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Carta 137

Descaralhada

Depois de meses de trabalho focado e resultados incríveis, a mentorada queria provar que conseguia sozinha — e estava disposta a dificultar o próprio caminho para isso. A ideia mais descaralhada do mundo empresarial feminino.

Nóias da cabeça

Buenas noites, maravilhosa.

Como a senhorita chega no dia de hoje?

Hoje eu vou contar um causo.

Antes das minhas férias, uma mentorada fez um comentário que me fez passar umas 3 semanas matutando.

Chegou o dia de trazer minhas ruminações mentais para vocês.

Ela está na Fluida há mais de um ano, ela queria só “dar uma organizada” na empresa.

Mal a pobi sabia que íamos reestruturar toda a equipe, demitir gente, contratar outras gentes, mexer na esteira de produtos e matar uns funis furados que ela achava que tinha que fazer.

A empresa dela já vinha crescendo consistentemente há pelo menos 2 anos, todo mês um tico maior que o outro.

O problema era que quanto mais o trem crescia, mais doida ela ficava.

Mais responsabilidade, mais gente pra liderar, mais coisa pra cuidar.

Quando a empresa é composta de você e uns 2 gatos pingados que você conhece como a palma da sua mão, a maior loucura ainda te deixa segura de que você TEM controle das coisas.

Você já viveu desafios parecidos com aquelas pessoas, então a sensação de “ok, tá foda mas vamos dar conta” é maior do que a de “fudeu”.

Mas quando sua equipe sai dos 2 gatos pingados e começa a ter 4, 6, 10 pessoinhas, você não conhece todas elas como a palma da sua mão.

Tem mais de uma pessoa ao mesmo tempo precisando de treinamento e nem elas se conhecem entre si.

Ou seja, o cenário “fudeu” começa a ganhar do “vai dar certo”.

É aí que as habilidades de gestão e liderança começam a fazer uma falta do caralho.

Você nunca precisou treinar 4 pessoas ao mesmo tempo.

Nem fazer 5 processos seletivos concomitantemente.

Você precisa integrar as pessoas novas enquanto ainda desenvolve as antigas.

Como eu dou esse feedback?

Como corrijo isso?

Essa fulana tá com um problema pessoal, como lidar?

Somos levadas a expressar habilidades que sequer sabíamos que seriam necessárias.

Desenvolver gente, o trem difícil.

Botei a bichinha pra trabalhar.

Várias horas de orientação.

Feedback das abordagens dela com a equipe.

Aula daqui, aula de lá, sessão ao vivo comigo.

Pitaco, pitaco, pitaco.

A cada mês eu vi ela se tornando uma puta líder.

De verdade.

Nasceu uma empresária que há poucos meses não existia.

Os resultados começaram a aparecer.

Equipe alinhadíssima com a cultura.

Faturamento aumentando e o mais importante:

Tempo na agenda se alargando.

Mais tempo pra pensar.

Menos tempo tendo que fazer.

Tempo pra parar, refletir, descansar…

Chegamos num lugar que ela ainda nunca tinha estado.

“Eu tô dominando isso, tudo tá sob controle e eu não preciso ficar em cima de ninguém, que alívio.”

Calmaria, paz…

E aí vem o comentário:

“Mari, eu tô com medo de ficar dependente de você e da Fluida. Será que eu não deveria ver se consigo manter tudo isso sozinha?”

Vamos conversar sobre isso:

A necessidade que temos de SENTIR que conseguimos sozinhas.

Olha que doido.

Ela teve resultados como nunca.

Aumentou o tempo livre.

O dinheiro no bolso.

E a paz ao deitar no travesseiro.

Tudo isso com um trabalho focado e diligente de meses.

Os resultados JÁ SÃO dela.

Mas ainda assim mora uma pulguinha dizendo “você só conseguiu porque teve ajuda”.

O problema não é o que essa voz fala, é como a gente interpreta.

Os resultados que fizemos com a ajuda de qualquer um não são tão “nossos”.

Parece que “só vale” se fizemos sozinhas.

Olha a simbologia disso.

Não reconhecemos os nossos louros quando tivemos uma “ajudinha”.

Quase como se fosse uma trapaça cortar caminho com as habilidades de outra pessoa.

Precisamos “provar pra nós mesmas” que sozinhas a gente também consegue.

Olha que loucura descaralhada essa:

Quando conseguimos facilitar nosso caminho, precisamos dificultá-lo pra provar que conseguimos.

Não consigo achar uma palavra melhor do que DESCARALHADA pra essa ideia.

Se estivéssemos pensando racionalmente um plano para o sucesso, TUDO que a gente deveria buscar é CORTAR caminho.

Contar com quem sabe mais do que a gente.

Usufruir de um conhecimento que ainda não temos.

Isso é tornar a nossa vida mais FÁCIL.

É esse cutucão que eu queria enfiar na sua cachola hoje:

Você tem TODO O DIREITO de querer tornar a sua vida e a sua empresa mais fáceis.

Não é sinal de fraqueza suprir suas lacunas com as habilidades de outra pessoa: é sinal de INTELIGÊNCIA.

Os homens estão cagando se eles fizeram as coisas sozinhos (embora frequentemente eles digam que o fizeram sem que essa tenha sido a verdade).

Nós estamos, sem perceber, QUERENDO fazer nosso caminho mais difícil.

Você não precisa provar que consegue sozinha.

Nem deveria; pra ser sincera, é um montante significativo de burrice fazer isso.

Corte caminho.

Use quem já fez o que você quer fazer.

Percorra os atalhos.

Não é dependência: é pensamento estratégico.

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