Carta 161
Então é natal
A última carta do ano: retrospectiva de 2025, vitórias e derrotas da Fluida, e um recado para você que está fazendo um ótimo trabalho.
Buenas noites, maravilhosas
Chegamos à última carta desse querido ano de 2025.
Sim, todos os anos mantemos as cartas ininterruptas, até no recesso, mas nesse ano eu decidi que faremos diferente.
Vocês vão entender no final dessa carta.
Na carta de hoje, eu quero dividir um pouco do que foi esse ano de 2025 para mim e para a Fluida.
Não sei se você viu nos stories, mas todo ano nós fazemos dois rituais aqui na Fluida:
O primeiro é nosso encontrão de encerramento anual com as mentoradas.
E o segundo é nossa confraternização das sereias do nosso time.
E essa semana vivemos esses 2 rituais, uma semana de muitas emoções.
Nos dois, nós fizemos uma dinâmica de revisar os melhores e piores momentos do nosso ano.
E eu nunca me arrependo de fazer isso.
Então queria dividir alguns momentos do nosso ano com você.
Coisas que aconteceram esse ano na minha vida e na vida da nossa amada Fluida:
- Criamos um time comercial do zero e, pela primeira vez em 84 anos, eu saí totalmente dos processos e reuniões de vendas → há algum tempo isso seria IMPENSÁVEL para mim. Um sonho, um enorme objetivo, muita vontade de que fosse possível, mas ainda muita incerteza se funcionaria na prática e não só na teoria.
- Treinei 2 vendedoras, e isso foi uma das coisas mais difíceis que fiz no meu ano. Talvez minha habilidade para matracar sem parar e encontrar palavras para tudo tenha me feito uma excelente vendedora sem que eu precisasse necessariamente aprender como vender.
Não sei se você me entende, mas eu nunca fiz um curso de vendas, uma aula de social selling, porra nenhuma. Vender pra mim sempre foi um processo de entender as pessoas, o que elas querem, mas mais ainda o que elas precisam de verdade. E processualizar tudo que eu fazia como se fosse a coisa mais fácil do mundo me ensinou muito sobre: é muito mais fácil a gente perceber o que somos ruins do que o que somos boas. E no que somos MUITO boas, a gente tende a achar que é natural pra todo mundo — e não é.
- Fiz o onboarding e treinamento de 4 sereias novas no time, ao mesmo tempo que a nossa sereia mais antiga deixava o time. E apesar de eu ter certeza de que no final ia dar certo, durante o processo eu tinha certeza que, caralho, não ia conseguir. Aquelas contradições e surtos que toda empresária vive.
- Comecei a prestar consultorias em São Paulo, a cidade dos homens de pedra, que me faz me sentir em um liquidificador de velocidade, que sempre chove ou faz frio quando eu vou. Me falou: “Senhora, tu vai ter que vir.” Eu nunca imaginei de verdade que meu rosado cérebro seria requisitado na cidade com maior concentração de consultorias empresariais do nosso país. Que doideira, meu Deus.
- Vi, testemunhei e fiz o parto de um sem número de empresas. Talvez eu já possa trocar meu título por doula de CNPJ. Orientei mulheres que quadruplicaram o seu faturamento em questão de meses, que chegaram na Fluida com sérios problemas de caixa e saíram com meses e meses de reserva. Mas uma delas tem um pedacinho especial no meu coração: visitei in loco uma das empresas em que eu participei de todo o processo — da concepção ao parto. Mas não é qualquer empresa, uma birosquinha na esquina. Botamos de pé uma clínica médica de 6 dígitos de faturamento no ar em QUATRO MESES. Sim, minhas mentoradas são fodas nesse nível. 120 dias. 6 dígitos de faturamento. TODO MÊS. Três sócias mulheres, que atendem mulheres. Abracei cada uma das sócias. Sentei nos móveis e sofás que um dia foram linhas numa planilha de Excel. Vi um time cujo processo seletivo eu orientei. Peguei com as minhas mãos o que um dia era só um sonho de uma empresária que não sabia a força que tinha.
- Ganhei plaquinha sem saber que ganharia. Você sabe o ranço que eu tenho de símbolos de pura ostentação vazia. Mas uma massagenzinha no ego também é importante pra gente se lembrar de que sim, somos boas pra caralho.
- Passei por processos na PF que eu não tinha ideia que passaria. Vi minha sogra partir e tentei ser o meu melhor para um Sr. Fluido em luto.
- Fiz centenas e centenas e centenas de horas de mentoria, consultoria e sessões de conselho. Sinto que é uma experiência que fica difícil de explicar a riqueza. Nenhum livro, curso, faculdade, é páreo para viver a vida real de centenas de empresas DENTRO delas. Sinto que carrego uma bagagem de décadas de erros e acertos sem ter precisado viver nenhum deles. E me sinto absurdamente privilegiada de o meu trabalho me permitir isso.
- Voltamos a ter um escritório presencial tal qual os incas, e eu relembrei o quanto eu AMO o olho no olho, o abraço sem intermédio das telas, e estar de corpo presente orientando empresárias incríveis com negócios admiráveis.
- Criamos, validamos e vendemos um produto novo de 6 dígitos. E eu ainda me espanto quando lembro que já existiu um dia em que meu salário de um mês inteiro era de 4 dígitos. E hoje, nós cobramos em um produto SEIS. Essa vida é muito doida.
- Fiz incontáveis reuniões e rituais com meu time. Choramos juntas, rimos ainda mais e gerenciamos com maestria um crescimento aceleradíssimo esse ano — sem abandonar nossas PFs. Demissões, contratações, alinhamentos, reuniões que me fizeram relembrar que sim: somos uma empresa MUITO FODA para se trabalhar.
- Fiz sei lá quantas trilhas. Passei todas as sextas com meu sobrinho. Visitei minha vó com mais de 80 anos dezenas de vezes. Estudei moda e aprendi a me vestir (e amei!). E aprendi um esporte novo. Agora posso dizer: eu jogo futevôlei.
2025 foi um ano na mesma medida crazy de doido e foda de bom. E fazer essa retrospectiva me relembrou: ainda que eu sempre tenha metas megalomaníacas, objetivos colossais e saiba que para alguns deles eu tenha ainda alguns belos anos de trabalho, eu estou fazendo um ótimo trabalho.
Me superei, desafiei, aprendi, errei, cresci, celebrei e fiz tudo isso sendo fiel aos meus valores.
Não passei a perna em ninguém. Não precisei fazer promessas mentirosas, nem roubar conhecimento dos outros pra vender como se fosse meu.
Fiz isso sendo ética, correta e sem ser uma filha da puta.
Isso parece que não, mas é uma grande vitória.
Num mercado que normaliza a flexibilização do que chamamos de ética…
Que está acostumado a vender o que nunca fez…
Que roubar conhecimento dos outros é “visão estratégica” e passar a perna nos outros é normal…
Eu e meu time nos recusamos a jogar esse jogo. E provamos que dá pra crescer — e MUITO — sendo quem somos.
Mulheres. Imperfeitas, porém reais. Verdadeiras. Autênticas.
E eu tenho um PUTA orgulho de ter construído um time que se recusa a “dar jeitinho”.
Eu não sei quais foram as suas vitórias e derrotas do ano, mas eu tenho certeza de uma coisa:
Você fez o MELHOR que pôde.
E se cobrou muito pra ser ainda melhor.
Eu queria te dizer que você fez um ótimo trabalho.
Você viveu batalhas que sua audiência nem sonha, travou lutas internas que talvez só a sua psicóloga (e sua mentora) tenham conhecimento. E você cresceu.
Cresceu como empresária.
Se esforçou pra ser presente na vida dos que te amam.
Não passou a perna em ninguém.
Você FEZ um ótimo trabalho.
E eu SEI que você fez.
E eu sei mesmo sem ter trocado duas palavras com você, porque nos últimos 10 anos eu encontrei CENTENAS de outras mulheres como você.
Centenas.
Não é uma, nem duas.
Centenas.
E todas elas são assim:
Admiráveis. Fortes. Incrivelmente competentes.
Mas talvez precisem de alguém que as diga:
Você tá fazendo um ótimo trabalho.
E eu tomei pra mim essa missão.
Eu vou sempre te lembrar tudo de bom que você faz pra você e pra quem cruza o seu caminho.
Você é foda. E eu admiro que você não tenha aberto mão dos seus valores.
VOCÊ É FODA.
Obrigada por parar pra me ler e me ouvir durante as mais de 50 cartas desse ano.
Obrigada por ter me permitido viver do que eu faria de graça por puro prazer.
Tudo que eu sou e construí na Fluida tem um pedaço de cada uma de vocês que me lê, me ouve, vê nossas aulas, participa das minhas mentorias e espalha a palavra da Fluida por aí.
Eu sou, porque nós somos.
A carta de hoje é a última do ano porque eu decidi que precisamos parar.
Precisamos nos permitir não fazer nada de útil para o PIB do Brasil.
E eu vou fazer isso nas próximas semanas pra te incentivar a fazer também.
Coma rabanadas. Faça suas confraternizações. Viva a sua PF e volte aqui no ano que vem pra construirmos mais um ano foda juntas, sendo exatamente quem somos.
OBS¹: Eu te contei vitórias e derrotas do meu ano. Você leu cada uma delas. E tenho certeza que lembrou de momentos do seu ano também. Eu quero saber deles. Me responde essa carta me contando?