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Carta 189

Deixa para lá

A carta de hoje é direta e reta, vou contextualizar de onde tirei ela. Desde que voltei de férias, estamos recebendo uma enxurrada de novas empresárias na Vênus, e toda vez que chega uma empresária nova, a gente conhece…

Gestão de negócios

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!

Como a senhorita chega no dia de hoje?

A carta de hoje é direta e reta, vou contextualizar de onde tirei ela.

Desde que voltei de férias, estamos recebendo uma enxurrada de novas empresárias na Vênus, e toda vez que chega uma empresária nova, a gente conhece uma história velha com personagens novas.

Vou explicar.

Boa parte do que você vive na sua empresa, dos BOs, pepinos, chateações, tu acha que é só com você.

Que a senhora floquinho de neve, único no mundo, vive dilemas únicos.

Não é.

A gente tá careca, calva, cabeluda de ver as mesmas histórias, repetindo centenas de vezes.

Mas tu não tem como saber, afinal você não tem uma escola de gestão e não paga suas contas conhecendo negócios de outras mulheres. Tu tá focada no seu.

E tem uma história muito recorrente, que é “deixar para lá”.

Vou explicar:

Uma mentorada deusa contou para nós, na análise dela, que alguns clientes dela acabaram atrasando pagamentos e ela deixou para lá.

Por uma série de motivos, ficou por isso mesmo.

Ok, nem todas as batalhas a gente tem energia para lutar.

Porém, contudo, todavia, entretanto, o “deixa para lá” dela era uma quantia irrisória de mais de trinta mil reais.

Trinta.

TRÊS ZEROS.

Trinta mil.

Eu num sei em que país você vive, mas no meu 30 mil dá para fazer coisa para caramba.

O deixa para lá dela dá para ser uma senhora bela reserva, para saber que pode ficar doente em paz e a empresa não vai quebrar.

Um investimento considerável em tráfego, para trazer mais leads com menos esforço.

Um punhado de contratação, para ela ter mais tempo para viver enquanto a equipe trabalha para ela.

Férias belíssimas em praias azulíssimas.

Uma caixa com quantidades abissais de brownie.

Dá para fazer muita coisa com 30 mil dinheiros.

Mas a carta de hoje não é sobre os 30 mil DINHEIROS em si, mas sobre como temos tanta facilidade em deixar para lá o que é nosso.

O lugar na fila que furaram na nossa frente.

O lugarzinho no show que ocuparam no nosso lugar.

A vaga que estacionaram mesmo a gente dando seta.

Brigar por tudo o tempo todo cansa.

Exaure.

A gente não precisa reivindicar tudo, mas uma caixa lotada de brownie tem que valer a pena a briga.

É urgente que a gente tome posse do que é nosso.

Dinheiro.

Tempo.

Bens.

É nosso.

Brigar num é um trem que a gente foi treinada para fazer.

Acho que nos falta essa peça.

Reivindicar, gritar, exigir parece que sai do nosso escopo de dons.

Num é natural.

Mas assim, foddassy.

Sutiã também num é, e a gente usa.

Eu não sei qual é o trem que você tá deixando para lá.

Com cliente, namorado, marido, conhecido, colega, justiça, Estado.

Se isso envolver sua saúde, seu tempo ou seu dinheiro, não deixe.

Pode gritar aos quatro cantos que, se não resolver, eu vou pegar a pessoa na porrada.

Ou na enxurrada de palavras, que nessa eu sou boa também.

Não deixe para lá.

Pega o que é seu.

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