Carta 162
Impecável
Como crescer a empresa sem se perder: a diferença entre impecável e aceitável, e por que fazer as coisas com o mínimo de energia é ser estratégica.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSAS
Como as senhoritas chegam no dia de hoje?
Nós estamos começando a nossa primeira carta de 2026 (vejam bem, estamos aqui. Chegamos em mais um novo ano.)
E nessas duas semanas que eu fiquei apenas vivendo a PF, eu fiz 720 milhões de coisas.
Então, primeiro eu queria saber: como é que foi o seu momento de recesso? O que você fez?
Vou te resumir aqui algumas coisas que eu fiz:
Primeiro, eu comprei um troço que se chama Turnball (você deve ter visto alguns vídeos nos meus stories) e agora eu sou viciada nesse jogo. É tipo um tênis que você pode jogar sozinha. Busque imagens no Google para entender, pois não sei como explicar melhor.
Comprei uma cacetada de jogos pra eu ficar jogando com a minha família, inclusive um jogo que te dá um piripaque cada vez que você joga, porque você fica correndo atrás do tempo.
Fui pro bingo com as minhas amigas, pra balada, pro clube, fiz 28 aulas de futebol e vôlei, 18 aulas de dança, comi 36 unidades de rabanadas e nunca tive tanto tempo livre na minha vida.
Eu fiquei 100% off do trabalho. Tipo: eu não fiz nada de nada da PJ.
E foi uma das melhores coisas que eu fiz pra mim esse ano.
Ô bença.
Eu entro de recesso, porém minha cachola continua trabalhando ativamente, eis que ela me presenteou com algumas reflexões que eu tava guardando para a gente conversar na primeira carta de hoje.
Então vamos ao tema da carta de hoje.
Como nós, mulheres, podemos continuar crescendo as nossas empresas sem a gente se perder da gente mesma?
Eu não sei como é que tá sendo esse tema pra você.
Mas esse é um tema que tá muito quente aqui, pras minhas mentoradas e pra mim mesma no crescimento da Fluida.
Principalmente agora, que nesse mês a gente tá fazendo o planejamento anual junto com a equipe toda.
Tá muito óbvio que a gente precisa encontrar novas estratégias para continuar crescendo sem que a nossa PJ roube um pedaço da nossa PF.
E eu digo isso não no lugar de onde isso é fácil e simples pra mim.
Isso, pra mim, é sempre um desafio, uma grande luta.
Eu amo muito o meu trabalho.
Eu gosto muito do que eu faço.
Então eu preciso estar sempre vigilante e atenta e impondo limites pro crescimento da Fluida, pra ela não sobrepor o crescimento da minha própria vida pessoal.
E eu sinto que parece que esse é um grande tema.
Tá acontecendo isso com você também?
Você tem sentido isso?
Isso é uma preocupação sua?
Bom, eu venho aqui com pitacos que podem ajudar a gente a clarear e refletir juntas sobre esse tema.
Vamos a ela:
Uma das coisas que acrescenta complexidade no crescimento das empresas lideradas e gerenciadas por mulheres é que nós queremos fazer as coisas bem feitas.
Sim, é isso mesmo.
Pode parecer que isso é um ponto positivo. Que isso é um ponto forte.
Só que, se a gente não souber dosar esse ponto forte, ele vira uma fraqueza.
Você quer escrever a melhor copy.
Entregar o melhor produto.
Ser a melhor líder pros teus funcionários.
Você quer fazer tudo bem.
E fazer bem é BEM diferente de fazer tudo de forma IMPECÁVEL.
Olhar pra algo que a gente criou e ver que aquilo é impecável, ou seja, ele não está maculado por nenhum erro, é grande fonte de satisfação pra gente.
Dá um puta orgulho.
Banho de serotonina.
Principalmente nós, mulheres, que durante muitos anos fomos privadas da autoria sobre o nosso próprio trabalho.
Hoje nós podemos assinar tudo que fazemos como os nossos.
E reivindicar essa autoria.
É esperado que seja valioso pra gente sentir que aquele trabalho foi bem feito.
Só que eu descobri que existe uma armadilha dentro dos nossos cérebros (nós, mulheres, rainhas da impecabilidade):
Pra que a gente continue crescendo, teremos que entender que existe uma diferença entre impecável e aceitável.
Vamos conversar sobre essa diferença:
Impecável é quando você olha pra uma coisa e os seus olhos pulam de alegria, de tanto orgulho daquilo que você fez.
Você olha pra aquela copy, pra aquela página de vendas, aquele produto, aquele treinamento, a consulta que você entregou, e você se sente completamente embebida em orgulho e êxtase do tanto que aquilo é foda.
Você sente imediatamente sua autoestima inflar tal qual o ego de um homi sapatênis com calça no meio das canela.
Só que fazer coisas impecáveis exige tempo e cérebro.
A pergunta que eu te faço é:
Hoje você tem tempo e cérebro pra fazer tudo o que você gostaria?
Tenho certeza absoluta que a resposta é: não.
E se você não tem tempo nem pra fazer tudo o que gostaria…
Você acha que existe tempo pra fazer tudo o que gostaria de forma impecável?
Você bem sabe que não.
Então, a partir de agora, você vai trocar o conceito de impecável por aceitável.
Existem duas categorias de coisas que nós precisamos fazer:
-
Coisas que precisam ser impecáveis
-
Coisas que devem ser feitas até o limite do aceitável
Quer um exemplo?
Se eu vou fazer um planejamento estratégico pra uma empresa que acabou de me contratar, e esse planejamento estratégico vai direcionar os próximos 10 anos dessa empresa, esse planejamento precisa ter um resultado impecável.
Mas isso não quer dizer que a planilha que eu vou criar com as metas pra essa empresa eu tenha que ter colocado flor, aromatizador de ambiente e luzes aconchegantes até ela se parecer com a planilha mais linda que alguém já viu em sua vasta existência.
A planilha precisa ser só aceitável.
E é aí que a gente se embola.
Quer outro exemplo?
Os limites éticos que nós colocamos dentro da nossa empresa e a forma como a gente cobra esses limites e comunica esses limites pra nossa equipe precisam ser impecáveis.
Porém, o treinamento que você dá pra sua equipe, o Notion que você entrega, a forma que você grava esse treinamento…
precisa só ser aceitável.
E aceitável é aquilo que cumpre o seu propósito gastando o mínimo de energia possível.
Ouça bem o que eu tô dizendo: o MÍNIMO de energia.
Num é “pouca” energia, num é “menos” energia.
É O MÍNIMO.
A menor quantidade de energia POSSÍVEL, não um tico a menos do que as toneladas de energia que você coloca em tudo que faz.
Mínimo é o mínimo mesmo.
Fazer as coisas de um modo preguiçoso, aceitável e de mínimo esforço pode ser bom, sabia?
(os homi tão aí vivendo há séculos desse jeito e tem funcionado para eles)
E eu acho que mora aí a nossa dificuldade:
Temos uma ENORME dificuldade de aceitar que ser preguiçosa e fazer as coisas com o mínimo de energia possível não é ser falha, não é ser incompetente, não é ser antiprofissional.
Na verdade: é ser estratégica.
Então, meu convite esse ano pra você é você trocar a palavra impecável por aceitável.
Impecável → só às vezes
Aceitável → a maior parte delas.
Impecável tem que ser tua saúde mental, física, o seu tempo com a sua família.
Aceitável pode ser a porra da copy da página de vendas que você quer trocar cada palavra porque sente que o texto ainda não tá expressando você 100%.
A copy não precisa expressar você 100%. Ela só precisa vender.
Talvez tua reserva de emergência e sua aposentadoria precisem da sua impecabilidade.
Já o caralho do design do post do Instagram que você leva 40 minutos pra fazer poderia sair aceitável se você pedisse para uma IA que faz em 5 min.
Então já começamos 2026 com este lema:
Esquece esse caralho de ser impecável.
Você precisa fazer a maior parte das suas coisas de forma apenas aceitável.
Tipo sair de casa com uma roupa de linho amassada.
Tá muito claro que você não colocou o máximo de esforço ali, mas É ACEITÁVEL.
E aí chega a resposta para a pergunta dessa carta:
“Como nós, mulheres, podemos continuar crescendo as nossas empresas sem a gente se perder da gente mesma?”
Aceitando que tá tudo bem ser só aceitável.
Aceita.
Beijos aceitáveis,
Mari