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Carta 202

O meu aluno Jerônimo

Por aqui, outubro parece que tem sido um ano inteiro em um mês. Eleições, cenário político muito doido, meta de outubro não só batida como ultrapassada e troços lindeusos que liberamos para as nossas mentoradas. E esse…

Gestão de negócios

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!

Como a senhorita chega no dia de hoje?

Por aqui, outubro parece que tem sido um ano inteiro em um mês.

Eleições, cenário político muito doido, meta de outubro não só batida como ultrapassada e troços lindeusos que liberamos para as nossas mentoradas.

E esse troço que a gente liberou essa semana tem a ver com o tema da carta de hoje, você vai entender.

Comecemos.

Eu não sei se você sabe, mas nós temos uma plataforma de gestão com IA que todas as nossas mentoradas têm acesso. Como toda a nossa equipe se chama de “sereia”, batizamos nossa IA de Ariel.

Ela faz uma caralhada de coisa: registra seu financeiro, te ajuda a planejar o mês, faz análises sobre o seu ano, cria copy pra conteúdo, cria design para redes sociais AND produz fotos hiper mega perfeitas da senhora pra você não precisar tirar mais foto para fazer conteúdo.

Eis que Ariel já era nosso xuxuzinho, e agora ela tem uma função nova.

Uma das coisas mais maravilhosas que temos na Fluida é o Google de Gestão, que são processos prontos pra resolver um BO da sua empresa imediatamente.

Tipo assim, imagina que uma pessoa do seu time fez merda.

Você quer dar um feedback, mas não sabe muito bem como fazer isso sem ser grossa, mas também não quer passar a mão na cabeça da pessoa.

O que você faz?

Você vai no Google de Gestão e pega o google de “como dar feedback para o meu time que fez merda”. Lá dentro tem tudo que você NÃO vai fazer, qual tem que ser o tom da conversa e um ROTEIRO que você vai seguir na reunião, dizendo exatamente as PALAVRAS que você vai dizer.

Basicamente, você não tem que pensar nada: pega o google e usa.

Só que, como boa professora que sou, eu achava que dava para esse processo ser ainda melhor.

Eu queria que as minhas mentoradas pudessem contar um problema da empresa delas e já receber a prescrição de qual é o exato google que resolve aquele problema.

Muitas vezes a gente tem um problema, mas não sabemos o que é que resolve ele. Tipo: tô com dor nas costas. Será que foi um mau jeito no músculo ou tô com pedras nos rins? Ou será que tô com uma hérnia ou até uma picada de bicho que eu não vi?

Se a gente não sabe a CAUSA da coisa, fica difícil usar o remédio certo. Na Fluida a gente tem remédio para tudo, mas nem sempre as empresárias sabem identificar sozinhas de que tipo de remédio precisam.

Eis que resolvemos isso. Criamos na Ariel uma funcionalidade que é tipo um chat.

Você conta para a Ariel o que que tá rolando, e ela diagnostica qual é o seu problema e já prescreve o google certinho que vai resolver esse BO.

Sério, olha que coisa linda! É tipo ter um médico especialista em tudo, que você vai lá, conta seus sintomas e ele diz “isso aí é rim, pode tomar isso aqui que resolve”.

Eu não sei se você sente a mesma alegria que eu vendo que isso é possível.

Mas, se não sentir, vou te explicar por que para mim isso é a coisa mais linda desse mundo.

Eu fiz faculdade de biologia na UnB. Dentro do curso, meio que existem dois caminhos: virar pesquisador ou virar professor.

Eu fui primeiro para o laboratório, ver se pesquisa era algo que eu ia gostar de fazer.

Logo num dos meus primeiros estágios, com um professor reconhecidíssimo internacionalmente, eu tinha que analisar imagens de satélite do Brasil e propor onde poderíamos criar corredores ecológicos, basicamente faixas de vegetação que ligassem espaços estratégicos e permitissem que, mesmo com o crescimento das cidades, os animais pudessem transitar para lá e para cá.

Algumas espécies literalmente não sobrevivem em lugares “apertados”. Elas abandonam áreas muito “pequenas” (tô simplificando aqui, mas é marromenos isso).

Bom, eu descobri, depois de sei lá quantas horas analisando fotos de satélite em 398 mil tons de cinza, que as fotos eram de tipo uns 10 anos atrás, porque o Brasil não tinha conseguido convênio com os EUA para pegar fotos mais recentes.

Isso me brochou de um tanto que não sei dizer. Eu pensava assim “meu Deus, mas com essas fotos de 10 anos atrás, os corredores que eu vou propor para que se crie uma lei protegendo simplesmente nem devem existir mais hoje, quem dirá na hora de apresentar isso como projeto de lei”.

Achei que o que eu tava fazendo não tinha impacto nenhum e decidi que laboratório não era para mim.

Aí eu fui então experimentar o outro lado: a licenciatura.

Comecei fazendo estágio em escolas públicas e pegando as matérias de educação.

Como toda universitária quebrada, tudo que dava para eu fazer dinheiro me parecia uma boa ideia. Me candidatei a uma vaga como professora particular num cursinho preparatório para a prova de ingresso no Colégio Militar (aqui em Brasília, o Colégio Militar é gratuito e tem uma prova superconcorrida para os pequenos fazerem).

Eu lidava com crianças do ensino fundamental que, depois da escola, iam aprender comigo sobre matemática para passar na bendita prova.

Eu dei aula particular de TODAS as matérias de exatas, todas. Física, química, matemática… por fazer biologia, que tinha várias dessas matérias na faculdade (inclusive cálculo, que até hoje eu tenho traumas).

Bom, depois disso fui contratada para ser professora fixa de ciências numa escola de ensino fundamental.

Eu passava vários dos meus finais de semana criando e corrigindo provas, preparando uns PowerPoints (alô, velhas que usavam PPT) belíssimos, cheios de vídeos e imagens interativos para os meus pequenos do sexto ao oitavo ano. A turminha que eu amava mais eram os menorzinhos, 9, 10 anos aprendendo ciências. Uma fofura.

E eu tinha um aluno de quem a maior parte dos professores reclamava.

Eu nunca vou esquecer o nome dele: Jerônimo.

Eu não sabia de onde vinha a fama de “chato dele”. Simplesmente não conseguia entender.

Eu AMAVA aquele menino. Eu achava ele tão curioso, tão articulado, tão interessado.

Ele me fazia as perguntas mais cabeludas, malucas e pertinentes que eu já recebi.

Um dia, em uma aula sobre os reinos, ele me parou bem na porta da sala, eu já tava saindo, e falou a seguinte frase:

“Tia, esse negócio que você falou hoje dos reinos é tipo aquele negócio de evolução em saltos que aconteceu com algumas espécies, não é?”

Eu tive 2 síncopes ouvindo aquilo.

Evolução em saltos era um conceito que eu, uma recém-formada numa das melhores universidades do país, tinha aprendido numa matéria de evolução no ÚLTIMO semestre.

Essa é uma matéria do último semestre justamente porque, para entender evolução, você precisa ter entendido vaaaários outros conceitos em matérias anteriores, como genética, ecologia de populações e estatística. Não é uma coisa trivial.

Aquela criança de 9 anos ouviu a minha aula e, sozinho, relacionou tudo que eu tava dizendo com um conceito que até então eu não tinha ideia de que qualquer outra pessoa que não um biólogo soubesse da existência.

9 anos.

Eu amava aquele menino e amava dar aula para ele.

Mas a maior parte dos professores reclamava que ele dava trabalho, atrapalhava a aula e desconcentrava os colegas.

Eu não conseguia entender por que, na minha aula, ele nunca me atrapalhou.

A minha falta de experiência no sistema escolar privado não me deixava entender por que ele era um pé no saco para aqueles professores tão mais “experientes que eu”.

Demorei algum tempo para cair a ficha.

Eu gostava do Jerônimo porque eu gostava que meus alunos aprendessem.

Eu sentia prazer em ser puxada por um menino de 9 anos a explicar coisas mais complexas de um jeito mais fácil.

Eu gostava de ensinar. E ele me levava ao extremo desse ofício.

Pra mim não era um problema, era justamente o motivo de eu estar ali.

Ele não dava trabalho nenhum para mim, mas, para quem só queria bater seu ponto, pegar seu salário e ir embora, ele seria um belo dum pé no saco.

Eu não julgo aqui os professores que não tinham paciência para ele. Ser professor é acumular muitas funções e receber muito pouco. Acho que, depois de muitos anos, o que impera é mesmo o cansaço.

Mas aquilo quebrou um negócio em mim de tal maneira que eu não via mais sentido de continuar dando aulas naquele formato.

Eu tinha um aluno que queria MUITO aprender, que amava estudar e que, para todo mundo, ele era um grande problema.

Como a gente construiu um sistema educacional que, TCHARAM, deveria EDUCAR, que cria esse tipo de distorção?

Como uma criança taaaão interessada era constantemente meio deixada de lado só porque queria aprender mais?

Eu, idealista da educação, decidi abrir uma empresa de aula particular.

Achava que, tendo a minha própria empresa, eu poderia ensinar do jeito que achava que tinha que ser.

Que os Jerônimos seriam nossos alunos mais queridos.

Eu não consegui resolver isso 100%, mas já achava que tinha conseguido melhorar as coisas uns 40%.

Ao longo de todos esses anos, eu fui pulando de formato em formato educacional, sempre tentando encontrar o lugar onde eu ia poder ensinar para quem quer aprender.

Que eu ia poder criar aulas magníficas, ferramentas louquíssimas e coisas interessantíssimas do meu jeito. Sem prazo para entregar prova, sem precisar dar uma nota numa prova, e ensinando os troços que eu achava que iam de verdade ser úteis para as cabecinhas pensantes.

E finalmente eu encontrei. Ou, na verdade, criei.

A Fluida.

Ela é a minha escola dos sonhos. Ninguém tá aqui obrigada. Todas as minhas alunas QUEREM sugar tudo que eu tenho para ensinar. Eu invento aulas com memes, falo palavrão, bato palma e conto piadas.

Elas se viram nos 30 para vir em cada aula, mesmo tendo filho, casa, empresa e tudo da vida para cuidar.

A gente ri junta, comemora, faz happy hour, e eu sinto todo dia que o que eu faço é ÚTIL.

Relevante.

Muda de VERDADE verdadeira a vida dessas mulheres para sempre.

Eu criei, com toda a ingenuidade de quem acredita que os problemas do mundo são todos resolvíveis, a escola dos meus sonhos.

A escola em que eu queria que o Jerônimo tivesse estudado.

Você já me viu muitas vezes dizer que, antes de ser empresária, eu sou uma mulher.

E acho que talvez essa sentença esteja incompleta.

Antes de ser uma empresária, eu sou uma PROFESSORA.

É minha crença (provada inúmeras vezes diante dos meus olhos) que o conhecimento MUDA o mundo.

Saber vender faz uma mulher que morava com os pais num apartamento apertadíssimo comprar uma casa com quintal para criar suas duas filhas meninas.

Aprender gestão permite uma psicóloga num relacionamento complicado alugar sua própria casa e terminar uma relação de anos que tinha minado quase tudo dela,

inclusive a crença de que ela valia alguma coisa.

Entender como gerir pessoas e liderar um time permite uma médica atolada de consultas abrir uma clínica que entrega para as mulheres um nível de cuidado e atenção que elas deveriam ter num momento tão vulnerável como o parto.

Eu vi, e vejo todos os dias, essas histórias acontecendo na minha frente.

Eu recebo fotos das casas, vídeos das viagens feitas e prints dos saldos bancários.

O conhecimento muda o mundo.

E muda mesmo.

Eu queria que todos os professores pudessem ensinar dentro de “Fluidas” da vida.

Que todas as cacholas sedentas por crescimento tivessem professoras que batem palmas ao ouvir uma pergunta cabeluda.

Ainda não conseguimos resolver isso pra todo mundo.

Mas aqui, no meu mundinho, resolvemos isso para as mulheres.

Tá resolvido.

E só tá resolvido pelo profundo respeito (e estudo) que a gente tem aqui pela EDUCAÇÃO.

Pura e simples.

Às vésperas de um segundo turno nas eleições mais conturbadas dos últimos 20 anos, que a gente não esqueça que professores, escolas, livros e pluralidade de ideias são o que vão mudar qualquer coisa que a gente queira.

Não tem como ser diferente.

A todas as professoras que me leem: VOCÊS SÃO FODAS PARA CARALHO.

A quem não é: diga para uma professora que ela é.

A quem vai votar em duas semanas: se lembre disso.

É a educação a força motriz do futuro.

Foi, é e continuará sendo.

Feliz Dia dos Professores.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·