Carta 168
O sr Fluido janta sozinho
Viajar e trabalhar, lucrar e desfrutar — a resposta honesta sobre como fazer isso sem fórmula pronta, porque cada escolha é uma renúncia e o segredo está em decidir quais renúncias fazem sentido para você.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSAS?
Como a senhorita chega nessa sexta?
Eu quase não chego.
Sim, estou de férias. E se não fossem os processos MUITO bem estabelecidos de Dona Fluida, essa carta simplesmente não existiria. Eu estaria de biquíni, tomando um drink e esquecendo que existe um ritual de carta sendo escrito há 167 semanas.
Não sei se você viu lá que iniciamos um papo sobre viajar e trabalhar lá no instagram.
Lá eu contei que tenho usado momentos ociosos da viagem para resolver pequenas coisas da empresa. Coisas pequenas. Estratégicas. Rápidas.
E recebi mensagens muito genuínas sobre o assunto.
Eu não tô aqui para cagar regra na cabeça de ninguém. E acho que uma das coisas mais prejudiciais, quando a gente fala de empreendedorismo e negócios, é a gente simplificar o que são sistemas complexos.
Aqui na Fluida eu nunca vou simplificar nada só para ficar mais palatável para você. Eu sempre vou te trazer a complexidade real de cada uma das coisas.
E eu quero dar aqui os meus dois centavos de contribuição sobre esse tema.
Pra inicio de conversa, precisamos entender:
- O que é viajar e empreender?
- O que é desfrutar enquanto você lucra?
Porque, sim, meu amô, a primeira coisa que nós precisamos definir é o que é isso para você.
O que é viver para você?
Perguntaram qual é a minha opinião sobre isso e a real é que…
Depende.
Sim, esse clichê “depende”.
Por mais clichê que seja, vou precisar dizer para você que depende.
Depende do quê?
— Do quanto de dinheiro você precisa para viver a vida que faz sentido.
— Se você quer flexibilidade ou rotina.
— Se você quer estar offline 30 dias ou aparecer leve nos stories durante a viagem.
— Se você ama criar conteúdo no hotel esperando o jantar ou se isso te dá ranço.
Tem empresária que desfruta 100% offline.
Tem empresária que se sente viva criando enquanto viaja.
Tem gente que sofre desconectada.
Tem gente que sofre conectada.
(Sim, pode ser surpreendente, mas pessoas têm desejos completamente diferentes uma das outras)
Então, dentro da gestão feminista, a gente define o que é lucrar e desfrutar para você respondendo perguntas como:
- Quanto de dinheiro você precisa para viver a vida que faz sentido para você?
- A vida que faz sentido para você é uma vida que te permite fazer o quê?
- Ter mais flexibilidade ou ter mais rotina?
- Que tipo de atividades você quer ter todas as semanas e que tipo de atividades você quer ter duas, três, quatro vezes no ano?
- Qual é um formato de trabalho que te energiza e, ao mesmo tempo, extrai a melhor margem de lucro da sua empresa?
Tenho certeza de que a senhorita num tem resposta pronta pra muitas dessas perguntas. Talvez tu nunca tenha se perguntando isso.
É por isso que a gente fica tão suscetível a engolir fórmulas prontas.
Porque a gestão arcaica e patriarcal ensinou a gente que existe um jeito certo e um jeito errado de empreender. E a gente fica tentando buscar o jeito certo.
Quando, na verdade, existem modelos de negócios diferentes que servem a princípios diferentes, a propostas diferentes.
Bora ver aqui um exemplo prático.
As startups, por exemplo, são empresas desenhadas para serem vendidas, para crescerem muito rápido, ganhar uma parcela do mercado gigantesca, não necessariamente serem lucrativas, e depois serem compradas por concorrentes muito maiores, que não teriam a agilidade para ganhar aquele mercado que as pequenas ganharam.
Você quer ser vendida quanto antes?
Você quer que a sua empresa seja comprada por uma outra pessoa?
Você quer investir durante alguns anos na sua empresa sem ter nenhum retorno?
Se você é uma Fluida e você está lendo essa carta, tem 99% de chance de que não.
De que essa realidade, esse mundo, para você pareça até um desespero.
Só que existe um outro mundo dentro dos negócios, que é o mundo da gestão feminista. E dentro da gestão feminista, o nosso objetivo não é vender as nossas empresas e também não é trabalhar da praia.
O nosso objetivo é desenhar um modelo de negócio que entregue o máximo de elementos prazerosos para tua vida no presente e no futuro.
Eu vou repetir: no presente e no futuro.
Isso significa que, se você quiser que a tua empresa seja vendida e você vá pegar todo esse dinheiro, botar num fundo e viver dos rendimentos dele, nós vamos te ajudar a construir essa empresa.
Mas isso também significa que, se você quiser poder se desligar do seu celular durante trinta dias, sem precisar acessar a internet, sem falar no WhatsApp, sem precisar ter nenhuma reunião e quiser fazer yoga todos os dias às 7 da manhã, a gestão feminista vai te ajudar a desenhar esse modelo de negócio.
Por quê?
Porque a gente parte de um princípio que, dentro do mundo da gestão tradicional é inexistente: PF primeiro, PJ depois.
Tudo deriva da PF.
E se você não entende esse princípio, você vai ficar constantemente buscando modelos de negócio, de venda, de equipe, de produto que sejam os melhores.
A pergunta que eu te faço é: melhor para quem?
E depois de fazer essas decisões sobre a tua PF, nós vamos escolher — perceba, não é um tiro no escuro — o modelo de negócio que faz sentido pra sua PF.
Quer flexibilidade extrema? Serviço 1:1 não é seu melhor caminho.
Quer previsibilidade de caixa? Passe longe de lançamentos.
Quer se desligar 30 dias por ano? Você vai precisar de equipe, processo, organograma, seleção, treino, feedback, demissão.
Quer produzir conteúdo durante a viagem? Você vai escolher não estar fazendo outra coisa naquele momento.
Depois que a gente define a PF, a gente vai definir o seu modelo de negócio.
Ficou claro para você que essa não é uma escolha aleatória?
E agora eu vou, e eu vou dar para vocês aquilo que vocês querem ouvir de mim: a minha opinião sobre viajar e trabalhar; lucrar e desfrutar.
Vou precisar te decepcionar novamente.
Pra mim, não existe o jeito certo. Existe o jeito certo para aquela viagem, naquele mês, naquele ano. É uma escolha.
Quando eu escolho gravar stories esperando o jantar, eu escolho não estar conversando com o sr. Fluido naquele minuto.
Quando eu escolho atravessar os Lençóis Maranhenses cinco dias sem internet, eu escolho ter construído equipe antes.
O que fode a sua cabeça não é fazer A.
É fazer A achando que deveria estar fazendo B.
E provavelmente, se estivesse fazendo B, estaria achando que deveria estar fazendo C.
Como diria nosso querido Charlie Brown, cada escolha é uma renúncia.
Todas, não se enganem.
Todas as escolhas que você fará na sua empresa vão gerar renúncias na sua vida pessoal ou na sua vida empresarial. O grande jogo aqui é você escolher quais são aquelas inegociáveis para você e tomar as decisões necessárias para isso, sem ficar pensando em tudo que você poderia ter tido se você escolhesse a outra coisa.
Nesta viagem eu escolhi fazer conteúdo nos meus tempos ociosos. Em outras viagens eu já escolhi ficar 100% sem acesso à internet. Em outros momentos eu já escolhi trabalhar de manhã e viver à tarde.
Não espere de mim uma sequência de regras que você tem que obedecer com subserviência, que você tem que simplesmente obedecer e a sua vida vai ficar certa. Não é esse tipo de negócio em que eu acredito. Não é esse tipo de vida para as mulheres em que eu acredito.
Eu acredito numa vida onde você constrói, onde você tem autonomia para tomar decisões e escolher qual é o modelo de vida e de negócio que faz mais sentido para você.
Não cabe a mim te dizer qual é o jeito certo que você deveria estar vivendo. Mas cabe a mim 100% te dizer que, se existe um jeito que você queria estar vivendo e que não é o jeito que você está vivendo hoje, dá pra mudar.
Mas, para isso, você precisa escolher.
Escolha o caralho da vida que você quer levar e aceite que você vai abrir mão das coisas que não estão dentro dessa escolha.
Se hoje você não tem vivido a vida PF, se hoje você quer viver uma vida diferente da que você tem vivido, você pode.
A primeira escolha que você tem que fazer é pedir ajuda para construir esse modelo de negócio. Se você quiser saber sobre os nossos modelos de mentoria de acompanhamento, manda aqui para o nosso comercial.
Beijos de férias, mas à trabalho agora no tempo ocioso,
Mari.