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Carta 027

Choro e Gratiluz

Em sessões de mentoria, às vezes preciso segurar as lágrimas. Uma carta sobre o peso invisível que as empresárias carregam — e a gratidão de poder ser testemunha dessas histórias.

Mulheres

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA.

Como a senhorita termina essa semana?

Por aqui eu termino com um sentimento que você não me vê por aí falando sobre ele, mas que eu sinto com uma frequência gigantesca e que hoje foi avassalador:

GRATIDÃO.

Sim, pode me imaginar bem namastê nesse momento.

Porque é esse o sentimento mesmo.

Quando eu falo o tanto que eu AMO atender a mulherada individualmente talvez você ache que é porque eu gosto de ver resultado no que faço.

É isso também, mas o que mais me move não é isso.

Em muitas sessões de consultoria ou mentoria individual eu tenho vontade de fazer uma coisa que eu duvido que você ache que acontece comigo.

Muitas vezes eu tenho vontade de chorar.

Chorar mesmo, às vezes preciso segurar as lágrimas.

Sabe por quê?

Porque quando a gente pensa em uma mentoria de negócios, talvez os desavisados achem que falaremos sobre o negócio. E eles não poderiam estar mais enganados.

Quem senta na minha frente não é uma empresa. É uma mulher.

Mulheres que confiam em mim para partilhar suas histórias.

Histórias essas que não são contadas para qualquer um, que não são transformadas em posts, que não fazem parte de uma grande narrativa.

São histórias reais.

Sérias.

Densas.

Por muitas vezes tristes.

Não porque os negócios estão capengas, não é isso.

É que a vida acontece para todas.

Pessoas morrem, familiares adoecem, relacionamentos acabam…e cada pedacinho da vida também faz parte dos negócios.

Histórias que ninguém imagina.

Porque quando olhamos uma empresária no palco, uma empresária faturando alto, uma empresária fazendo o que faz de melhor…

a gente não imagina.

A gente não imagina o peso que elas carregam nas costas, as dificuldades que não só já passaram como também continuam passando.

Muito se fala sobre não sabermos os bastidores das pessoas — quanto foi investido pro valor que foi faturado, quantas noites sem dormir gravando aula, quantas horas para um post no feed sair.

E, realmente, não sabemos.

Mas, aqui eu tô falando dos bastidores da VIDA

O luto.

As doenças.

As decisões.

A vida acontece independente do que fazemos nos nossos negócios.

E a gente nunca consegue dimensionar o tamanho das batalhas que cada mulher está vivendo.

Até você ser a mentora que atende cada uma delas.

E aí você consegue dimensionar nos milímetros o que cada uma vive.

E isso me traz dois sentimentos em conjunto.

O primeiro é uma espécie de melancolia, com raiva, com não sei o quê.

De ver a olho nu o quanto ficamos MUITO boas em camuflar as nossas feridas.

Ficamos muito boas em passar maquiagem e sorrir para o mundo.

Ficamos muito boas em levantar da cama quando todos os músculos gostariam de ficar deitados.

O mundo exige que a gente coloque band-aid nas feridas para pagar boletos.

E eu não queria que fosse assim.

Mas, ao mesmo tempo, tem um outro sentimento que não sei nomear.

É um misto de orgulho e admiração profundos.

Ver que essas mulheres, cheias de feridas, dores, cicatrizes tiram energia sabe-se lá de onde e são capazes de construir empresas extraordinárias.

Me dá esperança ver que, às vezes, a empresa é onde elas se seguram quando tudo o mais é caos.

Quando o mundo desaba, às vezes a bóia é o CNPJ.

Nesses momentos eu vejo:

EMPREENDER TRANSFORMA

E é curioso porque num primeiro momento esse combustível vem de encontrar algo que nos move.

Em um segundo momento vem da responsabilidade que agora temos com uma empresa para cuidar — com o nosso time, com os nossos clientes, com os nossos alunos.

Hoje foi um dia desses.

Desses que eu me deparo com histórias que se a gente lesse em livros não acreditaria.

E a mulher está lá.

Em pé.

Ferida, cansada, magoada.

Mas, ao mesmo tempo, focada, esperançosa, em movimento.

Nós somos um trem a ser estudado mesmo pela ciência.

Porque é um mistério digno de filme de ficção a FORÇA que somos capazes de expressar.

O quanto lutamos com todas as células para continuar sendo nós mesmas.

Hoje eu tô cheia de gratidão.

Gratidão por conhecer e reconhecer essas histórias. Gratidão por confiarem em mim para dividir tamanho fardo. Gratidão por saber que essas mulheres estão comigo e não com um guru ou outro mentor qualquer.

Hoje eu falei “brigada universo, por botar essa mulher aqui. O lugar dela é esse”

E não porque eu sou melhor pessoa pra cuidar de todas as empresários do planeta terra, não é isso.

Mas, porque tem aquelas que quem deveria cuidar SOU EU.

E dos jeitos mais inusitados e sem pé na cabeça que você pode imaginar, elas chegam para mim.

Eu sei que existe um universo de coisas aí dentro de você e também ao seu redor.

Eu SEI que existem batalhas que ninguém IMAGINA que você travou na sua vida.

Mas eu queria que você soubesse que EU SEI.

EU SEI.

Você não precisa falar, mas eu SEI.

Eu honro cada micro passo que você dá em direção ao que faz sentido para você porque sei a tonelada de energia que às vezes esse passo te custou.

EU SEI.

Obrigada universo por colocar essas mulheres aqui.

Cada célula minha sente que é esse o meu lugar no mundo.

E que puta privilégio poder saber disso antes dos 30 anos.

Eu não sei o que mais o universo guarda para mim, mas já sei que ele colocou exatamente quem deveria colocar aqui.

Obrigada por estar aqui.

Beijos,

Mari Fernandes

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·