Carta 046
Neurônios em paz
Uma cliente queria entrar na mentoria, mas o diagnóstico mostrou que não era o que ela precisava. Mari indicou um produto 10x mais barato. Uma carta sobre ter uma estratégia baseada em valores — e como isso compensa.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA
Como a senhorita está nesse meio de setembro?
Por aqui, tô com o sono em dia porque tô indo dormir com a consciência tranquila.
E ir dormir com os neurônios em paz com eles mesmos é uma sensação da ppk.
É sobre isso que nós vamos conversar hoje.
Essa semana aconteceu uma situação na Fluida que deixou os meus neurônios agitados.
Sabe quando a gente fica analisando se tomamos a decisão correta?
Pois muito que bem.
Só que aqui na empresa a gente tem um mantra que facilita 500% qualquer situação que venha acontecer,
e esse mantra é:
“Como eu vendo importa muito mais do que quanto eu vendo”
O que pesa mais pra mim não é quanto dinheiro a gente faz, e sim COMO a gente faz esse dinheiro.
Vou colocar prints aqui para ilustrar essa situação na prática pra senhorita:

Perceba que ela falou “eu estava doida pra passar o cartão pra você”.
Essa cliente estava 500% alinhada com a Fluida, tem um problema que eu posso resolver e queria saber se um programa de mentoria era para ela.
Mas, o contexto é que recentemente ela investiu alguns milhares de reais em outro produto (de outra empresa) que não era o que ela precisava.
Ela investiu alto (mesmo) e não teve o problema resolvido, não porque ela não se esforçou nem nada disso, mas porque venderam para ela a solução errada.
Depois de fazer o diagnóstico da empresa eu identifiquei que por mais que ela quisesse estar em uma mentoria comigo, não era isso que ela precisava.
Eu indiquei para ela o que talvez 99% dos gurus diriam que é loucura:
Eu orientei ela a fazer um programa gravado e mais de 10 vezes mais barato do que nossas mentorias.
O ponto é: era exatamente esse produto que resolvia o problema dela. Por que diachos eu ia enfiar uma cliente numa mentoria sendo que não é o que ela precisa?
Por que eu vou fazer alguém fazer um investimento alto em algo que não é a solução para o problema dela?
O COMO é mais importante do que o QUANTO.
Eu poderia ter vendido um programa de 3k, 7k, 15k, 20k para ela.
Poderia dizer que acompanhamento, direcionamento e orientação estratégicas custam caro (e custam mesmo).
Mas, preferi vender o que ela precisa, ainda que seja um produto de 697 e não de 20 mil.
Eu tenho pânico, pavor, desespero, coçeira
só de pensar em botar a cabeça no travesseiro e passar pela minha cabeça
“Será que eu fiz certo?”
Nananinanão.
Eu escolho sempre deitar no meu travesseiro SABENDO que eu fiz o que era melhor para a minha cliente. E se eu fizer o que é melhor para ela eu sempre estarei fazendo o que é melhor para a Fluida (salvo em raríssimas exceções de lead desalinhado).
O tema VENDAS tá tão in voga hoje no mercado que às vezes pode causar uma cegueira de valores
na gente.
Tem uma onda no mercado de pessoas implementando social seller, time comercial, closer, SDR.
Só que a gente aprende sobre vendas com gurus pavão macho sapatênis.
A gente aprende a contornar objeção, quebrar objeção, fechar venda a qualquer custo, botar todo mundo pra dentro, aumentar a taxa de conversão.
Tá quase normal um ser humano pegar um empréstimo ou vender o próprio carro para entrar em mentorias escaláveis que custam caro (e entregam pouco, mas isso é papo para outro email rs).
Só que essa porra de “colocar todo mundo pra dentro” tem um custo e é um custo que eu não estou disposta a pagar.
Botar todo mundo para dentro e vender do jeito como o mercado vende tem um preço que eu não pago.
Um desses preços que eu não pago é o de induzir a minha cliente em potencial a tomar uma decisão que pode prejudicá-la.
Eu não pago o de colocar a pessoa num produto que não resolve o problema que ela tem.
Não pago o de mentir pra minha lead durante o processo de vendas.
Não pago o de criar uma escassez que não existe.
Aqui na Fluida a gente não vende assim.
E não é assim que a gente vai vender.
O dinheiro que entra aqui na Fluida importa muito mais COMO ele veio do que QUANTO ele veio.
E isso, meu amô, é uma estratégia baseada em valores.
Ter uma estratégia baseada em valores num é tão simples de bancar não, mas ela gera um resultado INQUESTIONÁVEL no longo prazo.
No curto prazo, é claro, ela pode gerar menos dinheiros no faturamento da empresa.
E esse é um dos preços que eu tô sim disposta a pagar.
Porque, como repeti incansavelmente ao longo dessa carta, o COMO importa mais do que o QUANTO.
No longo prazo, por outro lado, ela gera não só mais dinheiros como mais admiração pela empresa.
Num é à toa que recebo mensagens assim:



(“Vênus é inegociável no nosso orçamento familiar”, você tem noção do que é isso?! PQP!)
Então, maravilhosa, eu vim te mostrar que é possível ter uma estratégia baseada em valores.
Eu num sei o que agita os seus neurônios, mas te digo que é possível ter uma empresa que banca a vida que você quer sem criar uma guerra com eles.
O mercado o tempo todo vai estar te dizendo o contrário.
Mas, ó, num me entenda mal.
Eu não estou dizendo que não é para você vender.
É pra você vender pra ppk.
Aqui a gente vende, a gente vende com força.
Eu não escondo a venda e eu vendo todas as oportunidades que faz sentido vender.
Eu só nunca vendo para quem não precisa do que eu faço ou para quem não deve comprar o que eu faço. Nunca.
E você também pode vender pra ppk sendo fiel aos seus valores, sentindo que é ética, justa, verdadeira e com relações transparentes e honestas (com os seus clientes, com o seu time e com as suas parcerias).
Compensa.
Compensa pra caralho tomar decisões alinhadas com os seus valores.
Ainda que no curto prazo você fature menos do que poderia, no longo prazo você vai faturar mais e com a consciência tranquila.
Beijos dos meus neurônios que tão em paz com eles mesmos,
Mari Fernandes