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Carta 174

Bonitinha, mas ordinária

Mulheres gastam tempo e dinheiro deixando as coisas bonitas nas suas empresas quando deveriam focar em fazer dinheiro primeiro. Acerta a receita do chocolate, enche de purpurina depois.

Gestão de negócios

BUENAS, MARAVILHOSAS.

Como a senhorita chega hoje?

Tá mais numa vibe PF ou PJ nesse belíssimo feriado?

Pois do lado de cá, tô num mix entre PF e PJ pois obcequei levemente com um trem chamado Claude nos últimos dias. E estou há 48 horas automatizando toda a gestão da Fluida sem parar tal qual uma viciada em entorpecentes fortíssimos.

Mas hoje a carta num é sobre isso não.

Comecei esse papo ontem lá no grupo da Vênus e rendeu alguns ácidos chás de realidade.

Quero que você tome um golinho dele também hoje. Açúcar?

Deixa eu contextualizar:

Uma das minhas mentoradas me fez uma pergunta sobre qual ferramenta usar para criar um formulário — se devia investir numa ferramenta mais cara e bonita ou numa mais simples e funcional.

Parece uma pergunta trivial, simples até, né?

Mas num é.

Não se estivermos falando de MULHERES tomando essa decisão.

Vou explicar:

Existe um contexto cultural que faz com que nós, mulheres, gastemos muito tempo com a aparência. A gente tem que ficar bonita. O cabelo, a unha, a virilha, o peito, a barriga, a bunda, a estria, a celulite.

(Me dá canseira só de LISTAR a quantidade de itens aqui)

A lista não tem fim, certo?

Certo.

O que eu vejo claramente é esse mesmo padrão se repetindo dentro das nossas empresas. E a gente nem vê.

As mulheres se preocupam em ficar bonitas. Os homens se preocupam em ficar ricos.

Basicamente é essa a dinâmica da nossa sociedade.

E ela migra, sem pedir licença, por favor, dá um espacinho, para dentro dos nossos negócios.

Mulheres gastam muito dinheiro e um tempo descomunal deixando as coisas bonitas.

Escritório bonito. Identidade visual bonita. Site bonito. Fotos bonitas pro Instagram. Posts bonitos. Propostas bonitas. Nome de empresa bonito.

Coisas bonitas.

Só que coisas bonitas não resolvem problemas.

E o que não resolve um problema: NÃO FAZ DINHEIRO.

Já acompanhei mulheres que gastam meia hora criando uma capa maravilhosa para um post no Instagram que não gerava lead nenhum.

Já vi com meus olhos que a terra há de comer que gastaram o caixa inteiro da empresa com cadeiras e decoração nova para o escritório que num tinha nem meia dúzia de cliente ainda.

Nada disso é uma crítica, é um diagnóstico de como a nossa sociedade patriarcal funciona.

É um “pelo amor de deus, não queima sua grana em troços bonitos que não fazem graaaana.”

Não tô aqui pra falar que o belo não importa, nossa sociedade já faz questão de mostrar que importa sim dia após dia.

O grande ponto que eu quero trazer pra senhorita hoje é: foca primeiro em FAZER DINHEIROS. Depois dos dinheiros, você embeleza o resto que precisar sem que isso atrapalhe a possibilidade de fazer mais dinheiros.

Ou seja, se você precisa fazer um formulário, gaste seus belíssimos neurônios pensando nas PERGUNTAS certas e não na ferramenta que o form será hospedado ou na poha nas cores que ele vai ter.

Captou leads? Vendeu? Colocou dinheiros no caixa da empresa?

Legal, agora você pode melhorar a aparência do formulário, trocar de ferramenta, colocar uns borogodós, glitter e até anjinhos angelicais nus cuspindo água.

Quero que a senhorita crie o hábito de colocar as coisas no mundo primeiro e DEPOIS gaste tempo deixando elas mais belas, atrativas, high tickets e blá blá blá.

Chega a ser enlouquecedouuuuura a quantidade de vezes que recebi mulheres BRILHANTES que não tinham colocado produtos, ofertas e qualquer coisa no ar porque ela não estava bonita o suficiente ou demoraram muito mais do que precisavam por conta disso.

Nisso, os dinheiros que já poderiam estar entrando não estão porque a parede num tá decorada.

Bonito não é sinônimo de boa experiência. Ponto final.

Leia de novo.

Bonito não é sinônimo de boa experiência.

Quantas coisas lindinhas vocês já compraram cuja experiência foi uma bela merda?

A experiência está muito mais ligada ao processo, à sequência de ações que você faz com o cliente, do que à beleza de cada etapa.

Pra ficar concreto: já recebi um formulário maravilhoso. Lindo, tocava uma orquestra sinfônica dos Budas do Himalaia ao fundo.

Respondi tudo com os dados da minha empresa. Aí o vendedor veio falar comigo no WhatsApp e me perguntou tudo de novo.

Tudo o que já estava no formulário.

Ele não leu a poha do formulário simétrico e sinfônico.

A empresa não se importou.

Ou seja, bonitinho mas ordinário.

É disso que nosso mercado tá cheio hoje.

“Ai, Mari, não sei, o encantamento do cliente é tão importante.”

Sim, meu amô, ele é.

Mas encantamento do cliente tampouco num é fingir que as coisas funcionam porque elas são bonitas.

É ter coisas que funcionam para CARALHO sendo bunitinhas também.

Se você não tá convencida ainda, pensa na Disney.

A Disney, que é provavelmente a empresa mais conhecida do mundo quando o assunto é encantamento, não tá falando de beleza, tá falando de processo.

O PROCESSO DE ATENDIMENTO da Disney é o encantamento. É o que os atendentes fazem, como reagem, o que dizem quando a criança chora, quando o sorvete cai no chão, quando a família está exausta.

Não tem nada a ver com a cor do quiosque do sorvete.

Foda-se se é azul ou amarelo ou coberto de glitter.

Se o atendente for grosso, tiver um bafão e entregar o pedido errado, pode ter o Mickey dançando pole dance bem em frente da sua pessoa que você vai achar tudo uma bosta.

Pra sua próxima semana, espero que, se você estiver no dilema entre beleza e gestão, você escolha gestão.

Porque tem um macho sapatênis enviando proposta num documento Word fazendo mais dinheiro do que você que passa 3h no Canva pra fazer uma proposta com a sua identidade visual que você pagou 15k pra fazer.

Pode ficar com raiva.

O macho que não sabe um terço do que você sabe entrega um PDF em branco e rouba seu cliente enquanto você faz ensaio de fotos.

Não que você não tenha que gastar tempo com isso, você só precisa botar as coisas na ordem certa.

E para te provar que até você concorda comigo, vamos brincar de Silvio Santos.

Aquela brincadeira que a pessoa fica de fone de ouvido sem ouvir nada e o apresentador pergunta se ela quer trocar uma televisão por um pato de borracha, sabe qual é?

Pois ponha seu fone que eu sou o Silvio Santos.

Vou te dar a oportunidade de escolher seu ovo de páscoa.

“Você quer um ovo de páscoa belissimamente decorado com listras brilhantes com um apetitoso recheio de meia molhada?”

(Vai, sua vez de responder.)

“Ou você quer um ovo de páscoa totalmente liso, oval, sem nenhum formato especial mas recheado de brownie com camadas de nutela, ganache de chocolate e farofa de paçoca?”

Acredito que meia molhada não está no seu rol de iguarias preferidas.

Acerta a receita do chocolate primeiro.

Enche de purpurina depois.

Valida a proposta primeiro.

Embeleza ela depois.

Gestão primeiro.

Beleza depois.

Beijos sem paleta nova de cores,

Mari Fernandes

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