Carta 044
Amnésia da confiança
A história de Joaquina: ela voltou de férias com o caixa no beleléu e se sentiu fracassada. Em menos de 30 dias, faturou 50 mil reais. O que a fez esquecer que ela já sabia fazer isso — e como ela lembrou.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA.
Nossa carta número 44 caiu bem no primeiro dia do ultimo quadrimestre do ano.
Não corra para as colinas ainda — ou, como tem uma frase que eu gosto diz,
“don’t panic, organize”
A carta de hoje é um mix entre um pouco de droga e um pouco de salada
(se você não conhece esse meme, google it).
Vai ter um tico de temas relevantes para o negócio e um tico de história inspiradora.
Porque, afinal, é sexta feira né minha gente, a PF já deu seu melhor a semana inteira.
O último quadrimestre é um tico mais “acelerado”, passa mais rápido. Dá novembro e as organizações para as confraternizações de fim de ano começam e aí a gente só vai voltar a vida normal sem uva passa lá em janeiro (ou depois do carnaval).
É de bom tom
abrir sua listinha de projetos (me diz que você tem uma) e listar 2 ou 3 projetos inegociáveis para rolar esse ano antes do show da virada
(alguém assiste isso?).
Todo o resto, fica para o próximo ano.
Então, usemos um tico de parcimônia e vamos nos desesperar com calma.
Agora, bora para o tema da carta de hoje
Hoje o chá é doce e aveludado,
prometo.
Vou começar contando um causo…
O causo de uma mentorada que nós vamos chamar de Joaquina.
Conheça a história de Joaquina:
Joaquina entrou na Vênus tem uns 6 meses, nesse tempo Joaquina fez alguns feitos: o primeiro deles foi parar de cobrar 997 numa mentoria para passar a cobrar 6 mil.
Ela comemorou horrores esse crescimento e outro muito importante foi MONTAR CAIXA para o negócio.
Como a margem de Joaquina era muito apertada (porque ela tava vendendo para a persona errada), a empresa faturava bem mas lucrava quase nada.
Bom, eis que a vida de Joaquina começa a melhorar, a empresa tem caixa, ela pode respirar, pensar as estratégias com calma porque se tudo der merda Joaquina tem dinheiro em caixa para pagar as contas do mês seguinte.
Joaquina se empolgou, marcou uma viagem com a família, ficou quase um mês afastada do negócio e digamos que gastou mais do que o prudente.
Joaquina volta de viagem com a empresa em uma situação preocupante, o caixa foi para o beleléu, o faturamento caiu uma vez que ela deu uma leve abandonada nas estratégias de vendas e a culpa recaiu sobre Joaquina.
Joaquina me chega no Hotseat desolada, no fundo do poço, se sentindo a mosca do cocô do cavalo do bandido.
Uma onda de culpa e vergonha assola Joaquina por ter jogado no ralo o trabalho de meses para botar a empresa nos trilhos e conquistar o famoso caixa.
Deguste por uns segundos o drama de Joaquina.
Degustou?
Pois então… amargo.
O que você faria no meu lugar como mentora de Joaquina?
Desistiria de vez da pobre criatura? Soltaria os cachorros na abençoada? Faria algum discurso moralizante sobre como ela foi irresponsável de torrar os dinheiros da empresa?
Eu não fiz nada disso, mas o que a gente fez juntas naquele HotSeat acabou desembocando nesse acontecimento
aqui:

Em menos de 30 dias Joaquina virou o jogo. Não só faturou 50 mil fucking reais como pagou todas as contas e ainda guardou dinheiros
para o mês seguinte.
Ou seja: Joaquina saiu do
“socorro deus minha empresa faliu”
para
“paguei esse mês e 24 dias do próximo”.
5 dias antes do mês acabar, Joaquina tinha ULTRAPASSADO a meta que no começo do mês ela tinha certeza absoluta que era inalcançável.
Mas, o que será que Joaquina fez?
O que aconteceu naquele fatídico HotSeat para que Joaquina renascesse das cinzas tal qual uma fênix?
(Sim, eu vou usar essa analogia breguíssima por falta de coisa melhor)
O que rolou com Joaquina tem relação com a
Amnésia da Confiança.
Esse é um termo totalmente não científico que eu mesma cunhei para explicar de forma didática coisas estranhamente corriqueiras que rolam na cabeça das empresárias.
Amnésia da Confiança
é um fenômeno interno que faz a gente esquecer que já foi capaz de resolver no passado um problema parecido com o que estamos enfrentando no presente.
É como se apagássemos da nossa memória nossas habilidades e tudo que aprendemos com os cuzes ralados que já tivemos.
(Eu sei que o plural de cool não é esse, mas acho cuzes mais sonoro)
Joaquinha tinha CERTEZA que a empresa tava mortinha na horizontal.
CERTEZA.
Mas, em menos de um mês a empresa não só estava vivinha da silva como bateu recorde de faturamento.
Joaquina fez isso não porque ela tem uma mentora maravilhosa (o que ela certamente tem), mas porque junto dessa mentora ela medicou a Amnésia da Confiança.
Joaquina passou anos construindo sua empresa, conquistou audiência, caixa, equipe, mentoradas.
Mas, bastou uma escorregada para a Joaquina ESQUECER COMPLETAMENTE que tudo que a empresa conquistou foi por causa dela.
Ela ESQUECEU que se ela tem um custo mensal de muitos mil fucking dinheiros para pagar todo mês é porque a empresa dela fatura MAIS que isso.
Ela esqueceu que o faturamento da empresa subia mês a mês antes dela ficar quase um mês sem trabalhar.
Ela também apagou da memória o fato de que alguns anos atrás ela nem produto tinha.
Olha que curioso, um pequeno lapso de tempo fez Joaquina esquecer que ela JÁ TINHA as habilidades para retomar o crescimento
da empresa dela. Afinal, era EXATAMENTE O QUE ELA JÁ ESTAVA fazendo antes do mês do apocalipse.
Ela esqueceu que dava para confiar nela mesma.
Ah, essa danada dessa amnésia!
Essa bendita enfermidade também nos acomete na hora que definimos metas para a empresa.
Quer um exemplo?
Talvez algum mês você já tenha planejado vender 5k e “acabou” vendendo 7k.
Ou planejou 1k e vendeu 5k.
Planejar um número e dobrar, triplicar esse número parece incrível, né?
Sim.
E não.
A danada da amnésia talvez esteja te impedindo de enxergar
um trem:
Olha só… se você planeja bater a meta X e no fim do mês você fez o DOBRO da meta, minha mente inquieta vem aqui te perguntar:
O que teria acontecido se você tivesse planejado esse 2x em primeiro lugar?
Provavelmente você bateria esses 2x.
Sim.
É isso mesmo.
O que eu quero te mostrar aqui?
A gente esquece com tanta facilidade dos enormes abacaxis que já fomos capazes de descascar que acabamos nos auto impondo metas pouco ambiciosas,
números pouco extravagantes.
A amnésia vem acompanhada de medo.
Por que a gente faz isso?
Porque “subconfiamos” nas nossas capacidades.
Fomos criadas, ensinadas, doutrinadas que querer esses trem enormes e megalomaníacos é AMBIÇÃO.
E ter ambição é ser tipo a Nazaré Tedesco que cobiça os bens dos outros
(nesse caso o bem é um bebê, mas deu para entender).
Ser ambiciosa é uma palavra negativa.
“Nossa, você tá muito ambiciosa”
“Fulana é muito ambiciosa”
Como se ser ambiciosa fosse uma coisa ruim.
Nessas falas você consegue ver a pessoa torcendo o nariz e revirando os olhos pra falar.
O que está sendo dito nas entrelinhas é que mulheres ambiciosas vão fazer qualquer coisa por dinheiro.
São traiçoeiras, vilãs de novelas mexicanas que em geral usam batom vermelho e ostentam bolsas caras e sapatos de salto fino e revestimento em verniz.
Isso é a imagem que nos ensinam de mulher ambiciosa.
Só que.. o que isso faz?
Essa demonização da ambição
faz a gente humildemente dizer com orgulho coisas como
“eu não preciso de muito dinheiro, pagando as minhas contas tá bom”.
Você não precisa, é verdade. Mas, você pode querer.
É verdade que no Brasil de 2023 pagar direitinho suas contas já é feito não acessível a todos, mas considerando nossa privilegiada parcela empreendedora você não PRECISA de muito dinheiro.
Mas, você pode QUERER né?
Abre aí sua planilha de metas.
Qual é o número que aparece como meta de faturamento para setembro?
Esse é um número desafiador ou é um bem confortável
que te deixa absurdamente segura que você não vai precisar usar nem um tico da sua ambição para conquistar?
O que aconteceria com seu negócio se você achasse de verdade que pudesse chegar no dobro dessa meta?
Não uma questão de merecer ou de não merecer.
E sim sobre eu quero ou eu não quero.
Você quer X ou você quer 2X?
Lembre-se:
errado é colocar o arroz por cima do feijão, ser ambiciosa tá autorizado.
2 vezes mais beijos,
Mari.