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Carta 022

Números grandes e a espiral da catástrofe

Um atraso na natação do meu sobrinho virou uma espiral catastrófica na minha cabeça em segundos. Uma carta sobre crescer, se adaptar e focar no essencial quando o negócio fica loko antes de ficar suave.

Nóias da cabeça

BOA TARDE, MARAVILHOSA.

A carta de hoje é sobre um assunto que nós precisamos conversar.

Nós vivemos em um mundo acelerado, parece que tudo é urgente, parece que tudo é para ontem, parece que precisamos estar sempre atentas porque se piscarmos os olhos já surgiu uma nova estratégia de venda, já surgiu um novo tipo de lançamento, já surgiu uma nova plataforma que precisamos produzir conteúdo.

É uma coisa muito doida, né?

Se você pisca o olho, já tem num-sei-quantos posts novos no feed, sabe-se-lá-quantos stories novos para assistir, nem-contei-quantas mensagens no whatsapp.

Esse tanto de coisa vai deixando a gente com uns neurônios a menos.

É muito anúncio, muita notificação, muito conteúdo, muita novidade.

Para nós, mulheres, nem se fala.

Porque além de acompanhar tudo isso ainda temos nossas jornadas duplas.

Ainda temos que limpar a casa.

Ainda temos que cozinhar.

Ainda temos que lavar a louça.

Ainda temos que manter nossas responsabilidades com as outras pessoas.

E, obviamente, ainda temos que trabalhar no nosso próprio negócio — muitas vezes ainda trabalhando em outros empregos conciliando a porra toda.

Fazendo malabarismos e malabarismos para nenhum pratinho cair.

O pior de tudo é que ainda temos que lidar com a nossa própria culpa

quando parece que alguma coisa vai desequilibrar.

Na quarta-feira eu estava falando sobre isso com as minhas deusas mentoradas da Vênus e senti que a carta de hoje precisava ser sobre isso.

Eu precisava te trazer esse brownie quentinho em um dia chuvoso.

Primeiro, quero te dizer que ainda que você ache que é só com você, toda empresária do conhecimento também dá uma surtada

dentro da cabeça com suas próprias responsabilidades.

Esses dias mesmo me peguei pensando

“que glória que tá chovendo, assim não vou precisar levar meu sobrinho na natação”

Vou te explicar:

Eu fico com meu sobrinho 2x por semana, esse ano ele começou a ir para a escola.

A rotina é mais ou menos assim:

11h30 eu saio para pegar na escola, venho correndo para casa antes que ele durma no caminho e seja um deus nos acuda para tirar da cadeirinha, dou o almoço (também correndo) porque ele tem que almoçar logo, para poder dormir logo para acordar na hora certa de dar tempo de chegar na natação.

A natação tem 30 minutos. Cada minuto de atraso é tipo muitos % da aula de natação.

Então, eu entro nesse vórtex de “eu tenho que fazer tudo certo e sem erros porque qualquer atraso a consequência é o coitado do menino não fazer a natação que ele tanto ama”.

E obviamente não aprender a nadar — o que, certamente, causará um episódio de um afogamento traumático que vai derramar um tico mais de culpa na cabeça da tia malvada que atrasou para a natação.

O pensamento mal foi concluído e já veio a culpa de todos os séculos de patriarcado pairando na minha própria cabeça

“porra, Mariana, que tia você é? O menino ama a natação, natação é fundamental pra ele, até na sua casa tem piscina e ele sabendo nadar não vai acontecer nenhuma catástrofe”.

Percebe a velocidade dos pensamentos?

A visão catastrófica que um único deslize acaba gerando?

Essa sou eu pensando sobre o meu papel de tia.

Mas, uma vez que a Fluida não é uma empresa sobre tias e sobrinho, a pergunta é:

Quantas vezes seu pensamento te suga para uma espiral da catástrofe toda vez que algo na sua empresa acontece fora do seu controle?

Eu chamo essa situação de espiral da catástrofe.

Essa sequência de pensamentos apocalípticos que aceleram seu coração, embaçam a visão e fazem você desejar ser a pessoa que ama o cargo público monótono que você acha que ela tem.

Já viveu isso aí?

Essa espiral acontece em vários momentos do negócio, mas tem uma fase da empresa que eu tenho percebido que elas são mais monumentais.

A hora que você dunada fala

“cacete, eu tenho uma empresa”

“Eu tenho um produto”

“As pessoas sabem o que eu faço”

“Ouxi, tem gente me recomendando?”

“Como é que essa pessoa importante do meu mercado me conhece?”

CRESCER DÓI

Dói fisicamente.

Os números ficam maiores. Os riscos também.

Parece que a queda, se rolar, vai ser de uma altura maior também.

E que talvez você não esteja pronta para isso.

Eu não sei qual é a dor do crescimento ou o medo da queda que passa pela sua cachola agora.

Contratar, delegar, cuidar do caixa, olhar investimentos de longo prazo, abrir uma nova fonte de receita, ter um time…

Ou você pode estar com medo de não estar sendo uma mãe ou uma filha tão presente ou uma amiga sumida ou uma péssima dona de casa que deixou a louça passar a noite suja na pia.

Mas, deixa eu te falar, meu amô…

Nem tudo vai parecer perfeito o tempo inteiro.

Nem tudo vai dar certo o tempo inteiro.

Nem tudo vai sair do jeito que você quer o tempo inteiro.

O BAGULHO FICA LOKO ANTES DE FICAR SUAVE.

É assim em todas as fases de crescimento.

Mas, lembra que tem um trem chamado

ADAPTAÇÃO.

Se você está nesse vórtex talvez você esteja se ADAPTANDO a uma fase que não conhece ainda.

Quando a gente traz um filhotinho de catiorro fofo para a casa a gente faz de tudo para ele se ADAPTAR, mudamos o ambiente, dormimos com ele na sala, deixamos até ele subir na cama.

“Tá tudo bem, deixa ele se adaptar primeiro”

E por que raio com a gente achamos que temos que sair de um degrau da empresa para o outro MAGICAMENTE sabendo tudo que precisa ser feito, sem titubear em cima de um salto e com as unhas em dia?

Hoje eu estou me acostumando com a rotina de ser parte responsável pelo meu sobrinho, de levá-lo na natação, de buscá-lo na escola, de ter horários fixos.

Daqui a algumas semanas vou estar acostumada e isso vai deixar de ser uma espiral de catástrofe na minha cabeça.

Às vezes, você tá que nem a minha mentorada da Vênus e não sabe.

Espia:

Ela me mandou uma mensagem dizendo que estava arrasada achando que ia ter que cortar coisas muito importantes na empresa dela porque “não ia dar conta de pagar”.

Eu juro que achei estranho porque eu acompanho a empresa dela há uns 3 anos, e só de Vênus ela tem um ano. Eu conheço os números, sei os projetos da empresa.

Enfim, fomos para o hotseat.

Sabe o que descobrimos?

Que ela não só tinha dinheiro, como ela tinha dinheiro suficiente na empresa para ficar TRÊS MESES sem vender NADA NOVO e ainda sim pagar todos os investimentos que estavam programados (um deles envolve a reforma de um novo escritório para ela).

Pergunta se ela tinha conseguido fazer essa conta antes?

Não tinha. E não tinha não porque ela não sabe como fazer essa análise, mas porque, naquele momento, ela estava na danada da adaptação.

Buga a cabeça quando os números na planilha passam de 500, 600, mil para DEZ MIL, VINTE MIL, CINQUENTA MIL.

(Pronto, infartou)

Ela está se acostumando com números maiores, com contas altas e fixas para pagar desde que o negócio dela cresceu.

E realmente parece assustador ter R$ 10 mil, R$ 15 mil em contas fixas todos fucking meses.

Daqui a algumas semanas esse vai ser o novo normal dela e ela vai acostumar também que hoje tem caixa para isso.

Que os bons anos trabalhando, cuidando do caixa, construindo um negócio fora dos holofotes guruzentos….trouxe o resultado que ela queria.

Seja lá qual for a situação que hoje você tá passando, eu te digo:

CALMA.

O mundo tá acelerado, mas você precisa de tempo para se adaptar.

E você tem esse tempo.

O meu conselho pra você é:

FOCA NO ESSENCIAL.

Esses dias, eu tava sentindo a minha cabeça pesada com tantas responsabilidades (na família, na Fluida, na vida) e no meio do lançamento do Consultorize — ou eu focava no essencial ou o trem ia desabar.

Foquei no essencial.

Naquele momento o essencial era fazer a aula do lançamento e o pitch para o produto.

(Eu ficava falando para mim mesma na minha cabeça: fodassy o resto, foca no pitch e na aula, no pitch e na aula)

Foi isso que fiz.

O resultado?

O pitch com maior conversão ao vivo que já fizemos na história da Fluida.

Me sinto até uma palhaça escrevendo isso pensando

“gente, quantas outras coisas maiores da história eu poderia ter feito se eu tivesse nesse mood do foca no essencial?”

Nesses últimos 3 dias o meu essencial era planejar o Lab de Implementação do Consultorize que vai acontecer amanhã.

Foi isso que fiz.

Eu não sou a maga do essencialismo não, pelo contrário. Mas, quando o negócio chega num determinado tamanho, não fazer isso é tipo inviável.

O ponto para você é:

Você não precisa se preocupar nesse instante-agora com um bilhão de coisa, não tem um trem essencial aí que merece mais a sua atenção?

E o que é essencial digamos para os próximos 7 dias, você consegue dizer e focar apenas nessas coisas?

É a sua saúde que tá por um fio?

É o pitch que você vai fazer em 10 dias mas não começou porque está insegura com esse produto?

É fazer a análise financeira do mês anterior?

Pensa aí, eu espero.

Mas, pensa em até 3 coisas.

Não existem 938 milhões de coisas essenciais

Leia de novo.

Espero que essa carta tenha sido aquele brownie quentinho num dia chuvoso.

Beijos,

Mari Fernandes.

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