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Carta 171

Caralh* de bytes

Uma semana de tecnologia desastrosa: notebook com tela queimada, plano B lento demais, tablet com teclado bugado e CRM falhando no meio de um lançamento. A lição? Tenha plano A e plano B — e faça backup.

Reflexões duvidosas

BUENOS DIAS, MARAVILHOSAS!

Como a senhorita chega no dia de hoje?

Eu quase não chego. Tanto não cheguei que a gente sempre manda a carta por volta das 17h e já são quase 21h e agora eu sentei minhas nádegas no escritório para escrever a carta dessa semana.

(Você só está recebendo no sábado de manhã pois mandar um e-mail sexta às 22h certamente afetaria demais a taxa de abertura)

Os últimos dias foram dignos de uma série de comédia duvidosa

que a gente ri, mas nem tanto.

Vou descrever pequenos acontecimentos que enfrentei ao longo dos últimos 7 dias.

Domingo eu encasquetei que queria comprar mouse e teclado novos. Simplesmente baixou o espírito ragatanga e eu falei: “vou na loja comprar hoje”.

Sr. Fluido, que é bem mais comedido que eu quando se trata de gastar dinheiros, falou:

“Amor, mas você pode pedir mais barato pela internet, não quer esperar?”

Eu tinha coisas muito mais interessantes para fazer no meu domingo do que comprar periféricos.

Mas por algum motivo eu estava determinada a fazê-lo.

Cheguei na loja e passei por volta de quase uma hora pesquisando as especificações dos trem na internet.

Eu não sei você, mas uma coisa que eu ODEIO são equipamentos eletrônicos que funcionam, porém não para o que você precisa.

O fone que é ótimo mas não tem o cabinho certo para o buraco do seu celular.

O mouse silencioso mas que precisa de uma pilha que você tem que atravessar 3 fronteiras para encontrar.

A webcam com resolução da NASA mas que precisa de um adaptador USB-C Z Y Z para conectar no seu notebook e de configurar o RAM do SSD para trabalhar com a resolução máxima.

Troquei vários papos com o Gepeto (mais conhecido como ChatGPT) e escolhi os queridos.

Um mouse branco tão silencioso quanto eu gostaria que fossem os redpill e um teclado belíssimo, levíssimo e branquíssimo, o que também me agrada.

Eu PRECISAVA desses dois? Não. Mas eles iam tornar minha vida mais fácil.

Como talvez eu já tenha comentado, eu tenho um escritório em casa e outro fora de casa. Então ficar levando coisa de um para o outro é um pé no saco para quem já está na categoria 35+. Por isso, decidi que ia duplicar tudo e ter tudo que eu uso tanto no home office quanto no QG da Fluida.

Comprei o mouse e o teclado domingo. Guarde esse dia.

E guarde também que duas semanas atrás eu comprei também um novo monitor (eu já tinha uma segunda tela no home office e comprei uma para o QG também).

Na segunda, sentei belíssima na frente do meu notebook, comecei a extravasar toda a minha energia de execução típica de segunda-feira quando me abaixo para pegar o celular e responder um trem.

No que estou com a cabeça baixa, olhando para o celular, minha visão periférica capta algo estranhíssimo.

A tela do meu notebook, que outrora era cheia de cores, piscou e ficou verde.

Não um verde sólido, mas como se tivesse aplicado um filtro verde em tudo que eu tava vendo.

Pisquei duas vezes pensando ser estafa visual ou qualquer outra maluquice.

O verde continuava lá.

Meu notebook estava verde. Bem verde.

O porém é que era um verde apagado que me impossibilitava de ver direito o que tava na tela.

Sem chance de trabalhar assim.

Corri para o Gepeto novamente e ele diagnosticou:

“Ou é tela queimada ou problema de software, sei lá o quê. Teste colocar o seu notebook em um segundo monitor. Se funcionar, queimou a tela.”

Eu, feliz da vida de ter comprado a segunda tela, me senti a deusa mais precavida do universo

e falei:

“Tá no papo.”

Conectei o bendito na segunda tela e diagnóstico concluído.

Tela queimada.

Pensei eu que então tudo estava resolvido. Eu usaria mais alguns dias o notebook já conectado na segunda tela e algum dia eu levaria ele para trocar a tela.

O problema é: meu trabalho É dentro das telas, todo santo dia.

Que dia eu poderia simplesmente levar o meu escritório para o conserto e ficar sem ele?

Pensei eu “ah, eu tenho um plano B. Vou usar o notebook que eu tenho de backup enquanto o outro vai para o conserto.”

Peguei o notebook do plano B.

Liguei. A telinha acende e me deparo com o que parecia ser uma lua cheia no canto da tela.

Lembrei por que ele tava de plano B.

O danado tinha queimado uns pixels na tela e por isso eu comprei o outro.

Tá.

Eu não vou conseguir usar esse canto da tela, mas assim, ainda dá para usar nos dias que o outro estiver no conserto.

Mais uma vez eu não poderia estar mais errada.

Clico no ícone do Chrome.

E ficamos por isso mesmo.

Nada.

Nada abriu.

O bicho tava mais lento que neurônio de guru de sapatênis.

28 segundos (eu contei) para responder a um clique.

Tá, beleza. Esse aqui não vai dar.

Vamos pensar em outra solução.

Reflito alguns segundos.

JÁ SEI.

Me sentindo agora a PRÓPRIA MacGyver da tecnologia.

Eu tenho um tablet belíssimo. Conecto ele no monitor, a tela vai ficar grande e eu uso ele com o mouse e o teclado novos para ficar mais ergonômico.

Dá tranquilo para ficar uns 2 dias assim enquanto o outro conserta.

Que bênção que eu encasquetei de comprar o mouse e o teclado domingo, pensei eu.

Comprei domingo e um dia depois são eles que vão me salvar de um notebook com tela queimada.

As deusas me amam.

Peguei minhas coisinhas de empresária tecnológica e fui montar meu belíssimo setup.

Liga tablet.

Conecta webcam no cabo.

Conecta cabo no tablet.

Agora conecta mouse.

Certo, vamos conectar o teclado.

Teclado conectado.

TUDO FUNCIONANDO LINDAMENTE.

Ah, que paz.

Abri o mapa mental do aulão que vou dar semana que vem.

Me deliciei com a sensação de ter resolvido todos os obstáculos tecnológicos que se postaram diante da minha pessoa.

Me senti uma adulta premium e comecei a trabalhar no mapa do aulão.

Assim que digito a primeira palavra “vender”, olho para a tela e está escrito “vendervender”.

Penso que posso ter escrito rápido demais e acabei digitando a mesma coisa duas vezes.

Apago o “vendervender”.

O segundo “vender” some, mas em um piscar de olhos RESSURGE DAS CINZAS.

Tá.

Eu não tô louca.

Esse troço tá digitando sozinho.

Recorro novamente ao meu mais novo assistente para tecnologias.

“Chat, o caralho do teclado que acabamos de configurar tá escrevendo tudo errado.”

O chat me faz 29 perguntas, me pede para fazer 15 testes e me diz:

“O teclado tá em ABNT alguma coisa e precisa estar em XPT outra coisa. Faça isso e isso para resolver.”

Vou lá, faço o tal do isso e isso e, depois de entrar no submundo das configurações de idioma de um tablet, consigo.

PROBLEMA RESOLVIDO PELA GLÓRIA DA SENHORA DOS BYTES.

Digito lindamente.

As palavras saem exatamente como o português manda.

Não sabia o quanto podia ser prazeroso ver na tela exatamente o que você tinha digitado.

Paz no reino.

Eis que eu preciso colocar um ponto de interrogação em um certo braço do mapa.

No lugar da interrogação me aparecem dois pontos.

POR QUE ME ODEIAS, DEUS?

(pensando com ponto de interrogação, porém sem poder usá-lo na vida real)

Nesse momento eu já tinha perdido as estribeiras.

Já estava prestes a cometer um crime virtual e respirava profundamente tentando não socar a tela na minha frente.

Sr. Fluido do meu lado intervém delicadamente e sugere:

“Posso te ajudar?”

Eu já queria mandar ele, o Gepeto e o filho da mãe que criou a energia elétrica para a casa de Judas, mas eu precisava trabalhar e nenhum conjunto de caracteres numa tela brilhante me impediria.

Me retirei do cômodo e deixei Sr. Fluido trabalhando em conjunto com o Gepeto.

Alguns minutos me acalmando foram suficientes para o problema ser solucionado.

Seria uma vitória?

(tentem imaginar com ponto de interrogação)

Toda minha crença na tecnologia já tinha ido por água abaixo, mas eu tava com ideias MARAVILHOSAS para o aulão na cabeça e precisava colocar elas para fora.

Abro meu novo setup composto de 32 dispositivos, 15 periféricos e 9 cabos e começo o teste.

Interrogação é interrogação.

Cedilha é cedilha.

Acento agudo NÃO É acento agudo.

Desisto dos acentos.

Aceito a derrota e me concentro em todo o resto que está funcionando.

Tudo flui.

Tudo funciona.

Lindo, maravilhoso.

Pontos de interrogação, vírgulas e palavras escritas em um inteligível português (ainda que sem acentos corretos).

VENCI.

Terminei o que tinha para fazer, desliguei o tablet e fui dormir.

No dia seguinte segui com meu trabalho no diminuto tablet.

Resolvo trem daqui, respondo mentorada dali.

Não eram as condições ideais, mas totalmente possível de fazer por alguns dias.

Até que recebo uma mensagem do time dizendo:

“Mari, a mensagem que você mandou para a lead tal no WhatsApp não tá aparecendo aqui no CRM.”

Eu mandava um trem para uma lead e só aparecia para mim.

A outra sereia mandava outra mensagem e só aparecia para ela.

Veja bem.

Estamos NO MEIO da captação de um mini lançamento que é o aulão para prestadoras de serviço que vamos dar semana que vem.

Tem DINHEIROS escoando em cada lead que chega e não é respondida.

Eu já estava em condições deploráveis de tecnologia e ainda me vem mais essa?

Sim.

Mais essa.

O CRM deu pau.

Bom.

Conversa com suporte.

Conecta trem.

Desconecta trem.

E até agora não sabemos se tá resolvido.

Mas o que isso tem a ver

com a senhorita?

Um total de zero unidades.

Nada vezes nada.

Mas tem dia que o que a gente tem para compartilhar é só isso mesmo: uma caralhada de pepino nada glamouroso que ingerimos nessa vida de CNPJ.

E a lição do dia é

“tenham plano A e plano B”.

E quando nenhum deles funcionar, faça uma carta para a sua audiência extravasando todo o seu stress com a tecnologia.

Aceito explicações astrológicas, astronômicas e espirituais.

As técnicas eu estarei passando.

FAÇAM BACKUP nos trem de vocês.

Beijos em condições deploráveis de tecnologia.

Amém.

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