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Carta 151

O cabide

Uma reflexão sobre ambição feminina a partir de uma descoberta improvável: a alegria de gastar seu próprio dinheiro em algo que só você valoriza — mesmo que seja um cabide de cintos.

Nóias da cabeça

Buenas tardes, maravilhosa.

Como a senhorita chega hoje?

Eu chego querendo falar sobre algo totalmente inusitado.

Nem nos seus maiores delírios você esperava uma carta sobre isso aqui.

Mas hoje vamos falar sobre cabides.

Sim, senhorita. Cabides.

E eu vou te explicar por quê.

Antes da gente mergulhar nessa reflexão importantíssima, preciso te lembrar de uma coisa sobre mim, que talvez você já saiba, talvez não: eu sou absolutamente apaixonada por ordem.

Organização me dá paz.

Ver as coisas no lugar certo me dá tesão de viver.

Transformar caos em processo me dá tesão profissional.

Eu sou o tipo de pessoa que ama transformar um caos de “ai meu Deus, o que está acontecendo?” em três bullets com nome, cor e prazo.

E isso vale para empresas, para viagens, para decisões difíceis e… para cintos.

E é aí que a gente começa o verdadeiro tema dessa conversa.

Recentemente, como você sabe (ou talvez não saiba), eu entrei num processo de repensar minha imagem.

Tenho revisado meu guarda-roupa, experimentado roupas, cores, texturas, fazendo cursos, testes, experimentações… tudo para descobrir o que comunica quem eu sou hoje, sem me deixar virar uma refém das tendências que me obrigam a parecer quem eu não quero parecer.

Nesse processo, descobri algo sobre mim que eu mesma não sabia: eu amo cintos.

Sim. A louca dos cintos. A tarada dos acessórios.

A desequilibrada do “preciso de mais um cinto para comunicar isso aqui”.

E olha que doideira: até então, eu sempre foquei em acessórios da cintura pra cima, porque como vocês me veem nos vídeos, é essa parte que aparece.

Mas, meu amor, descobri que tem um mundo inteiro da cintura pra baixo pedindo atenção e eu tava ignorando esse universo de possibilidades que cintos e sapatos oferecem.

Corta para o fim de semana.

Eu lá, plena, organizando os meus cintos.

Separando os novos, agradecendo os que estavam indo embora, listando quais ainda faltavam pra minha mais nova coleção

Tudo na paz. Tudo na ordem. Até o momento que fui guardar.

E descobri que organizar cintos é um inferno.

O cabide que eu tinha era um caos.

Aquele tipo redondo que, pra pegar um cinto, você tem que tirar três.

E aí embanana tudo. Mistura. Emaranha. Fica feio. Fica poluído. Me dá uma gastura.

E eu, imediatamente, pensei: ahhhh nao. deve ter uma solucao melhor para isso

Abri o Mercado Livre. Digitei “organizador de cintos”, “cabide de cintos”, e comecei a caçada.

Encontrei um que me pareceu funcional. Comprei dois pra testar.

Eis que o pacotinho amarelo chegou.

Corri para abrir. Testei. Organizei.

Sim, eu senti paz verdadeira olhando pra um cabide.

Fiquei tão animada com o cabide que chamei o Sr. Fluido.

Fiz ele vir até o armário. Mostrei. Apontei. Expliquei os diferenciais.

Argumentei como se estivesse fazendo um pitch de um unicórnio pro Vale do Silício.

E ele, que já está acostumado com as minhas obsessões nada convencionais, ouviu com atenção, fingiu entender, sorriu, me deu um beijo e seguiu a vida dele.

E eu? Eu fiquei ali, olhando pro meu armário, feliz da vida por ter o cabide perfeito.

Mas o que isso tem a ver com você?

Tudo.

Porque naquele momento, olhando pro meu armário, com o cabide exato que eu queria, eu me lembrei do que é ter dinheiro pra comprar as coisas que fazem sentido pra você.

E, mais do que isso, me lembrei de como é bom gastar o dinheiro que você mesma fez com algo que só você valoriza de verdade.

Porque, vamos falar a verdade?

Quando a gente pensa em sucesso, em crescer, em enriquecer, a gente acha que a felicidade vai vir do carro novo, da viagem dos sonhos, da bolsa da moda.

Mas, frequentemente, o que vai te dar uma alegria do caralho é um cabide.

Um cabide.

Um.

Cabide.

Um troço de trinta reais que ninguém liga, que ninguém nota, mas que você olha todo dia e pensa: fui eu que comprei, com o dinheiro que EU fiz, pra facilitar a minha vida.

Eu que mereci.

E aí, vou puxar um segundo tópico disparado por esse role do cabide:

As mulheres rejeitam em regra o rótulo de AMBICIOSAS.

Parece ate doença ter ambição.

Porque acham que ambição tem que ter cara de homem.

Cara de prédio espelhado.

Cara de iate.

Cara de bolsa de trinta mil reais.

Mas a verdade é que talvez você seja, sim, ambiciosa pra caralho.

Só que a sua ambição está direcionada pra outras coisas.

Talvez o seu sonho não seja andar de helicóptero.

Talvez seja ter um armário que funcione.

Um sistema que te atenda.

Um ambiente que respire sua identidade.

E tá tudo certo.

O que não dá é pra achar que você não é ambiciosa só porque você não quer o que o mundo mandou você querer.

Você quer o que faz sentido pra você.

E isso é mais do que válido.

É tipo o cabide organizador de cinto

Então, hoje, se te perguntarem qual foi sua maior conquista da semana, talvez a resposta seja: finalmente achei o cabide certo.

E, se alguém rir disso, você olha e diz com orgulho: sim, o cabide certo. Porque eu mereço.

Porque eu trabalho pra caralho.

Porque eu ganho meu dinheiro.

E porque eu posso.

Tin tin aos cabides da vida

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·