temas que eu achava essenciais aprender para ter uma empresa.
Eu ficava pensando se talvez não fosse eu que estivesse querendo colocar o carro na frente dos bois.
Se não era eu que tava doida para aprender gestão, pessoas, processos, mas tinha mesmo que me preocupar com conteúdo e tráfego.
Eu conheci o mercado digital pelo tema “lançamento.” Aprendi sobre tráfego, criativos, conteúdo, CPL, PPL, PL, live, grupos do WhatsApp, página de captura, página de vendas e toda a sopa de letrinhas que acompanha esse universo.
E tudo isso é muito legal.
Mas, nunca foi tão legal quanto pensar em faturamento, margem de lucro, equipe, processos, rituais de equipe, cultura…
Eu me vi buscando neste mercado digital uma coisa que eu acho que talvez eu não vá encontrar aqui.
Que é essa paixão que eu tenho sobre tudo que acontece da porta da empresa pra dentro.
O mercado do marketing digital no Brasil fala muito sobre o que acontece da porta da empresa pra fora.
Como a gente se relaciona com as nossas leads, como que a gente se posiciona, a roupa que a gente veste, o tom de voz, a nossa comunicação, a frequência com que a gente aparece nos stories, a interação que a gente faz com as pessoas no direct.
Mas, se fala muito pouco sobre a porta da empresa pra dentro.
E como eu AMO olhar a empresa da porta para dentro.
A inocente Mariana que investiu em seus primeiros cursos e mentorias desse marcado achava que estava aprendendo sobre negócios digitais.
Mas, na verdade, as fontes das quais eu estava bebendo estavam falando sobre marketing digital e não sobre negócios digitais.
É legal saber sobre ppl, leads, criativo, conteúdo e tals.
Só que o que faz meu coração bater mais forte são palavras como organograma, cargo, processo seletivo, métricas, indicadores, planejamento estratégico, plano de negócio.
Eu amo ler biografia de empresários.
Vejo tudo quanto é documentário sobre histórias de empresas.
Na livraria eu me delicio vendo o organograma da empresa X.
Toda vez que entro num restaurante eu já começo a calcular quanto deve ser o ticket médio e quanto eles devem faturar por dia, baseado em quantas pessoas tem sentadas no salão.
É assim que meu cérebro funciona.
E eu amo que ele seja exatamente assim.
Talvez você também tenha algum tema que você estuda por prazer, que ronda sua cabeça toda hora, que te causa espanto e empolgação.
Eu tenho uma curiosidade desgraçada, absurda, insaciável sobre entender como as empresas funcionam, como é a comunicação lá dentro, como que as pessoas fazem pra manter um time feliz, com saúde mental e que dá lucro.
E, durante algum tempo, eu procurei achar pessoas que pudessem me guiar nesse universo da gestão, que gostassem de falar disso tanto quanto eu gosto e que quisessem me contar esses elementos sobre as suas empresas.
Mas, eu não encontrei eco aqui nesse mercado (até hoje). Ainda não encontrei a bolha que é tão aficcionada em gestão quanto eu. Talvez ela exista, eu só não encontrei ainda.
A carta de hoje é uma comemoração ao nosso primeiro ano de cartas ininterrupto.
Mas é também um marco para mim
(que eu espero que seja para você também).
A grande verdade é que desde que eu comecei nesse mercado eu venho sem perceber tentando ser uma excelente marketeira.
Eu aprendo com marketeiros, crio estratégias marketeiras, penso em funis de marketing.
Mas, hoje eu preciso dizer para você: eu não sou uma marketeira.
Eu acho foda para caramba criar estratégias de marketing do zero. De pegar um conceito e transformar isso em uma narrativa. Adoro fazer minhas longas sequências de stories.
O marketing é para mim a engrenagem criativa, cheia de glitter, reluzente.
Mas, a gestão, ahhh a gestão.
É ela que faz essas pecinhas girarem. Ela decide onde cada uma vai, em que velocidade vão girar e traça um objetivo claro para todas essas engrenagens chegarem juntas.
O troço lindo é essa tal de gestão. Quantos milagres essa danada opera diariamente nas empresas que eu mentoro.
É isso que eu amo fazer.
Eu sempre digo que as cartas são sobre você, mas hoje essa carta vai ser sobre mim.
A carta de hoje é para que eu possa declarar para mim mesma que eu posso ser uma boa marketeira mas meu coração mesmo é de GESTORA
E é isso que eu quero fazer. Na sua empresa e na minha.
Eu quero que você saiba usar o marketing para fazer seus milhares de reais, mas desejo mesmo que você saiba como fazer esses milhares de dinheiros te sustentarem por décadas.
Eu quero que você se expresse nos seus stories e conte narrativas lindas nos seus posts, mas desejo mesmo que você tenha uma equipe alinhada que te permita tirar férias.
Eu quero que você continue interagindo com a sua audiência e criando funis de vendas, mas desejo mesmo que você tenha um plano para poder se aposentar de tudo isso quando for a sua vontade.
É essa a minha missão com a gestão.
E por essa missão ser tão cara para mim eu vou te contar talvez um dos meus maiores medos:
Lá vai…
Eu morro de medo de inflar tanto o marketing da Fluida
a ponto dele ser algo muito maior do que de fato eu sou internamente e do que a Fluida é.
Eu morro de medo de criarmos uma embalagem tão reluzente, que o interior dela pareça xoxô.
Meu maior medo é parecer muito mais do que eu sou de verdade.
Eu quero SER.
Eu quero que o nosso marketing seja foda, porque internamente nós somos foda.
Eu quero que eu traga conteúdos que parecem incríveis para você, porque a gente faz coisas incríveis aqui dentro.
Eu quero te trazer sacadas que cutucam o seu coração, não porque eu sei como cutucar gatilhos emocionais em você, mas porque eu vivi essas dores e resolvi elas dentro da Fluida.
Eu quero que a gente seja real.
A partir de hoje, eu declaro pra você que eu tô mais preocupada em fazer você e o seu negócio serem da ppk do que simplesmente parecerem que são.
A minha missão é fazer você ser tão foda que fica impossível alguém achar que você não é.
O marketing diz “não basta foda tem que parecer foda”.
Eu digo: não dá para parecer foda sem ser foda.
Hoje jaz uma marqueteira e nasce uma gestora.
Espero que por aí também.
Beijos sem muito glamour e com bastante planilhas,
Mari Fernandes