Carta 034
Tufinhos de queratina são um problema
Ser empresária é ter liberdade — mas isso não significa que o trabalho desaparece quando você decide tirar férias. Uma reflexão honesta sobre o que a liberdade de empreender realmente significa.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!
(Imagina que esse e-mail chegou na sexta às 17h)
Como tá sendo a semana da senhorita?
Por aqui a semana foi repleta de vendas, gravações, reuniões, entregas de consultoria e…
Preparação para as minhas férias.
E aí, meu amô, eu te pergunto:
QUEM É QUE INVENTOU ESSA VIDA DE SER EMPRESÁRIA?!
Me fala quem foi essa doida para eu bater um papo com essa senhora.
Disseram pra gente que ser empresária é ter liberdade geográfica, liberdade de tempo, liberdade financeira, liberdade de decisão, liberdade de valores.
Contam uma belíssima história de que empreender é escolher com quem você vai trabalhar, o que você vai fazer, se você trabalha na segunda, se você trabalha no sábado.
Venderam pra gente
essa história toda de liberdade.
Mas, cá entre nós, esse e-mail foi ideado em plena quinta-feira às 10h30 da manhã dentro do carro porque amanhã vou sair de férias.
Quando eu assinei esse contrato de ser empresária, me prometeram que eu ia ter liberdade e eu poderia tirar férias quando eu quisesse, né?
Só que quando a gente é empresária, essa história de tirar férias não é colocar uma mochila nas costas e desbravar o mundo.
A realidade é que meu vôo sai amanhã (hoje, sexta, no caso), às quatro horas da manhã, eu tenho uma mala semi-feita que foi sendo preparada nos intervalos ao longo da semana.
Pensa na cena: uma mala no chão e eu passando dia após dia na frente dela tacando coisas que lembrava.
Tô saindo de férias, mas eu tô levando computador, webcam, microfone, suporte de celular — ou seja, os meus aparatos de trabalho.
(Eu supostamente deveria sair de férias e não pensar em trabalho, mas na semana que tinha passagem em horários menos esdrúxulos para eu ir… já tinham certos compromissos de vida de empresária que me fazem sair de férias com essa parafernalha toda)
Afinal, essa semana eu tenho mentoria da Vênus e eu não vou deixar de atender as minhas mentoradas (quem ama suas mentoradas vai entender isso). A minha equipe vai ficar cuidando da Fluida enquanto eu vou estar na praia, porém eu tenho que produzir coisas para que minha equipe também possa produzir.
Na prática, isso significa que eu tenho uns 6 vídeos e uns 50 stories pra fazer durante a viagem e uns 3 orçamentos para mandar antes de viajar.
Por que eu tô te contando isso? O que isso tem a ver com o seu negócio?
O que isso tem a ver com você?
Bom, você pode ficar olhando pro caos e pra sobrecarga que é o seu negócio e pensar
“Minhas deusas do céu, me prometeram um monte de liberdade, eu devo estar fazendo isso errado”
E não, você não está fazendo isso errado.
Porque, sim, a gente pode escolher quando a gente vai viajar. Sim, a gente pode escolher quando a gente vai tirar férias.
Mas, isso não significa
que o fato da gente escolher quando a gente vai tirar férias significa que o trabalho a ser feito e que tem que ser feito, não vai precisar ser feito simplesmente porque você escolheu que agora você vai tirar férias.
(Num parece meio óbvio falando?)
Então, se você acha que tem uma coisa muito cagada aí no seu negócio, que pqp você faz tudo errado, talvez você deveria parar e analisar.
Você tá trabalhando, tá fazendo as coisas que eu tenho que fazer, tá pagando seus impostos, tá atendendo seus clientes?
Tá todo mundo fazendo isso.
E se parece que a vida das outras empresárias, a liberdade que as outras empresárias conquistaram, é muito maior do que a sua é simplesmente porque quando a gente tá nos momentos de liberdade, a gente não consegue parar e gravar esses movimentos de liberdade, esses momentos de liberdade.
É isso que você acaba vendo.
O famigerado palco e não bastidor.
Quando a gente está no furacão de todas as outras coisas que a empresa exige da gente, não dá para parar para fazer stories. Então simplesmente você acha que esses momentos não existem.
Eles existem.
Eles existem porque isso aqui não é mundo cor-de-rosa da barbie.
Isso aqui é vida real.
No último ano, eu atendi individualmente mais de 55 empresárias. Só no último ano. Ou seja, no último ano, individualmente, sem contar as minhas mentoradas em grupo, sem contar as minhas alunas, sem contar as alunas do Consultorize, sem contar palestras, sem contar aulas que eu dei, individualmente eu atendi mais de 55 negócios diferentes. E eu vejo esta mesma realidade em todos esses 55 negócios.
Na semana que vem eu estarei meio férias, meio trabalho, não sei ainda como é que vai ser, eu tô me organizando mentalmente para que eu consiga separar o que vai ser trabalho, o que vai ser de férias.
Diferente do que uma galera do digital gosta de falar “eu não sei quando tô trabalhando ou quando ela tô me divertindo”, eu não gosto de fazer as coisas tudo junto.
Eu gosto de ter dias onde eu estou focada no meu trabalho e outros dias que eu estou tocada no foda-se.
Dito isso, como vai ser minha próxima semana?
Eu não sei.
Eu sei que, sim, o meu negócio me permite comprar uma passagem, escolher que eu vou viajar no dia X sem eu ter que comunicar, pedir, arranjar nada com ninguém, mas eu também sei que esse poder de viajar na semana que vem no meio do nada significa que as minhas responsabilidades vão precisar ser alocadas em outros tempos.
Como vão ser esses dias?
Não sei ainda.
Eu sei que eu queria compartilhar com você esse furacão que é ganhar liberdade.
Liberdade não vem de bandeja.
A gente precisa mexer um monte de pauzinho, um monte de coisa pra conseguir depois fazer os stories deitada na beira da praia tomando uma caipirinha, sacou?
Então, o que der vontade, o que eu tiver tempo, o que eu tiver espaço, eu vou compartilhar.
Mas não vou prometer que eu vou compartilhar nada.
Não quero ter esse tipo de relação com vocês, de ter uma dívida, de ter que mostrar o que tá acontecendo. Eu tô preocupada em descansar e emergir nas coisas que eu me propus a fazer, encontrar as minhas alunas, encontrar outras mulheres maravilhosas, e quando eu voltar, o que for útil, o que for relevante, eu compartilho com vocês.
É isso.
OBS: Tô preparando esse email na quinta-feira, tenho que gravar 73 milhares de coisas, fazer minha mala, preparar os looks e DEPILAR. Porque no meio desse turbilhão de coisas, ainda tenho que me preocupar com os tufinhos de queratina que saem naturalmente da minha pele — porque, aparentemente, eles são um problema irremediável para a sociedade.
Beijos agora sem tufinhos,
Mari Fernandes