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Carta 181

Futum

Eu chego comemorando com o time recorde de vendinhas. O coisa boa é bater (e dobrar meta), né não? Todos os problemas do universo parecem ter se dissolvido. Um alinhamento astral perfeitamente posicionado onde nada mais…

Gestão de negócios

BUENAS TARDES, MARAVILHOSAS!

Como a senhorita chega essa sexta?

Eu chego comemorando com o time recorde de vendinhas.

O coisa boa é bater (e dobrar meta), né não?

Todos os problemas do universo parecem ter se dissolvido.

Um alinhamento astral perfeitamente posicionado onde nada mais pode dar errado.

Vocês também são assim?

Eu, felizmente ou não, vim com essa doença.

Todas as minhas enfermidades são curadas com vendas.

A adrenalina de fechar uma venda às 23:59.

A animação de ter mais uma mentorada nova que jamais tinha pisado em terras Fluidas antes.

A empolgação do time quando a gente ajusta processo, funil e os carai, e os indicadores começam a ficar tudo azulzinho.

Paz para meus ouvidos.

Mas o tema da carta de hoje não é vendinha, não.

Nem bater meta (vamos falar disso talvez semana que vem).

HOJE eu quero falar sobre problemas VELHOS.

Sim, vou contextualizar.

Estamos a 9 dias do fechamento do mês.

E mês que vem eu entro de férias, então estamos 539% focadas nas metas.

Todo dia estamos conversando com o time comercial para empurrar a mulherada que tá em cima do muro para finalmente tomar uma decisão sobre seus negócios.

Do tipo “vaaaaai, minha senhora.”

Nessa análise do comercial, muitas leads bem antigas ressurgem das cinzas de tempos em tempos falando “galera, agora é minha vez.”

E aí, gente, que eu vi um padrão extremamente chocante.

E vim aqui dar uma bronca (com amor) em vocês.

1500 → A empresária diz que tá com um problema com a vendedora dela e que precisa de ajuda.

2026 → ela volta dizendo “gente, vocês ainda conseguem me ajudar com aquele BO com a vendedora?”

É CLARO que a gente consegue.

Hoje, amanhã e em 1500.

O ponto é: por que raios você tá convivendo com esse MESMO problema há tanto tempo

Óbvio que temos as circunstâncias pessoais, de saúde, da vida… não tô falando disso.

Tô falando de se ACOSTUMAR a viver uma situação bem marromeno.

E ficar durante semanas, meses, anos falando “preciso resolver tal coisa.”

Presta atenção comigo: descobrir qual é o problema já é tipo metade do trabalho.

Você conseguiu descobrir qual é, viu que se ele fosse resolvido sua vida ia ficar muito melhor, conseguiu se imaginar vivendo os momentos de glória quando esse problema já não seria mais uma preocupação, viu dezenas de resultados de outras empresárias dizendo que a vida delas ficou muito melhor quando também resolveram a mesma coisa que você quer resolver.

Aí você pega toda essa epifania e faz o quê?

Senta em cima dela por CINCO ANOS.

Minha senhora, me ajuda a te ajudar.

Ou melhor, SE ajude a se ajudar.

Imagina a cena comigo.

Você sai para dar uma caminhadinha até o comércio mais próximo.

Bota seu tênis de caminhada e vai cantarolando no final da tarde em direção ao seu destino.

O ar está puro, os passarinhos cantam e o sol de fim de tarde deixa tudo dourado e lindo.

Não mais que de repente você sente um cheiro pútrido se enfiando pelas suas narinas.

Aquele odor começa a destruir sua idílica experiência de caminhada campesina.

Você já não consegue mais prestar atenção em nada, tamanha a nuvem de futum.

Sem entender de onde a carniça vem, você olha para os lados e não vê nada.

Eis que te bate uma luz e você levanta o pé para olhar na sola do sapato.

E aí cai a ficha.

Você pisou num IMENSO COCOZÃO DE CACHORRO.

Por um instante você até duvida se seria um cachorro ou um cavalo, tamanho o porte do bostolhão.

Fresquinho ainda por cima.

Parece que o dono da peça acabou de passar por ali.

É isso — você está com o pé todo cagado.

O tênis, coitado, precisará de uma lavagem ou quem sabe um exorcismo.

Nessa situação: o que você faz?

Você deve estar clamando com as mãos para cima enquanto fala em voz alta:

“Mari, pelo amor de Deus, é claro que eu limpo a merda!”

Sim, cara gafanhota, claro que você deveria limpar as fezes do canídeo.

Faz todo sentido.

Mas se eu te disser que ao invés de limpar toda a meleca você toma uma decisão diferente

Você olha para o pé em condições lastimáveis e diz:

“Ah, nossa, que bom que descobri a causa desse futum. Finalmente. Essencial tirar esse cocô daí.”

E você segue andando. Sua caminhadinha não pode esperar.

Você vai até o comércio do bairro com o tênis todo embostolhado, deixando um rastro de odor putrefato no ar.

O seu Zé da padaria olha para você com espanto, as velhinhas da praça torcem o nariz, a criança no parquinho começa a lacrimejar, tamanha a acidez do artefato que você carrega pendurado no seu pé.

Mas nada te abala, pois você já está há tanto tempo com aquele cheiro nas suas narinas que você até deixou de perceber que ele tava ali.

Mas você pensa com você mesma: “Nossa, que bom que eu descobri que era um cocô.”

E você segue a sua vida com o pé todo cagado, ficando feliz todos os dias porque pelo menos SABE que a bosta tá lá.

Essa é você.

Muito provavelmente você JAMAIS passaria mais do que alguns minutos com o tênis enlameado de dejetos caninos.

Uma vez identificada a causa do cheiro azedo, você imediatamente correria para pegar um papel, arrastar o pé na grama ou lançar o tênis num incinerador.

Mas você não viveria 2 dias, 2 meses, nem 2 anos com o pé naquelas condições.

Conseguiu pegar a analogia?

Você não faria jamais isso se tivesse pisado em um cocô.

Mas você está fazendo a mesma coisinha com esse problemão aí na sua empresa — que você já sabe qual é e não foi pegar o papel para limpar.

Eu vou te dar um sacolejo com todo o amor que cabe em meu corpo de menos de 1,60 de altura:

PARA DE ACEITAR ESSA MERDA.

Por que você vai conviver com o MESMO FUCKING problema mais tempo do que o necessário para resolvê-lo?

Não há motivos.

Mas a vida acontece, as prioridades pulam na sua cara, emergências aparecem e você continua andando pela cidade com um cocozão no tênis.

Você não deveria se acostumar a andar com coliformes fecais a tiracolo.

Não se acostume com os problemas da sua empresa que você vem empurrando com a barriga.

Cata o papel.

E vai limpar.

E se quiser que a gente te ajude, favor responder esse e-mail. Mas tira o sapato.

Que no país Fluida, todos os tênis cagados ficam do lado de fora.

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