Carta 165
Propósito meu c*
Propósito não precisa ser nobre, transformador ou salvar o mundo — pode ser comprar blusinha, assinar a Globoplay ou ter uma piscina de plástico no quintal, e tá tudo bem com isso.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!
Hoje eu queria te convidar pra uma conversa que talvez vá contra tudo o que você já escutou quando o assunto é propósito.
Ou, melhor, talvez vá contra tudo o que você aprendeu que deveria sentir sobre o que faz.
Quantas vezes você já pensou que estava no caminho errado porque o que você faz não pareceu “nobre o suficiente”?
Quantas vezes você sentiu que precisava dar um novo rumo no seu negócio porque te faltava “propósito”?
A gente aprendeu que propósito é salvar vidas.
É criar impacto social.
É fazer algo que faça o mundo melhor.
Melhor para os outros.
Não é coincidência, é construção.
Uma construção muito eficiente, que empurra a gente, mulheres, pra servir.
Pra cuidar.
Pra se doar.
Só que tem um problema grave aí:
Quando o nosso propósito precisa ser útil pro mundo, a gente esquece de ser útil pra gente.
E aí começa o ciclo.
A gente tenta resolver problemas grandes, profundos, estruturais…
Problemas que Estados e governos não dão conta de resolver.
E que, não por acaso, também não pagam bem.
Quando a gente associa propósito a nobreza, a gente se distancia do lucro.
E quando a gente se distancia do lucro, a gente se distancia da liberdade.
A matemática é pá-pum:
Se seu negócio precisa ser relevante, transformador e salvador de outras vidas pra “valer a pena”…
Você vai acabar presa em um modelo de negócio desgastante, emocionalmente exaustivo e pouco lucrativo.
E isso, vamos combinar, é o oposto do que a gente quer construir por aqui.
Então vamos mudar o foco.
Vamos falar sobre o que propósito pode ser, dentro da perspectiva da gestão feminista.
Propósito, na real, é só isso: um motivo para.
Um motivo para fazer o que você faz.
E esse motivo pode ser qualquer um que faça sentido pra você.
dinheiro
trabalhar menos
viajar mais
sair do aluguel
Pode ser mandar o link do seu ultimo TEDtalk pra quem desacreditou de você em 2017.
O que você quer viver na sua vida pessoal pode (e deve) ser a régua que define o quanto vale a pena fazer o que você faz.
Lê denovo: propósito é qualquer coisa que VOCÊ queira fazer
Não é o seu negócio que precisa ter um propósito.
É você que precisa ter um propósito, pessoal, íntimo, egoísta se quiser, pra continuar bancando essa escolha todos os dias.
Hoje o seu propósito pode ser dobrar a sua retirada.
Amanhã pode ser construir uma ONG.
Tanto faz.
Se você tem clareza do que quer viver, você tem propósito.
Se o seu negócio te aproxima disso, ele é valioso.
Ponto final.
E mais: você está autorizada a ter um propósito que pareça ridículo.
Comprar blusinha.
Comer iFood.
Assinar a Globoplay só pra assistir a mesma série pela terceira vez.
Ter uma piscina de plástico no quintal.
Se isso faz sua vida mais prazerosa de ser vivida, é suficiente.
Você não precisa parecer benevolente.
não precisa parecer fodona
nem de sucesso
Você precisa viver o que faz sentido pra você.
E se tem uma coisa que atrasa a nossa vida e o crescimento da nossa empresa é viver em função de parecer algo para pessoas que jamais vão viver o que a gente vive.
Então, bora fazer esse exercício juntas:
Quantas decisões você já tomou no seu negócio pra parecer mais interessante, mais comprometida, mais visionária aos olhos dos outros?
E se a partir de hoje você pudesse fazer escolhas com base no que te dá prazer?
No que te dá segurança?
No que te dá dinheiro?
E isso fosse belíssimo, e digo de orgulho PRA VOCÊ e não pros outros?
Você está autorizada a ter um propósito pequeno.
Ou grande.
Ou egoísta.
Ou totalmente mundano.
Você está autorizada a escolher o que você quiser e a usar o seu negócio como meio pra essa bagaça.
Foda-se o propósito.
O que importa é a vida que você vai ter correndo atrás do que é importante pra você.
Com ou sem propósito se tá bom pra você tá bom pro mundo
Beijos egoístas
Mari