Carta 148
Essas são as mulheres
Depois de conversar com centenas de mulheres, ficou claro um padrão: elas acham que dão conta de tudo para os outros e de nada para elas mesmas. Um manual pé no chão de como as mulheres são — e por que precisam se enxergar melhor, urgentemente.
Buenas tardes, maravilhosa
Como a senhorita chega no dia de hoje?
Hoje, indo buscar meu sobrinho na escola — mini Fluido — eu pensei que devo ter ouvido, sentado e conversado com meio mundo de mulheres. Talvez, se eu sentar para estimar um número…
Mas é mulher para caralho.
Conversar, ouvir e atender taaaantas mulheres, de uma certa forma, me deu um manual de como as mulheres são, ou como nós somos.
É tipo se ver refletida no espelho em vários rostos diferentes.
Bom, eis que eu pensei que esse conhecimento todo seria um desperdício se ficasse apenas na minha cachola.
Imagina entender você mesma tão profundamente que consegue antecipar cagadas e movimentos que nem sabia que faria?
Imagina se todas as mulheres se entendessem e soubessem de verdade quem elas são?
E se elas conseguissem se ver através do que eu vejo?
E por isso, pensei: na carta de hoje, vou compartilhar pelo menos um resumo de como as mulheres são.
Daria para escrever pelo menos umas 3.948 cartas sobre o tema, mas hoje vou tentar resumir nos tópicos mais latentes na minha cabeça.
Então fique a postos, a senhorita está prestes a saber coisas sobre si mesma que nunca imaginou.
Manual pé no chão de como as mulheres são:
Mulheres são criaturas maravilhosas, incríveis, estupendas… o problema é que elas não têm a menor ideia disso.
Elas se acham fracas, medrosas e frequentemente incapazes de fazerem coisas grandiosas.
Coitadinhas. Esqueceram que foram elas que produziram a humanidade todinha.
Bom, além de serem maravilhosas mas não terem a menor consciência disso, mulheres também entendem erroneamente suas próprias capacidades.
Onde elas deveriam acelerar mais, elas desaceleram. E onde deveriam desacelerar, elas acham que têm que ir com tudo.
Por exemplo: mulheres sempre acham que dão conta de mais uma responsabilidade, mais uma tarefa, mais um troço que elas têm que fazer para alguém.
Sempre cabe ajudar a família com um ente doente, fazer o cardápio favorito do boy e manter tudo impecavelmente em ordem. Elas aceitam responsabilidades que não são delas e resistem bravamente a dizer “não” para pedidos de quem elas amam.
Para os outros, elas sempre dão conta de mais uma coisa.
Paradoxalmente, as mulheres acham que na verdade não dão conta de nada.
Dobrar o faturamento? Não consigo.
Liderar uma equipe? Não tô pronta.
Encerrar uma sociedade? Não vou conseguir sozinha.
Tristemente, as mulheres nesse quesito estão quase sempre erradas.
Eu não vou dizer “sempre”, porque deve ter existido alguma exceção nas centenas de xx que eu atendi nesses anos — embora eu não me lembre de absolutamente nenhuma.
Para os outros, elas sempre podem dar mais.
Para elas, elas sempre acham que chegaram no limite.
Mulheres precisam frequentemente de outras mulheres gritando insanamente “pelo amor de Deus, você dá conta sim” para que tenham coragem de fazer coisas por elas e suas empresas.
E às vezes é necessário um exército de outras mulheres para que elas finalmente pelo menos tentem coisas por elas mesmas.
Depois que elas tentam, é absurdamente comum que — surpresa — elas consigam sem grandes esforços.
Elas executam o que ficaram adiando por anos com a facilidade de quem é mestre no que faz.
Parece tão fácil, tão fácil e tão natural, que elas também acabam se esquecendo que foram elas mesmas que criaram essas coisas maravilhosas.
Depois de anos empacadas, elas decidem fazer, fazem lindamente, e quando chega a hora de comemorar, adivinha?
Elas sequer percebem que o feito merece comemoração.
Foi tão simples que parece até obra do acaso.
Elas frequentemente dizem coisas como: “eu não sei o que foi, mas parece que DE REPENTE deu certo!”
Ao dizer isso, elas esquecem que passaram centenas de horas estudando muito mais do que o necessário para “magicamente” tudo dar certo.
Quando convidadas a comemorar seus feitos, as mulheres estranham.
Parece uma missão totalmente descabida.
“Comemorar? Mas comemorar o quê? Eu fiz o mínimo.”
Sim, elas sempre acham que todos os seus feitos foram nada mais do que obrigação e se esquecem do suor, dedicação, disciplina e ralação de cu que empenharam para chegar no bendito resultado.
Confrontadas com seus próprios feitos, elas quase sentem vergonha da atenção percebida.
Como se não merecessem tantos louros.
Depois da vergonha, vem a culpa.
“Será que eu deveria gastar todo esse dinheiro que eu mesma fiz?”
“Num é coisa de dondoca comprar isso aqui que vai facilitar minha vida, não?”
Elas olham ao redor e veem tanta gente com tão pouco, que se sentem as maiores pecadoras do universo ao desfrutar do que elas mesmas ralaram para conquistar.
Um tico de vergonha, um tico de culpa e zero autoexaltação.
E as mulheres seguem.
Construindo o mundo e se esquecendo que foram elas que colocaram todos aqueles tijolos.
Essas são as mulheres.
E elas precisam saber que são muito mais do que acham que são.
Pra ontem.