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Carta 191

Burra é a mãe

(Apesar de eu mesma nunca ter visto um pó da rabiola pessoalmente) Essa semana, no grupo de mentoradas da Vênus, surgiu um assunto que fiquei tão encafifada que vou trazer aqui para vocês também. Estávamos falando de…

Gestão de negócios

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!

Como a senhorita chega no dia de hoje? Animada? Só o pó da rabiola?

(Apesar de eu mesma nunca ter visto um pó da rabiola pessoalmente)

Essa semana, no grupo de mentoradas da Vênus, surgiu **um assunto que fiquei tão encafifada **que vou trazer aqui para vocês também.

Estávamos falando de experiências que tivemos com mentorias anteriores, o que tinha sido bom, o que tinha sido ruim e, claro, apareceram os relatos de situações esdrúxulas que a mulherada já viveu em mentorias bem grandes do mercado.

Até aí, novidade nenhuma.

Mas uma coisa que elas trouxeram ficou martelando dias na minha cabeça.

Elas estavam falando que uma das coisas que elas gostam na Vênus é poder perguntar as coisas sem parecer burra.

De primeira eu juro que não entendi, aí pedi para elas explicarem e elas trouxeram coisas como isso aqui:

imagem 1

imagem 2

A gente precisa falar sobre isso.

“Se sentir burra num lugar que você tá lá para aprender”

É óbvio que num espaço educacional ninguém deveria ter medo de perguntar nada.

Perguntar deveria ser A coisa a ser incentivada.

Mas não é esse o ponto que eu acho que merece mais atenção.

Na teoria, se sentir “burra” não deveria nos causar tanto incômodo. Se estamos num espaço para aprender, o melhor que tem para o nosso aprendizado é (em teoria) estar perto de quem sabe MAIS que você. Deveríamos ficar exultantes de dividir a sala, o espaço ou qualquer coisa que seja com cérebros mais povoados em um assunto do que o nosso.

Ter noção da própria ignorância deveria ser motivo de comemoração.

“Agora eu sei o que me falta”

Mas definitivamente não é isso que sentimos.

Quando somos colocadas numa sala com gente que fatura mais que a gente, nos sentimos pequenas. Quando vemos no palco as plaquinhas maiores que as nossas, nos sentimos amadoras. Incapazes, incompetentes, longe demais de um outro lugar muito melhor do que o nosso.

E é sobre isso que eu quero falar.

EU quero que você tente imaginar um homem dizendo:

“Ai, tô me sentindo muito burro pq o João Kléber fatura o dobro que eu”“Nossa, eu nunca vou chegar onde o Carlos de sapatênis chegou”

Tentou imaginar? Num tem como.

Pois não há um espécime de homem existente no planeta que sinta a BURRICE dessa forma.

E eu tenho uma teoria.

Ao se deparar com um objetivo muito distante do seu ponto atual, os homens simplesmente agem como se chegar lá estivesse à disposição deles. Eles atribuem tudo que dá certo na vida deles a eles mesmos. Não há obstáculos, não há impedimentos.

Tudo é possível.

Jogar um foguete em Marte. Povoar a Lua. Fazer um lançamento de 10 milhões. Tudo dá.

Para nós é diferente.

Tudo que NÃO dá certo, nós atribuímos a nós mesmas.

O faturamento que não chegou. O time que depende demais de nós. A cliente insatisfeita. Tudo NÃO aconteceu por conta de nós mesmas.

Somos autorresponsáveis demais. Os homens, realistas de menos.

Desconheço uma unidade de homem que se sinta BURRO nessa dimensão que nós nos sentimos. Os homens podem se sentir humilhados, talvez, pelo sucesso do outro.

Mas nunca INTIMIDADOS.

Quase como se fosse uma questão de HONRA chegar lá.

“Não acredito que ele chegou lá e eu não vou chegar, vou sim”

Nós nos sentimos INCAPAZES. Nunca parece que vai dar para chegar lá.

“Ela chegou lá, eu nunca vou chegar”

E esse modelo mental que foi entranhado nos nossos cérebros NOS FODE LINDAMENTE. Não tem outra palavra mais polida para expressar.

Os homens convivem com a crença da capacidade ilimitada, do potencial a ser explorado. Nós, com a certeza de já termos dado tudo que podíamos. Com a sensação (mesmo que não consciente) de que o lugar onde chegamos é nosso máximo.

Eles acreditam piamente na melhoria, na evolução. Nós sentimos que o que somos é o máximo que dá para ser.

Mas se a gente olhar para a realidade do mundo, esses papéis não poderiam estar mais trocados.

Quantos homens você conhece que aos 40 anos moram com a mãe, se divorciaram 2 vezes e continuam agindo como se tivessem 20 e poucos? Quantas mulheres você conhece que assumiram responsabilidades cedo demais, cuidam de coisas demais e se tornaram 28 versões novas de si mesmas nos últimos 2 anos para dar conta do que a vida pedia?

A amiga que toma um pé na bunda e põe uma casa de pé em semanas enquanto sorri para todos, mesmo com a autoestima destruída. A colega que dá conta de casa, filho, empresa, mãe doente, enquanto mantém o pagamento de todos os boletos em dia.

Os homens vivem em um mundo muito mais estável: votar, ser votado, andar com a roupa que quiser, ter empresa, ter emprego… direitos velhos demais.

Nós, ao longo da história, vivenciamos um terreno lamacento, instável e camaleônico.

Num pode votar, agora pode. Não pode escolher com quem casa, depois pode. Não tem como evitar ficar grávida, opa, agora tem anticoncepcional.

As fronteiras onde a gente pode pisar mudam com muito mais frequência do que talvez a gente se dê conta.

A moda agora é ser magra. Mas se for muito, fica feia. É bonito ser fitness, mas não pode ter muito músculo. Não pode ter ruga, mas não pode parecer que botou botox demais.

Se existe um exemplo de adaptabilidade e evolução contínua nesse universo, esse exemplo tem ovários.

Eu não posso aceitar que a gente não consiga ver a REALIDADE diante dos nossos olhos.

Não consigo dormir à noite pensando que uma mulher capaz (mesmo que nunca tenha feito isso) de produzir ÓRGÃOS dentro de si mesma se ache BURRA porque não sabe (ainda) um punhado de informações que um homem médio nem se esforça para entender (e sai por aí vendendo curso dizendo que entende).

Ee não me conformo que a gente olhe para o espelho e sinta MEDO de não conseguir chegar “lá”. Não podemos nos conformar.

Eu tenho encontrado, na minha década trabalhando só com mulheres, muito mais mulheres intelectualmente BRILHANTES do que mulheres burras. Posso te dizer com SEGURANÇA que não conheço esse espécime “burra” que nós tanto achamos que somos.

Eu conheço a espécie insegura. E que, por ter sido subestimada por tanto tempo, confunde insegurança com burrice.

Não é burrice. É que te convenceram que você não pode ser mais do que JÁ É.

É essencial para a dominação de um grupo que você convença ele que tudo que ele tem hoje é o máximo que vai ter. Quem acha que não tem nada melhor a conquistar não se move para tomar o que é seu.

Quem é burro, por definição, não seria capaz de perceber que o é. É necessário ter CONHECIMENTO do que NÃO se sabe para saber que não se sabe. Ou seja, todas as vezes que você percebe que o conhecimento que está recebendo está além daquele que você mesma possui, só é possível isso pq você consegue PERCEBER um conhecimento acima do seu.

Entende o que eu tô falando? Apenas uma mente com CAPACIDADE DE APRENDER se incomoda com o que não aprendeu ainda.

Você não é burra. E eu te proíbo de se referir a si mesma como tal daqui para frente.

Você pode dizer que é iniciante, aprendiz, ignorante… mas nunca jamais, em hipótese alguma, burra.

O burra que eu trago aqui não é a palavra em si, é esse sentimento nocivo que coloca um teto nas nossas cabeças. É um aviso de “não ouse querer mais do que o que você tem”.

Ao perceber a grandiosidade do outro, seja uma pessoa, um negócio, um projeto, você tem que se lembrar que ninguém consegue ver aquilo que não tem capacidade para enxergar.

Ee não sou burra em física quântica, eu só nunca parei para estudar esse caralho. Se disso dependesse o pagamento dos meus boletos, eu daria um jeito e aprenderia.

E eu tenho certeza absoluta que você também faria o mesmo.

Os homens podem se perceber ignorantes e ainda assim continuarem crendo que poderiam ser eles mesmos os detentores daquele sucesso que ainda não é deles. A gente se acha burra e entende que isso é uma sentença definitiva: só chegaremos até aqui.

E aí você vai mudar o tempo verbal.

Não é que você só vai CHEGAR até aqui, é que aqui é até onde você JÁ CHEGOU.

Burra é mãe.

Você está aprendendo.

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