Carta 140
Gente Massa
Reencontrar ex-sereias da Fluida é como reencontrar uma amiga antiga — e isso diz tudo sobre o tipo de time que vale a pena construir. Se cercar de gente massa não é detalhe: é estratégia de vida.
Buenas tardes, maravilhosa
Como a senhorita chega no dia de hoje?
Eu tô vivendo um dos meses mais intensos em dona Fluida desde a nossa era dos lançamentos.
Porém intenso no ótimo, excelente, maravilhoso sentido da palavra.
Tem um turbilhão de novidades internas rolando por aqui, passos que sempre quisemos dar acontecendo, tal qual a gente previu e desejou uma cacetada de anos atrás.
Tô trabalhando pra um caralho, e sendo um nooooojo com todas as viagens de trabalho e da PF que fiz no último mês.
Ô coisa doida é essa parada de empreender: num é que dá certo, gente?
Bom, por conta desse turbilhão, esse mês eu encontrei ex-sereias da Fluida.
Mulheres que já trabalharam com a gente em temporadas passadas.
E eu queria conversar sobre isso hoje com vocês.
Mulheres que um dia sentaram na minha frente, e foram entrevistadas por mim.
Que preencheram um formulário de recrutamento e que, antes disso, nunca tinham ouvido falar da minha pessoa na vida.
Mulheres com as suas bagagens e histórias que um dia foram um “sim” em um processo seletivo.
Depois elas passaram por dezêêêêenas de horas de treinamento.
Mais algumas centenas de horas de reuniões, alinhamentos, briefings, feedbacks…
Elas construíram projetos de sucesso e de fracasso aqui dentro.
Fizemos troços que deram bom demais e outros que abortamos antes mesmo de botar na rua.
Elas viveram comigo minha mudança de casa, aniversários, férias e alguns períodos de atestado.
Essas mulheres passaram por aqui e dividiram a vida delas comigo.
Colocaram os talentos delas a serviço dos sonhos que, antes, eram só meus.
Algumas delas têm ANOS que saíram da Fluida.
Nunca mais trabalhamos em nadica juntas.
Cada uma seguiu seu caminho.
E aí que vem a coisa doida:
Encontrar essas mulheres é como encontrar uma amiga antiga.
Fofocamos por horas, perdemos a hora de ir pra cama confabulando planos megalomaníacos, morremos de rir dos trejeitos da outra…
De um jeito nada convencional, elas fazem parte da minha vida, através da minha vida na Fluida.
Eu tô há anos sem saber detalhes das suas vidas pessoais, como estão os respectivos Senhores de cada uma… mas parece que eu ainda conheço cada centímetro dessas cabecinhas brilhantes.
Eu sempre quis ter um ambiente gostoso dentro da Fluida.
Sempre acreditei que diversão É trabalho.
Que rir junta é a melhor forma de resolver os maiores pepinos sem ficar doida.
Que saber o nome do gato de uma e a comida preferida da outra faziam parte do sonho que eu queria viver empreendendo.
O mundo business às vezes é frio demais, distante demais para quem ama proximidade, contato, olho no olho.
Temos a sensação que precisamos ser robôs desalmadas para tocar um CNPJ.
De fato, muitas vezes vamos precisar guardar o coração num potinho e tomar doloridas decisões.
Mas sempre que isso não for necessário, a gente deveria poder ser só a gente mesmo.
Você pode trazer generosas pitadas de diversão com pinceladas de anarquia para dentro do troço que você mesma construiu.
A célebre frase diz que quem está ao lado nas trincheiras é mais importante do que a própria guerra.
Eu gosto de me lembrar que não estamos vivendo guerra nenhuma.
Estamos só nos juntando com gente massa, para criar coisas massas.
Quando você encontrar essas pessoas com quem consegue transformar o caos em risada:
Agarre-as.
Ponha elas pra perto.
Mantenha contato.
Não deixe a frieza do mundo business te dizer que “ser profissional” é manter a distância.
Você pode ser próxima e, ainda assim, profissional.
Gargalhe, converse, chore, lamente junto delas.
As memórias de tudo que você criou, na verdade, são as imagens de COM QUEM você fez cada uma dessas coisas.
Se cerque de gente massa.
Sem dó.