Carta 130
Elas
Por que todo aniversário é comemorado só com amigas? Porque espaços exclusivamente femininos são um mundo à parte — onde finalmente podemos ser nós mesmas, sem filtro e sem chavinha que muda.
Buenas tardes, senhorita.
Como você chega hoje?
Primeiro vamos às atualizações do evento mais esperado (por mim) DO ANO, meu belíssimo aniversário.
Já gostaria de tranquilizar as senhoritas que tudo correu conforme o planejado.
Teve piscina, sol, bons drinks e amigas conversando das coisas mais profundas às mais superficiais por horas.
Todo ano eu termino minhas comemorações de aniversário com a sensação bizarra de como é foda estar viva.
Já falei disso na última carta, mas não me canso de me espantar com isso.
Mais um ano.
Mais 365 dias.
Todos os meus piores medos não se concretizaram.
As coisas que nos fazem perder o sono, a maior parte delas, não chegou nem perto de acontecer.
Doido isso, né?
Bom, para não deixar as senhoritas morrendo de curiosidade, vou colocar no final da carta de hoje registros belíssimos desse dia entre amigas.
O que me leva a um tópico que sempre me perguntam:
Por que todo ano você só comemora seu aniversário com as suas amigas?
Tu não tem amigo não? E o Sr. Fluido?
Talvez não tenha passado essa pergunta pela sua cabeça, mas eu já ouvi ela mais vezes do que imaginava ser saudável.
E acho que vale contar aqui o que eu penso sobre espaços exclusivamente femininos.
Eu não sei exatamente em que ano comecei essa tradição de comemorar só com as minhas amigas, mas sei que teve algum ano que eu tive essa ideia: “vou chamar só as mulheres”.
Na primeira vez que fiz, recebi algumas piadinhas de amigos homens: “uai, mas por que a gente não pode ir?”
E eu não tinha uma resposta muito óbvia para isso. Eu só achava mais legal se tivessem só as mulheres (hoje eu tenho).
Ser fundadora da Fluida me permitiu viver muitas horas SÓ com mulheres.
Na verdade, se não fosse pelo Sr. Fluido, pelo meu sobrinho e transeuntes que eu cruzo no meu dia a dia por aí, eu quase não interajo com homens durante a semana.
Considerando que a gente passa a maior parte do dia útil sentada com a bunda na cadeira trabalhando e meu trabalho só tem mulheres, isso não é uma surpresa.
E viver em espaços exclusivamente femininos é como viver um mundo à parte.
Porque é o que é, na verdade.
Quando somos só nós, a sensação que tenho é que enfim podemos ser nós mesmas.
É NÍTIDA a diferença do comportamento das mulheres quando somos maioria.
Falamos o que pensamos.
Sentamos da forma que queremos.
Expressamos exatamente aquilo que sentimos ali naquela hora.
É tudo mais espontâneo, fácil, verdadeiro.
Mas basta colocar um espécime de portador de 🐣 no rolê que automaticamente uma chavinha muda.
Eu VEJO essa chavinha sendo ligada e desligada.
Somos mais contidas.
Mais superficiais.
Pensa na última vez que você estava só entre as suas amigas mulheres.
Quantos papos profundos vocês tiveram?
Nós falamos sobre as coisas mais abissais que existem dentro de nós.
Os problemas com a família.
Os traumas recém-descobertos na terapia.
Os desejos mais íntimos.
Nos sentimos confortáveis para expor tudo que tem do lado de dentro.
Inclusive todas aquelas coisas das quais não nos orgulhamos.
A briga que tivemos com o boy.
A falta de disciplina com um objetivo específico.
SOMOS nós e sentimos que podemos ser quem somos.
E aí eu me pego refletindo:
O que seria do mundo se pudéssemos ser nós mesmas 100% DO TEMPO?
Se o mundo refletisse as condições que criamos quando estamos sentadas em círculo em volta de uma mesa de centro com taças manchadas de vinho com aquelas que mais confiamos?
Quão mais fáceis os nossos objetivos seriam alcançados se pudéssemos usar essa profundidade toda que temos o tempo todo?
Não dá para saber quanto mais poder, clientes ou empresas teríamos.
Mas com certeza seríamos mais felizes.
O mundo não é uma roda de amigas em volta de um vinho barato.
Mas todas as vezes que ele chega mais perto disso, eu lembro por que escolho comemorar meus aniversários assim:
Para que a gente possa ser a gente mesma.
Sem filtro.
Encontre as mulheres que te fazem se sentir assim.
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