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Carta 195

Mexericas e abacaxis

Nós chegamos com recorde de vendas (deve haver alguma explicação astrológica para agosto sempre ser um dos meses de recorde aqui na Fluida), mas a carta de hoje não é sobre isso. Na carta de hoje eu quero te fazer um…

Gestão de negócios

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!

Como a senhorita seja nessa sexta-feira número 739 de agosto?

Nós chegamos com recorde de vendas (deve haver alguma explicação astrológica para agosto sempre ser um dos meses de recorde aqui na Fluida), mas a carta de hoje não é sobre isso.

Na carta de hoje eu quero te fazer um aviso: caso você não tenha percebido ainda, empreender é um eterno espatifar de pratos.

Quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que a melhor habilidade que uma empresária pode ter é não ter um piripaque cada vez que derrubar um pratinho.

Ou melhor: jogar sem só uns pratinhos no chão sabendo que depois vai poder ir lá catar os caquinhos.

Vou dar um exemplo real que vivemos aqui na Fluida.

Quando começamos, em 1500, eu que fazia todas as reuniões de vendas e vendas pelo WhatsApp, isso foi ESSENCIAL para eu entender o que nosso processo de vendas precisava ter, como precisava ser conduzido e o que eu ia fazer para treinar outras pessoas para fazer no meu lugar, mas enquanto isso não aconteceu era eu, uma cadeira e minha poupança sentadas várias horas por mês vendendo.

Fomos melhorando o marketing, os funis, o tráfego e o volume de leads começou a aumentar, eu já não conseguia mais vender para todo mundo e o nosso grande gargalo se tornou ter gente querendo comprar, mas para agendar uma call com a Mari só daqui a sei lá quantas semanas.

Não tinha como.

Estávamos com um gargalo muito claro:

VOLUME DE ATENDIMENTO PARA VENDAS.

Certo, esse é o pratinho da vez: precisamos me tirar das vendas.

Estuda, ajusta, abre processo seletivo, recruta, contrata, treina, delega.

Montamos um departamento comercial, ajustamos processo, copy, dashboard, foi um rolê do caralho.

Mas finalmente eu pude sair das vendas.

Pratinho resolvido. Certo?

Errado.

Pois quando eu pude sair da frente das vendas, aumentamos nossa capacidade de vender.

E, por óbvio, começamos a vender mais.

Só que vender mais tem um problema.

Vendendo mais, tem mais mentorada chegando, com mais mentorada chegando, a gente precisa de mais processos na área de produto.

Pronto, agora o gargalo é na área de produto.

Se o volume de onboarding dobra, será que nossos processos são bons o suficiente para aguentar o DOBRO de pressão?

Se uma ferramenta de automação dá pau, com o dobro de velocidade, a gente tem o dobro de problema, de dados, de mensagens para mandar.

É tudo o dobro.

Vamos então para o pratinho do produto.

Melhora método, grava material novo, constrói plataforma de IA, automatiza processo, mais um rolê da poha.

40 dias depois, UFFA, agora pronto. Tudo ajustadinho para receber nossas deusas do jeito que a gente sempre fez aqui na Fluida, agora mais rápido, mais eficiente e melhor para elas.

EEEEBAAAA, certo?

Errado.

Agora que nosso produto é muito mais foda, gera resultado mais rápido e tem entregáveis novíssimos em folha que facilitam a vida das mentoradas, a gente tem que divulgar isso.

Se ninguém souber que temos uma IA que produz conteúdo, outra que faz a análise financeira dela, não adianta nada.

O produto tá melhor, a comunicação tem que mudar.

Então agora nosso gargalo é marketing.

Como vamos mostrar esses novos entregáveis? Que partes deles vão aparecer no Instagram? Quais canais vamos usar? Vai ser só Instagram? Temos que ir para o LinkedIn também. E o Fluida Cast?

Mais um pratinho.

E assim se segue o ciclo INFINITO de empreender, toda vez que você arruma um trem, esse trem arrumado vai te criar um novo problema.

Mesmo que seja um problema BOM, ainda assim é algo que vai exigir energia nova, processos novos, coisas novas que você nunca fez.

E não tem nada de errado nisso.

Mas eu percebo que frequentemente vocês dão uma leve surtada quando percebem que esse ciclo parece nunca acabar.

Vocês acham que talvez seja um “erro”, que você “não tá empreendendo direito”, que tem alguma maldição braba na sua empresa para você sempre estar migrando de problema em problema.

NÃO TEM NADA DE ERRADO COM VOCÊ, além do fato de você ter conscientemente escolhido empreender no Brasil sendo mulher.

Só isso mesmo.

O que lasca a nossa experiência empreendendo é a expectativa que temos de que empreender seja um trem estável, linear, fixo e imutável.

Não sei se te avisaram, mas isso aí não vai tá tendo, não.

E não vai ter nunca.

E aí, nesse cenário, temos dois caminhos.

  1. Surtar toda vez que algo totalmente normal acontecer.

  2. Decidir que não é isso que queremos pra nossa vida.

Eu não sei você, mas eu não fico confortável com nenhuma dessas decisões.

Tem que ter um terceiro caminho.

E ele é simplesmente entender que você não pode comer abacaxi se passou na feira e comprou mexerica.

Mexerica tem gosto de mexerica.

Cheiro de mexerica.

Casca rugosa de mexerica.

Espirra água no olho.

Inunda a sala com seu cheiro característico.

Mas lá dentro tem um gominho ácido e suculento pronto para ser devorado.

Se tu escolheu mexerica, vai ter gosto de mexerica.

Não dá para ter 3 siricutico quando perceber que a sua mão tá impregnada do sumo gosmento que secou entre os dedos.

É assim mesmo.

Entre pratinhos e mexericas, você escolheu um caminho.

Tá bom pra você? Permaneça.

Tá um caos tenebroso? Melhore a gestão.

Ficou insustentável? Você sempre pode sair.

Não tem falha nenhuma em você.

É só que, pra comer a mexerica, precisa descascar.

E, quem sabe, às vezes descascar uma mexerica é até melhor do que abrir um abacaxi e você nem tá sabendo.

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