Carta 138
Quanto custa ter você
No nosso mercado, prometem e não entregam, cortam o que é essencial e chamam isso de estratégia. Não seja convencida de que mediocridade é esperteza — fazer um trabalho impecável é o que marca seu nome na memória de quem ainda não pagou um real por você.
Buenas tardes, maravilhosas
Como a senhorita chega nessa sexta?
Vamos às atualizações de como estamos aqui em dona Fluida:
estamos a todo vapor fazendo onboarding da nova sereia que falei para vocês.
Eu sigo me obcecada cada dia mais pelas maravilhas entregues pela dona IA, minha cabeça tem explodido todos os dias com o que eu acho que vai rolar no nosso mercado com essa danada (gravei um vídeo de 15 min para vocês sobre isso, em breve compartilho com vocês)
Estamos há algumas semanas mergulhadas em algumas engrenagens do nosso conteúdo.
Como vocês sabem, eu produzo conteúdo em enxurradas de psicografia, ou não produzo nada, já conversamos em outras cartas sobre isso, mas de tempos em tempos vivemos essa revolução do conteúdo, aqui em Fluida estamos no meio de uma nesse momento.
Tenho refletido muito sobre canais offline de vendas, acho que o mundo que veio para o digital esqueceu que o off existe, e eu tenho visto isso como um grande erro de estratégia, mas isso pode ser tema para outra carta.
Na carta de hoje vamos falar sobre outra coisa.
Vamos conversar sobre um trem que você faz que, por muitas vezes, talvez tentaram te convencer de que é errado fazer, mas que, se você entender o poder que tem, nunca mais vai ser convencida de que tem que parar de fazer.
Se você é uma Fluida, se lê as nossas cartas, segue nosso Insta, é 99% de chance de você ser uma pessoa extremamente preocupada com a entrega do que faz.
Tão preocupada que às vezes isso te gera ansiedade.
Você fica meio obcecada em entregar sempre o melhor para os seus clientes.
E quando acha que não entregou o melhor, isso te faz perder o sono e repassar na cabeça mil vezes aquele atendimento, aula ou sessão que você acha que não entregou seu melhor.
Acertei?
Pois muito que bem, eu sou uma dessas.
Ainda que eu não queira, meu cérebro toda noite faz um reprise de todas as entregas do dia e me mostra 98 mil pontos de melhoria que, na hora, eu não reparei.
Ele me mostra ideias de como gerar mais resultado para cada mentorada.
Me aponta formatos de materiais que eu ainda não tinha pensado.
Ele é um excelente revisor do meu dia.
Sempre pitacando onde a Fluida poderia ser mais foda.
Acontece que no nosso mercado isso não é comum.
E talvez você não tenha a menor ideia disso.
Eu vou te contar um tico da realidade do nosso mercado:
“Vende e depois vê como a gente vai entregar.""Ah, não precisa de tudo isso não, me põe numa sala do Zoom com eles e eu entrego qualquer conteúdo lá.""Palestra sobre esse tema? Eu não sei demais não, mas desenrolo, pode me chamar.”
Isso é o básico.
Se a gente descer alguns degraus no purgatório do mundo business, vai encontrar situações ainda menos passíveis de perdão papal:
“A gente prometeu esse bônus no pitch, mas ninguém vai lembrar, tira ele da página de vendas.""Eu não quero mais entregar essa mentoria, vê aí como vocês vão avisar para os mentorados (mesmo que muitos deles tenham acabado de entrar).""Eu não tenho nenhuma formação técnica para fazer o que eu faço, mas como minha audiência pede isso eu vou dizer que tenho uma graduação… ninguém vai ver isso mesmo""Eu nunca fiz esse faturamento, mas vou entrar em uma mentoria e dizer que eu fiz para ganhar uma plaquinha que vai provar que eu vendo tudo isso mesmo”
Eu sei que para você isso beira o absurdo, mas eu posso te garantir que esses não são os piores exemplos que eu posso te dar (confia em mim).
Acontece que quem tem entrega meia boca acha que entrega de verdade é um desperdício de dinheiro.
É custo demais, trabalho demais para retorno de menos.
Na visão dos empresários de visão encurtada, entrega boa é um obstáculo.
O importante é encher os bolsos de dinheiro rápido.
Quando essa fonte secar, a gente fecha tudo, abre um braço em outro mercado e repete tudo de novo.
Pobis homis de visão limitada.
Até aí tudo bem (ou não).
Mas o problema maior de todos é que você, sem saber, tem usado esses caras como referência.
Repare que eu falo “sem saber”, porque eu sei que você não sabe.
Eu vejo você curtindo conteúdo de muitos deles.
Comprando curso.
Assistindo vídeos.
Você não sabe.
E por não saber, você, sem perceber, vai achar a sua entrega “grande demais”, “complexa demais”.
E eles vão te dizer “nossa, corta isso aí pela metade”.
E você vai cortar.
Não o que tá em excesso, mas às vezes justamente aquilo que é o que faz o seu trabalho ser o SEU trabalho.
Justamente aquilo que é essencial para resolver o problema do seu cliente.
E aí a merda tá feita.
Você vai passar a odiar a entrega, achar que tá cobrando mais do que deveria… e o produto que era o seu tesão da vida vai virando um troço que você deixa de acreditar.
Eu fui uma das empresárias orientadas a fazer isso.
Não uma, não duas, mas um punhado de vezes.
“Não faz isso desse jeito não.""Por que você tem uma pessoa do time focada nesse atendimento? Tira ela.”
Por sorte ou por pura teimosia, eu não segui nenhum desses conselhos.
Mas recebo todo dia empresárias que seguiram.
Hoje eu quero te convencer a se concentrar naquilo que somos pagas para fazer: resolver problemas dos seus clientes.
É isso que você veio fazer aqui.
É esse o mecanismo que permite a existência de um negócio.
Não só para hoje, mas para os próximos 5, 10, 20 anos.
São os clientes que pagam tudo que construímos.
E isso deveria ser óbvio.
Mas o que não é tão óbvio assim é que, para além dos clientes, existem outras pessoas que, sem você perceber, observam o seu trabalho.
Pessoas que nunca pagaram um real para você.
Que nunca viram o seu curso.
Mas que vão dividir tempo com você.
E sem que você tenha ciência, elas estão te observando.
Se você tem feito um trabalho merda, os observadores silenciosos veem.
Se você tem feito um trabalho correto, eles também sabem.
Não seja convencida de que ser medíocre na entrega é ser esperto.
Esperteza é marcar seu nome na cabeça de quem você não tem a menor ideia de que um dia vai te mandar uma mensagem assim como essa que eu recebi essa semana.

Vai chegar um dia no seu trabalho em que, sem que você tenha se dado conta, as pessoas JÁ SABEM que querem VOCÊ.
Elas viram o seu trabalho quando não tinha nenhum holofote te deixando em evidência.
Quando você tinha todos os motivos para fazer meia boca e não fez.
Faça um bom trabalho.
Nos holofotes e nos bastidores.
E garanta que todos saberão que você faz questão de sempre fazer o correto.