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Carta 033

Luto, arco-íris e a nova ppk do harém

A Fla, co-fundadora da Fluida, vai ser mãe. E só agora percebi que o que eu estava sentindo não era saudade — era luto. Um luto colorido, cheio de amor.

Mulheres

BUENOS DIAS, MARAVILHOSA!

A carta de hoje tem um tema que parece sombrio, mas não é.

Você vai entender…

Nos últimos meses eu tenho vivido, sem perceber, um luto.

Inclusive, só me dei conta dele alguns minutos antes de escrever essa carta para você.

Até ontem, meus planos para a carta dessa sexta, a carta número 33, eram outros.

Eu queria falar sobre o liquidificador interno que a gente vive sendo uma mulher e uma empresária, foi até com essa reflexão que comecei a sessão da Vênus essa semana.

O plano era entranhar nas profundezas da gente mesma e de todos os espinhos, sutilezas, afagos, amargos e doces que essa jornada de empreender tem pra gente degustar.

Mas, hoje de manhã, antes de começar a trabalhar, recebi uma ligação de uma amiga que tem pavor de ligação.

Ela tem calafrios quando alguém quer falar com ela ligando.

“Que coisa mais século passado”, diz ela.

Ela diz que ama gente, mas odeia gentes.

Só que hoje ela decidiu revisitar o século passado e me ligar.

O universo sabe mexer seus pauzinhos.

Essa amiga é a Flávia.

Fla, para as DinoFluidas, para as que já fizeram o Empreender sem Enlouquecer.

Eu vou precisar te apresentar a Fla aqui porque se você é novata na Fluida, talvez você não saiba nem da existência dela, e aí você num vai entender poha nenhuma da carta de hoje.

Vamos lá…

À ela cabia o papel de fazer parte da minha banca avaliadora.

A gente tinha que criar um produto durante o curso e apresentar para a banca, como num tcc.

E lá tava ela.

Dentre alguns feedbacks de descrença de que alguém pagaria mais de mil dinheiros para aprender comigo como botar ordem na sua própria vida, a Fla acreditou.

Feedback fofinho o dela.

Fui falar com ela no final da banca, daí acabei oferecendo para ela ser minha cobaia na consultoria de produtividade para empreendedores que eu tinha apresentado na tal da banca.

Fla topou.

A gente fazia nossas sessões em cafés, eu num tinha sala nem nada. E a Fla ia.

O trabalho me levou a conhecer profundamente desejos, sonhos, medos, falhas e a história daquela belíssima criatura loira que eu nunca tinha visto na vida.

Não demorou para a gente inventar um trem juntas, esse trem pelo qual você hoje talvez tenha me conhecido: sim, a FLUIDA

Fla fundou a Fluida comigo.

Hoje ela é nossa conselheira estratégica, não faz parte da operação, não parece no Instagram e é provável que você nunca nem tivesse imaginado que a Fluida nasceu a quatro mãos.

A Fluida não foi uma gravidez solo.

Bom, agora que você conhece a Fla, continuemos.

Num dia qualquer desses (leia-se meses atrás), recebi um video ambíguo editado num app desses de celular que parecia me dizer que Flávia estava grávida.

Eu tive mini surtos, piripaques e liguei para a danada: sim, ela tava grávida.

Nada tinha mudado na minha cabeça até alguns meses depois encontrar a Flá e o seu bucho pessoalmente.

Um belo bucho que denunciava estridentemente que nada seria como antes.

E, dentro dele uma mini Fluida, sim o bucho da Fla fabricou mais uma ppk para o harém das Fluidas.

Na última semana, mandei mensagem para ela dizendo que tava com saudade.

E só agora me cai a ficha que num era saudade — era luto.

Um luto colorido, cheiroso, macio que nem coberta de inverno.

O luto de saber que minha sócia, minha amiga, a que me convenceu que eu podia ser CEO (em outra carta posso contar isso para vocês) ia ser mãe.

Eu já tive outras amigas muito próximas que engravidaram e se tornaram mães, mas isso nunca tinha me impactado tanto quanto a gravidez da Fla.

Além de ter me tornado tia (e visto a revolução que é uma criança), acho que um motivo forte para isso é que a gravidez da Fla talvez seja a primeira gravidez próxima que eu consigo acompanhar (porque finalmente estamos fora da caverna da pandemia) na qual eu entendo o que vem a ser esse tsunami chamado maternidade.

Não porque eu SEI o que é SER mãe, mas porque eu fui testemunha ocular bem próxima de algumas boas dezenas de tsunamis que arrebataram e embalaram minhas alunas, mentoradas, clientes… minhas Fluidas.

Hoje eu entendi que eu tô de luto pela mulher que a Fla nunca mais vai ser.

Pela amiga que ela nunca mais vai ser.

Pela sócia e conselheira que eu nunca mais vou ter.

Eu digo luto na falta de uma palavra melhor que expresse a magnitude de ter consciência das mudanças que virão na vida dela e, egoisticamente, na minha.

Hoje, lavando a louça do café enquanto pensava que esse ia ser o assunto do email de hoje, tive um lampejo do que tantas e tantas vezes ouvi e li das minhas alunas descreverem.

“Eu tô de luto por mim, pela mulher que eu nunca mais vou ser”

“Não encontrei ainda a mulher que eu era antes de ser mãe”

e todas as variações dessas frases que a gente vê as mulheres mães falando e não consegue acessar o que elas significam internamente.

Acho que hoje eu tive uma degustação de uma micro tacinha (aquelas pequenas que distribuem vinho na igreja sabe? Bem pequena) do que é esse sentimento.

E aí pensando com os meus botões, quis trazer isso aqui para a gente conversar juntas.

Eu sempre falo sobre o poder da rede, sobre a força de estar entre mulheres, sobre a necessidade fisiológica que nossas células tem de se embriagar de outras células XX.

E acho que, muitas vezes, essa fala chega no racional de vocês, chega no cérebro da senhorita e você entende.

Mas, hoje eu queria que ela chegasse no coração.

Na artéria.

Na veia cava.

A nossa vida é profundamente impactada pela nossas AMIGAS.

Talvez elas sejam como outros pedaços de nós andando por aí que a gente tem que estar junto para se sentir inteira.

E quando elas mudam, a gente muda junto.

Em umas, a mudança gera estranhamento e aquela pecinha já não se encaixa mais com você.

Em outras, a vontade de ficar junta é tão forte que você tá disposta a mudar junto para continuar se encaixando uma na outra.

O amor entre amigAs é um trem a ser estudado pela ciência.

Como não sou cientista, me limito a descrever como esse fenômeno me racha o peito.

E a escrever 789 linhas numa carta digital para te lembrar delas.

As suas.

A carta de hoje é dois em um:

Primeiro é uma reverência, um memorial, uma questão de reparação histórica: que todas as Novas Fluidas saibam que eu não construi a Fluida sozinha.

E que se não fosse a Fla falar “você É a CEO da Fluida” quando nos duas ainda dividíamos todas as responsabilidades 50/50, a Mari empresária que vocês conhecem talvez não existisse como hoje.

O segundo é um lembrete, um aviso, um grito ou uma convocação:

Para você lembrar, ainda que silenciosamente, o poder arrebatador dessa força da natureza chamada amizade entre mulheres.

Ia ser dois em um, mas eu acabei de pensar em mais um ponto. Então, serão três.

O terceiro é para as Fluidas mães: eu não bebi, mas senti o cheiro desse luto de você mesma. Saiba que eu vejo você.

A minha sócia conselheira vai sair de cena da Fluida nos próximos 15 dias.

A Fla nunca mais vai ser a mulher que ela era.

Eu nunca mais vou ter a Fla que eu tinha.

E QUE DELÍCIA!

OBRIGADA UNIVERSO

por me botar no camarote para ver isso.

Como diz a Fla “se eu vim para essa terra é para ter a experiência completa”

Eu não sei qual é a Fla que nos espera.

Mas, eu sei que se precisar, eu me ajusto para a gente continuar sócia desse empreendimento chamado amor de amiga.

Fla: te amo

Bia: Vem que você tem um harém (grande) de tias esperando por mais uma PPK nessa rede

A vocês que leem essa carta: AMÉM suas amigas

Ao meu luto arco-íris: obrigada por me fazer entender o sentido da frase.

“Saudade do que ainda não vivemos”

OBS 1:

Fiquem com esse registro do dia que o barrigão me gritou que a Flavia que eu conhecia já não existiria mais.

OBS 2:

Pode mandar sua mensagem de amor a mãe da nova ppk da família, eu vou compilar tudo e entregar para a Fla com o único objetivo de fazer ela chorar de amores pelo amor que tanta mulher tem por ela.

Beijos de luto colorido,

Mari Fernandes

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·