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Carta 149

Intimidade

O preço da intimidade é o conflito: como líderes constroem confiança real na equipe não evitando o desconforto, mas sustentando as conversas difíceis.

Gestão de negócios

Buenas tardes, maravilhosa.

Como a senhorita chega hoje?

Nesse exato momento, estou sentada no saguão do aeroporto escrevendo essa carta para a senhorita.

Em alguns minutos embarcamos (no plural porque não tem Mari sem time de Sereias fazendo tudo acontecer) para mais uma entrega in company.

Isso um dia já foi um sonho.

Ser convidada para entrar nas empresas porque minha visão importa.

É relativamente “fácil” (entre 98 milhões de aspas) se tornar relevante na cidade em que você vive há mais de 30 anos. Em se falando de Brasília, que foi desenhada como avião, mas é um ovo…

Tem um gostinho muito delicioso continuar expandindo o que a gente faz simplesmente porque elas confiam no que sabemos.

E é justamente o tema da carta de hoje.

Confiança.

Vamos a ela.

Essa danada que é algo tão caro pra nós, mulheres, que a gente tenta implantar a todo custo nos outros.

Queremos ser confiáveis para todos e a qualquer hora.

Às vezes penso que esse é um dos maiores desejos das mulheres: ser vista como confiável.

Não importa para o que seja: cuidar da sua casa, da sua família, de um cargo de emprego ou para fazer uma empresa ser um sucesso.

Confiança é algo que a gente almeja desenvolver nas pessoas todos os dias.

Não por acaso, esse é um tema recorrente nas mentorias.

A mulherada chega pra mim e diz:

*“Mari, eu queria tanto que a minha equipe confiasse mais em mim.

Que elas vestissem a camisa. Que enxergassem em mim uma figura confiável, segura, uma liderança que elas seguem não por medo, mas por respeito.”*

Eu te entendo. Porque isso é o que a maioria de nós, mulheres líderes, quer quando constrói uma equipe.

Mas a gente precisa conversar sobre como confiança se constrói — e sobre o que está por trás da falta dela.

Esses dias, eu estava assistindo a um conteúdo sobre relacionamentos amorosos (sim, desses bem de casal mesmo). E uma psicóloga soltou uma frase que parou tudo em mim:

“O preço da intimidade é o conflito. Se você evita o conflito, você também evita a intimidade.”

E eu fiquei pensando: se isso vale pra amor, será que não vale também pra equipe?

Será que a gente não está confundindo harmonia com confiança?

Será que a gente não está querendo que nossa equipe nos ame, quando o que a gente realmente precisa é que elas nos respeitem e falem a verdade pra gente?

Porque confiança no ambiente de trabalho, no nosso papel de liderança, não é quando todo mundo concorda.

É quando as pessoas têm coragem de discordar. De apontar o dedo para o problema. De te falar uma verdade que talvez ninguém mais vá te dizer.

E elas só vão ter coragem de fazer isso quando sentirem que podem.

Quando souberem que a relação não vai acabar por causa da verdade.

Isso é intimidade.

Dizer a verdade sem que isso custe a relação.

Então vamos imaginar aqui:

Você tem uma pessoa na equipe que foi promovida a líder, mas está odiando ser líder. Ela não sabe te dizer isso. Porque ela tem medo de ser mal interpretada. Medo de ser vista como ingrata. Medo de ser demitida.

E aí você continua com uma líder que não quer ser líder, não entrega como líder, mas que também não tem coragem de te contar.

Resultado?

Mais cedo ou mais tarde, ela vai pedir demissão ou você vai demitir.

Não porque ela era ruim.

Mas porque vocês não tinham intimidade o suficiente para falar a verdade.

Agora olha que loucura: a gente quer uma equipe que confie na gente, mas nós mesmas fugimos de dar um feedback honesto quando precisa.

A gente engole o desconforto.

E engolir desconforto é engolir confiança.

Toda vez que você evita um alinhamento difícil, toda vez que você pensa “ah, não vou dizer isso agora pra não parecer chata”, você abre mão de criar uma cultura de verdade.

E sem verdade, não tem confiança.

Sem desconforto, não tem intimidade.

Mas calma: desconforto não é terrorismo, tá?

Ninguém aqui está dizendo que você precisa virar um monstro da crítica ou uma líder dura que ninguém suporta.

O que eu estou te dizendo é que você precisa ser a pessoa que sustenta as conversas difíceis.

Quer um exemplo?

Você tem uma designer incrível, mas que vive atrasando entrega.

Você chama ela pra conversar e diz:

*“Teu trabalho é ótimo, mas está chegando atrasado.

E o atraso está anulando a potência do que você faz. Você precisa desenvolver sua gestão de tempo, porque isso está comprometendo a qualidade do resultado final. Vamos juntas criar um plano pra resolver isso.”*

Você traz o desconforto.

Você sustenta o desconforto.

Mas você também mostra: essa relação não se rompe por causa do desconforto.

E isso ensina para a tua equipe que trazer problema não é ameaça.

É parte do processo.

Confiança não se constrói quando está tudo bem.

Confiança nasce no conflito.

Na conversa difícil.

No feedback incômodo, porém necessário.

No “eu estou te dizendo isso porque eu confio em você.”

E a única forma de você começar a receber da sua equipe esse nível de transparência, de envolvimento e de cuidado com a empresa é dando o exemplo.

Quer ser vista como uma líder segura?

Então segura o desconforto primeiro.

E lembra sempre:

Desconforto é catalisador de intimidade.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·