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Carta 028

Não é opcional, é obrigatório

A rede feminina existe para o pronto-socorro — mas esquecemos de usá-la também nos dias bons. Uma carta com um convite simples: marque um espaço para a sua rede na agenda essa semana.

Mulheres

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA.

Como você finaliza a sua semana?

Por aqui, rolou Sessão da VÊNUS, sessões da LUZ, encerramento de Mentoria com uma deusa do Conselho Estratégico e muitos B.Os nas empresas de vocês para resolver.

Deve existir alguma explicação para tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo nos negócios de vocês em uma mesma semana 😂

Mas, vamos ao assunto da carta de hoje:

Muito se fala sobre empreender ser uma montanha russa,

isso você já ouviu.

Mas, a vida por si só também não é uma?

Às vezes essas montanhas russas estão sincronizadas — a vida vai bem, o negócio também. Às vezes elas estão completamente desalinhadas — o negócio vai de vento e popa, a vida pessoal está um caos. E, às vezes, o negócio não vai bem, mas a vida pessoal está ótima.

Seja como for, tem um elemento que precisa andar do seu lado

no carrinho dessas montanhas russas.

E é sobre esse elemento que eu vim conversar com você

hoje.

Eu não sei se você sabe (se você é DinoFluida você sabe bem), mas a Fluida nasceu como uma rede.

A Flávia e eu não sabíamos o formato da Fluida — uma escola, uma empresa de consultoria, uma empresa B2B?

A única coisa que tínhamos certeza é que queríamos juntar mulheres.

Nós queríamos formar REDES fortes de empresárias.

E adivinha qual é o elemento

que eu quero que ande do seu lado no carrinho de montanha russa?

Sim.

A REDE.

Mas, calma, é uma outra perspectiva de rede

que talvez você não tenha me ouvido falar ainda.

Lá no comecinho da Fluida a gente sabia que mulheres são melhores ao lado de outras mulheres.

Não precisava de livro, artigo ou pesquisa explicando o poder dessas relações.

A gente só sabia.

Mas, todas nós fomos treinadas para acreditar o contrário.

“Mulheres se arrumam para outras mulheres” “Aquela lá vai roubar o seu marido” “Mulher puxa o tapete da outra” “Prefiro ser amiga de homens, eles são menos complicados” “Desejo a todas inimigas vida longa”

Fomos inundadas dessa narrativa desde a infância.

O filme em que a “patricinha” mais bonita da escola é uma megera e faz da vida das outras alunas um inferno é uma alegoria de que só existe espaço para UMA de nós.

Fomos treinadas para nos manter distantes uma da outra e por desejar a apreciação dO outrO, não de nós mesmas.

Mas, mesmo com essa propaganda massiva de que mulheres são nossas rivais, a gente de algum jeito dá certo quando tá junta.

Todas as vezes que a gente bota um bando de mulher junta pra fazer qualquer trem, coisas INCRÍVEIS saem dali.

É como se a gente recarregasse as baterias em conjunto.

Como se desde sempre o nosso lugar fosse ali.

Cada celulinha do meu corpo vibra quando eu tô no meio de um grupo de mulheres.

É como se o meu DNA gritasse

“ahhh finalmente vocês encontraram! É isso que vocês deviam fazer juntas”.

A Fluida nasceu disso.

Dessa festa que nosso corpo faz quando estamos juntas.

Para criar intencionalmente espaços para gente se aglutinar.

Me dediquei exaustivamente para isso nos últimos anos.

Formei grupos fortes de empresárias — dentro da nossa audiência, dentro dos nossos cursos, dentro da mentoria (não é à toa a Vênus ser uma mentoria EM GRUPO para mulheres).

Eu tô sempre ali mediando esse espaço — seja em eventos, palestras, cursos etc.

Eu sou a pessoa que CRIA a rede, que facilita, que media.

Mas, para além da pessoa que cria, eu uso muito a minha rede quando as coisas saem dos trilhos.

Quando algo fica difícil de lidar sozinha eu sou a primeira a spamear todas as minhas amigas com áudios enormes no whatsapp pedindo ajuda (obrigada por serem ouvintes assíduas do meu podcast Marianístico).

Mas, eu percebi que criei o hábito de só usar a minha rede quando eu PRECISO.

Eu corro atrás da minha rede quando o carrinho tá desgovernado, me sacolejando de um lado para o outro sem previsão de parada.

Quando tá tudo muito loko eu aperto logo o botão de emergência e grito logo

“ei, eu preciso de vocês, me ajuda nisso aqui pelo amor da deusa”.

Eu aprendi a usar a rede quando vomitaram no assento do lado do meu carrinho.

Mas, será que eu precisava esperar esse desagradável evento para acionar essas mulheres?

Será que eu não poderia usufruir da força que elas me trazem TAMBÉM nos dias que o carrinho tá cheiroso?

Com o banco encerado, reluzente?

Talvez esse padrão de recorrer à rede SÓ quando a montanha russa adquire contornos de insalubridade seja um reflexo da nossa sobrecarga.

Da nossa tentativa de dar conta de tudo, das milhares de tarefas que não deixam espaço para o não essencial… eu não sei.

Mas, eu sei que a vida seria muito mais leve se a gente aprendesse a PERMANECER juntas.

A chamar a rede quando não tem nada vomitado do seu lado.

A criar espaços frequentes e regulares para estar em rede MESMO QUANDO tudo tá ótimo.

Acho que ainda não aprendemos.

Aprendemos a recorrer às outras como um pronto socorro.

Quando já não dá mais para aguentar aquela dorzinha que virou uma dorzona a gente bate na porta do consultório sem dó.

Mas, eu queria mesmo que a gente tivesse hora marcada mesmo sem nada estar doendo.

Que a gente tivesse um espaço para partilhar CONQUISTAS, VITÓRIAS, SUCESSOS, ALEGRIAS.

É lindo que a gente saiba se acolher no dia do perrengue.

Mas, de certa forma me parece melancólico que a gente tenha TANTOS momentos compartilhados de perrengue e talvez tão poucos de celebração.

(É possível que essa seja uma reflexão profunda e congruente ou apenas um reflexo da minha TPM, nunca saberemos)

A carta de hoje é um lembrete.

Um post it colado na tela do computador.

Um panfleto que você não pediu mas enfiaram na sua caixa de correio.

USEMOS A NOSSA REDE (também) NOS DIAS BONS

Usemos a rede quando o carrinho da montanha russa tá cheiroso.

Use a rede quando você bater a meta do mês.

Quando fizer um bolo que não solou.

Quando conseguir lavar o cabelo sem ser interrompida por uma criança batendo na porta chamando “mamãããe”.

A gente precisa fomentar as nossas relações com outras mulheres pra além da DOR.

A dor nos une para PPK, e isso é profundamente FODA.

(Ouso dizer que não vejo isso acontecendo em círculos masculinos…que pena para eles)

Mas, eu quero também que a gente DESFRUTE juntas.

O prazer também é direito.

USE A SUA REDE (também) NOS DIAS BONS.

Como se não bastasse o lembrete, agora vem o convite:

Marque um espaço para a sua rede na sua agenda da semana que vem.

Cata o whatsapp, marca o lanche da tarde, o almoço no self-service da esquina, a caminhada no parque.

MAS, MARCA.

Eu não sei o que você tá vivendo hoje, mas sei que a sua vida vai ser melhor junto com a sua rede.

Com amor,

Mari Fernandes.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·