Carta 170
Vergonha de profissión
Depois de ver o Pesadelo na Cozinha, Mari reflete sobre como a imagem do consultor que humilha impede mulheres de pedir ajuda nos seus negócios — e por que isso precisa mudar.
BUENAS TARDES MARAVILHOSAS!
Como a senhorita chega no dia de hoje?
No dia de hoje vamos conversar sobre um reality show.
Sim, mas não é o BBB, calma, respira.
Esses dias eu tava com vontade de ver um trem que não exigisse um centavo de cérebro da minha pessoa.
Abri meu streaming (sem nomes pois não farei publi de graça, pois influencer que sou, ó, faço agora recebendo) e peguei a primeira coisa que me apareceu: “nova temporada”.
Eis que a escolhida foi a série Pesadelo na Cozinha, daquele chefe de circunferência barrigal avantajada, o Jacquin.
Você já deve ter visto ele no MasterChef ou outro troço de cozinha por aí.
Bom, eu não sei se você já viu essa série, mas o enredo é assim:
Eles selecionam restaurantes que estão à beira da falência, o chefe passa uma temporada lá dentro, reforma o trem, muda o cardápio e “ensina” o dono como fazer o restaurante dar bom de novo.
Parece ótimo, né?
Pois não.
Se você já viu qualquer trem desse chefe já deve ter visto que ele não é lá muito amigável.
Digamos que em muitos momentos ele tem ataques dignos de uma criança de 4 anos que está sendo impedida de enfiar o dedo na tomada.
Joga coisas no chão.
Grita alto.
E gesticula como se fosse a coisa mais trágica do universo.
Para além dos ataques de pelanca, a relação com o pobi do dono do restaurante é permeada por:
“A culpa é sua”
“Essa comida é muito ruim”
“Isso aqui tá uma merda”
“Você vai decepcionar a sua família”
O dono do restaurante quase assenta com a cabeça e permanece calado.
É nítida a vergonha e o constrangimento por estar fazendo tudo “tão errado”.
O tudo errado é:
- Decoração do restaurante ultrapassada
- Prato com sabor “ruim” de acordo com o chefe
- Cozinha bagunçada
- Desavenças entre os funcionários
Todos 100% problemas de gestão.
Esse primeiro episódio é longo, tem mais de uma hora.
Eu não conseguia parar de assistir.
Dentro de um ambiente de cozinha eu conseguia ver todos os erros de gestão ali explícitos.
Uma liderança que não sabe se posicionar, um cardápio que não foi feito pensando no lucro, compra de matéria-prima em cima da hora pagando mais caro.
Tudo que em qualquer empresa do mundo, de qualquer segmento, pode acontecer.
E geralmente acontece.
E por que acontece?
Porque o empreendedor brasileiro é amador.
A maior parte deles abriu uma empresa na pura cara e coragem.
No caso desse episódio o dono abriu um restaurante em homenagem ao pai.
O pai era dono de bar e acabou falecendo de câncer. Ele decidiu “continuar o legado” do pai e abriu o restaurante com tudo que tinha aprendido durante anos trabalhando com o pai desde jovem.
Ele não fez faculdade de administração, não passou em 9 consultorias do Sebrae, nem fez um planejamento estratégico com o mentor de Alphaville.
Ele tá lá errando todo dia, tomando no cool todo dia e tem a nítida sensação de que tudo de errado é culpa dele.
NÃO É.
Ninguém pode ser cobrado para executar algo que nunca foi ensinado para fazer.
Eu fiz questão de ver o episódio inteiro simplesmente porque aquilo tava me deixando tão incomodada que eu não conseguia aceitar que era isso mesmo.
O chefe estava ali como o detentor do conhecimento.
Como quem sabe tudo e os outros não sabem nada.
Gritos, humilhação, constrangimento, autoritarismo.
E o dono do restaurante ali ouvindo tudo e dizendo
“por favor, não vai embora que eu preciso da sua ajuda”.
Eu tive 29 tipos de sentimentos e uma leve insônia esse dia.
Porque me incomodou
tanto.
Existia ali uma pessoa com experiência, que já tinha errado e acertado muito na vida, com um vasto currículo na gastronomia, com um grande sucesso consolidado usando tudo que ele sabia para HUMILHAR quem não sabia.
Foi isso que me deixou incomodada.
Eu sempre acreditei que o conhecimento é um dos trens mais lindos do mundo se for compartilhado.
Eu tenho verdadeira paixão por ver alguém que não sabia algo passar simplesmente a SABER porque eu dei uma aula, fiz um vídeo ou gravei um áudio.
Em minutos aquela pessoa deixa de ser a versão anterior e vira uma versão 2.0 que agora sabe.
E agora que ela sabe ela pode usar essa sapiência e fazer a vida ficar mais fácil para ela.
Um jeito diferente de dar feedback para o funcionário.
Um número que ela não acompanhava e passa a acompanhar.
Um processo que nem sabia que podia ter que dá um tico mais de paz para o dia dela.
Ver um “consultor” usando tudo que ele sabe para envergonhar quem não sabe me remexeu o estômago.
A segunda coisa que me cutucou os intestinos é que eu percebi que talvez essa seja a visão inconsciente que nós criamos do que é um “consultor empresarial”.
Alguém que sabe muito e que usa tudo que sabe para te mostrar como você não sabe porra nenhuma.
Eu, como consultora, advisor e mentora, não poderia discordar mais disso.
É claro que existe todo um show business aí que certamente exagera o personagem “malvado” do Jacquin em nome do entretenimento.
Personagens vendem.
Mas, para além disso, eu fiquei pensando: quantas empresárias não pedem ajuda porque acham que quando pedirem serão envergonhadas com tudo de errado que estão fazendo?
Eu não tenho uma resposta numérica exata.
Mas eu recebo toda santa semana empresárias nesse contexto aqui:
- Compram algum programa da Fluida e já na primeira reunião começam me pedindo “desculpa pela bagunça”
- Já ouvi várias delas falando “ai Mari, tô nervosa para esse encontro, já tô preparada para tudo de cagado que eu tô fazendo”
- Outras dizem “Mari, sim, eu quero muito ser uma Fluida, mas preciso organizar minha empresa antes para isso”
Vamos destrinchar esses casos.
Por que uma mulher sente que precisa me pedir DESCULPA por estar me dando dinheiro para eu fazer algo que eu AMO?
Por que uma empresária sente que precisa ORGANIZAR a empresa dela ANTES de entrar em um programa de gestão?
Porque de alguma forma elas acham que o meu papel ali é JULGAR tudo que elas já fizeram.
Como um tribunal da inquisição empresarial.
Elas estão preparadas para serem envergonhadas por tudo que não sabem sobre como criar, crescer e manter uma empresa rodando.
E por isso eu fiquei tão incomodada com essa porra desse reality.
Ele reforça exatamente essa visão.
Quantas mulheres estão vivendo problemas 100% resolvíveis
em suas empresas e estão tentando resolver sozinhas simplesmente porque têm vergonha de pedir ajuda?
Quanto dinheiro tem deixado de ser feito
porque elas acham que precisam se organizar ANTES de contar com a ajuda de quem vai justamente organizar os seus negócios?
Não dá.
Isso é inaceitável para mim.
Então hoje eu vou consertar a cagada
do Jacquin.
Eu vou te dizer exatamente qual é o papel de uma consultora, mentora, conselheira ou qualquer pessoa que tenha conhecimento sobre empresas e se propõe a vender ele para te ajudar.
- O meu papel e de todas as consultoras e sereias da Fluida é usar o que a gente sabe para que a vida vivendo a sua empresa seja mais fácil.
- Você não precisa saber PORRA nenhuma de gestão para entrar na Fluida. Se você já soubesse tudo, para que você precisaria da gente?
- Nós NUNCA NUNCA NUNCA NUNCA vamos julgar nada que você tenha feito na sua empresa no passado. A gente existe justamente para que você NÃO precise fazer uma pós-graduação em gestão empresarial para cuidar da sua empresa e da sua vida.
- Não importa quantas cagadas você fez, quanto você tenha vergonha do que não sabe fazer. Nossa missão é te ensinar no seu ritmo, do seu jeito.
- A gente acredita que o conhecimento é um presente e não uma autorização para humilhar quem não sabe. Nós vamos saltitar de felicidade com cada nova coisa que você aprender e aplicar no seu negócio e vamos repetir o processo com você quantas vezes você precisar para se sentir segura para fazer sozinha.
- Nenhuma mulher deveria sentir vergonha de pedir ajuda.
- Nenhuma mulher deveria ganhar menos e trabalhar mais simplesmente porque ela acha que vai ser humilhada quando contar seus problemas para quem deveria “saber mais que ela”.
Eu não sei qual BO você tem no seu negócio hoje.
Pode ser algo grande como um problemão entre sócias ou algo menor como o medo de colocar limites em clientes meio folgados ou pode ser que esteja difícil gerenciar a sua equipe e você se sinta meio incapaz de fazer isso.
Eu não sei qual é o seu BO, mas eu te garanto que dá para resolver.
E é muito provável que seja mais rápido, mais fácil e mais indolor do que você acha que é.
É provável também que você goste do processo, comece a se sentir capaz de verdade e no final ainda fale
“nossa, se eu soubesse que eu ia me sentir tão bem depois, eu tinha procurado ajuda antes”
.
Você não é incapaz por não saber como contratar uma pessoa nova.
Você não é a vergonha da profissão porque não entende muito bem os números da sua empresa.
Você não é relapsa porque os trem da sua empresa estão bagunçados.
Você é só uma mulher que juntou coragem do caralho e botou um negócio de pé mesmo sem ter tido formação nenhuma para isso.
Você não é incapaz.
Você é CORAJOSA PARA CARALHO.
Eu me orgulho de cada uma de vocês que decidiu fazer mesmo sem saber.
Que não esperou estar com tudo pronto para começar.
Que decidiu que ia botar o seu sonho de pé mesmo sendo desacreditada por uma cambada de gente.
Eu tenho ORGULHO de você.
E quando você chega aqui na Fluida, saiba que a gente solta gritinhos de felicidade e se empolga com cada B.O. que para você parece homérico de se resolver.
A gente AMA resolver cada um dos problemas que te tira o sono.
É esse o nosso trabalho.
E a gente ama te ajudar a fazer o seu cada vez melhor.
Se você hoje tem qualquer problema no seu negócio e tem demorado talvez tempo demais para resolver, talvez você esteja protelando essa decisão porque tem medo (com razão) de encontrar um Jacquin do lado de cá.
Aqui não tem julgamento.
Aqui conhecimento é para te dar autonomia, sem te julgar.
Aqui você não vai encontrar nada mais que um grupo de consultoras doidas para te ajudar a nunca mais postergar o seu sucesso com medo de ser humilhada.
Se essa é você, que tal dar o primeiro passo?
Me responde me contando o que é que você tem tido vergonha de pedir ajuda na sua empresa.
Qual é o BO que tá te atrapalhando?
Vou responder a maior quantidade que eu conseguir.
E se você quer parar de tentar fazer sozinha e quer entrar na Fluida, grita minhas sereias no whats que a gente vai ajudar você.
A vergonha da profissão não é você.
Mari Fernandes.