Carta 029
2 gotinhas de natureza e gelo, por favor
Eu puxei a corda demais no trabalho e esqueci o meu remédio. Uma reflexão sobre o que nos recarrega de verdade — e por que 2 gotinhas de natureza valem mais do que qualquer suplemento.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA.
Como foi a sua semana?
Aqui, eu puxei a corda.
Eu estou bem ausente do insta nessas últimas semanas — tem muito conteúdo em video rolando no feed que já estavam gravados, mas nos stories num estou aparecendo tanto em vídeo.
Adivinha por quê?
Porque eu puxei demais a corda no mês passado.
E eu sou a rainha de falar que você é o ativo mais importante do seu negócio.
Provavelmente a senhorita já me ouviu falando isso milhares de vezes.
Mas eu, de algum jeito, me esqueci disso no mês passado e puxei a corda além do limite.
Sempre me proponho a trazer nas nossas cartas semanais o mundo real.
Nu e cru.
Em forma de chá de realidade.
Em março, a gente inventou de lançar um produto novo, o Consultorize. Mas, na verdade, ele não é um produto, são três. O Consultorize tem o Consultorize, o Conversas Lucrativas e o Box de Ferramentas.
Logo na sequência, fizemos um lançamento da Vênus.
E no meio disso tudo as coisas não param — tem atendimento das sessões da Luz, tem mentorada no Conselho Estratégico, tem uma parceria com outra infoprodutora grande, tem convite para Comitê do Empreendedorismo Feminino no Ministério do Desenvolvimento Econômico (inclusive teremos novidades disso também).
Enquanto todas essas coisas estão rolando, eu fui flexibilizando uma coisa besta, essencial, ridícula de se fazer que eu esqueci que era remédio para mim:
NATUREZA
Dede que eu me conheço por gente, tenho uma conexão fora do normal com a natureza (num precisa ser uma selva amazônica não — um gramado no meio da cidade, um céu azul e uma terra para botar o pé já tá cumprindo esse papel de me reenergizar).
Me lembro que na pandemia depois de meses e meses trancafiada, por opção e privilégio, eu tive coragem de sair de casa com meu boy.
Fomos para um campo de futebol aqui perto de casa ver o pôr do Sol.
Eu lembro com detalhes cinematográficos desse dia.
Eu desci do carro, tirei as havaianas e botei os pés na grama.
Algumas pessoas não vão entender isso, mas eu tive uma vontade enorme de chorar.
Sabe quando sobe o trem na garganta e as lágrimas vão empurrando a portinha do olho sem você querer?
Então, foi isso.
Eu necessito de natureza.
Necessito.
E nos últimos 2 meses, fui flexibilizando esse remédio.
Afinal, eu já cuido de mim de 98 milhares de formas.
Tomo 2 litros de água, como salada, tomo minhas vitaminas e suplementos, treino regularmente, tomo vitamina D, uso protetor solar todo dia.
Tudo isso é cuidar de mim. Mas, nada disso para MIM é remédio.
Eu fui deixando de ir para a natureza, de ficar algumas horas fazendo nada na piscina só olhando para o céu.
Como se isso pudesse ser deixado de lado para mim porque é simples demais, pequeno demais.
E o que eu quero te trazer aqui com essa história toda é o seguinte:
Nós temos remédios essenciais na vida.
Só que nem todo mundo entende que sua academia ou a sua hora largada no sofá ou seja lá o que for talvez seja o seu remédio.
Cada uma tem o seu e a gente precisa separar o que é lazer daquilo que é remédio.
Lazer pra mim é ir para um show com as minhas amigas e me estrupiar de dançar até ficar sem voz.
Remédio pra mim é botar o pé na grama de manhã.
Lazer é ir almoçar no restaurante vegano que eu amo com o boy.
Remédio é ver o céu azul todos os dias.
Ter uma empresa que você não tem a menor ideia se vai faturar o que tá nas metas está entre as coisas mais difíceis que eu ja fiz na vida.
Emocionalmente falando, você precisa todos os dias lidar com emoções opostas em questões de segundos.
O corpo tá feliz de trabalhar de pijama, de poder almoçar em casa e de não precisar pegar trânsito pra ir ao trabalho.
Mas, a alma é testada ao extremo todo dia.
Acho que isso dá um bug na nossa cabeça, a gente olha para a nossa rotina, compara com os dos amigos que tem que bater ponto, chefe chato, assédio no trabalho, trânsito, estacionamento e a gente fala “minha rotina é perfeita”.
Mas, a gente esquece que aquele amigo tem 13º, que se tudo der muito ruim ele recebe a rescisão, que ele tem INSS pago — e, se for concursado, dá ate para tirar atestado, tirar férias e não ver o seu salário diminuir na conta.
Não ter tudo isso gera muita carga EMOCIONAL.
Pode chamar isso de alma, espírito, mente, eu num sei o nome exato disso. Mas, esse treco intangível que mora dentro da gente é colocado a exaustão diariamente.
Ele precisa de respiro, precisa de remédio.
Só que a gente aprendeu que “respiro” é descanso, é não fazer nada, é ficar parada.
E eu aprendi (com minha mentorada deusa da Vênus, a Nat Carvalho) que descanso é diferente de inatividade.
E que nesse momento eu não precisava de descanso, eu precisava preencher minha alma do remédio que deixei ela sem nos últimos dois meses.
Pepeka que pariu, que bom que eu fiz isso!
Aproveitei que era meu aniversário na quarta e pensei uma programação bem egoística, para fazer só o que é o meu remédio.
Vou contar um tico desse dia para você
Acordei às 6hs da manhã, (sim, se você é dinofluida sabe que depois da pandemia eu passei a acordar bem mais tarde e o tanto que tô lutando para retomar isso).
Bom, peguei meu carro e fui fazer uma aula de yoga num paraíso. Chama Amaan, é um espaço na beira do lago, com grama, árvore, verde.
Me senti indo para um refúgio, como seu meu corpo dissesse “a gente precisa fugir dessa loucura aqui”.
Yoga feita, decidi que ia ficar ali, na beira do lago, tomando sol, vendo o lago quanto tempo meu corpo ainda pedisse.
Fiquei descalça na grama, olhei as ondinas do lago por incontáveis minutos, fiquei deitada de barriga para cima vendo o céu mais bonito desse pais (se vc não é de Brasília, você não consegue entender isso).
Me arrisquei a entrar no lago.
Botei o biquíni, me aproximei do deck de madeira, me perguntei “será que eu vou conseguir subir de volta? e seu eu não tiver força para me puxar lá de baixo?”
Pulei, mergulhei, molhei o cabelo.
Água gelada, sol quente.
Minha alma: “OBRIGADA POR ISSO!”
Na hora de subir eu empaquei? Sim
Acabei ganhando um hematoma em um joelho e um pequeno inchaço na outra canela.
O deck era alto demais para uma pequena Mariana de 1,59. E tive que me contorcer e me agarrar como uma lagartixa nas ripinhas de madeira para conseguir subir de novo.
E subi.
Como eu estava precisando disso!
Eu não tinha percebido o quanto meu corpo estava gritando por isso até chegar lá e ver ele se preenchendo de um trem quentinho e gostoso só de poder botar o pé na grama.
Coitado, privei o bichinho do seu remédio.
Bom, eu te contei isso para duas coisas:
A primeira é porque eu quero que na Fluida a gente seja real. Que vocês tenham exemplos, referências e modelos de mulheres reais que se propuseram a cometer essa loucura de abrir uma empresa.
Eu quero que vocês saibam que desse lado de cá não existe uma mulher maravilha. Existe uma também empresária com seu um metro e meio de estatura que também se debate com todas as questões que você vive.
Lembra que falei em alguma carta ai para traz que eu sentia claramente que tinha uma outra Mari vindo aí? Continuamos (nem tão) firmes e fortes nessas mudanças.
Eu ainda tô botando elas em curso, mas to achando que vou compartilhar mais delas com vocês. Não sei ainda como vou dividir isso, mas eu sinto que estamos todas precisando um tico disso: DE CALMA.
Por ai vc tá precisando também?
A segunda é um grito amoroso e urgente: QUAL É O SEU REMÉDIO?
Qual é o remédio banal, pequeno, minúsculo que de tão diminuto facilmente acaba sendo preterido? Qual é o remédio que ninguém entende porque vc precisa tanto, mas que cada célula do seu corpo acende quando você faz?
Eu queria te lembrar que a dose desse remédio talvez precise ser diária. Nos últimos meses eu achei que uma vez por semana, uma vez por mês ia dar.
Num deu.
Eu tomo banho todo dia, encho minhas garrafinhas todos os dias para beber 2l, almoço todo dia, durmo todo dia…por que raios meu remédio de natureza e ar livre é só no final de semana? Que posologia incomum é essa de só nos dar o que a gente precisa 2 vezes no mês?
Talvez seu remédio seja tomar café da manha em silêncio.
Um banho lento e pelando de noite.
15 minutos vendo uma série de comédia.
Uma voltinha embaixo do bloco com o seu cachorro.
Eu não sei qual é o seu remédio.
Mas, aprendi que o meu é natureza e ar livre.
É por o pé na grama.
É olhar para o céu azul.
É tão pouco.
Mas é tanto para mim.
Eu também não sei como você vai encaixar essa dose no seu dia.
Por aqui eu tô numa missão de acordar mais cedo, calçar o chinelo e ir ali no gramadão que tem no final da minha rua passar uns minutos lá sentada no meu tapetinho de yoga só olhando o céu.
São míseros 20 minutos que deixei de me dar nesses meses.
Eu espero que esses 20 minutos da minha dose diária tenham vindo para ficar, na minha vida e na sua também.
Talvez no primeiro lançamento eu esqueça da dose diária e passe alguns dias apagando esse compromisso da agenda.
Talvez eu me envolva com mil projetos empolgantes e esqueça que nem só de adrenalina eu me alimento.
Talvez seja difícil manter as doses diárias do meu remédio na minha rotina.
Mas, eu tô aqui para te dizer que a gente pode tentar juntas.
Uma hora você me lembra, outra hora eu lembro você… e nesse vai e vem das nossas cartas semanais a gente vai sendo o alarme no celular que grita:
JÁ TOMOU O SEU REMÉDIO?
Que mais do que negócios, que a gente construa juntas aqui uma VIDA que vale a pena ser vivida.
Talvez você não saiba, mas escrever para você também tem sido meu remédio.
Obrigada por ser o post it na parede que me lembra de vir aqui escrever para você.
E para mim.
Ps: Segue uma foto do bendito deck no qual eu adquiri os hematomas mais bem-vindos da minha vida até hoje. Te autorizo a me imaginar pendurada ali lutando bravamente pra me puxar do bendito lago.

Com amor
(e medicada de natureza),
Mari Fernandes