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Carta 013

Taque pedras no castelo

Síndrome da impostora, gap de confiança, censora interna — são séculos de história instalados nos nossos miolos. O antídoto mais poderoso que existe? Outras mulheres.

Nóias da cabeça

BOA TARDE, MARAVILHOSA!

Como a senhorita está nessa sexta-feira?

Eu espero que se preparando para descansar, tomar uns bons drinks ou se esparramar no sofá e ver séries até os neurônios esquecerem que você também trabalha.

Vai ser assim por aí? Se não, vamos deixar baixo e fingir que a gente nunca se importa de trabalhar fim de semana (vida bandida essa a da empresária, né não? 😂)

Vamos para o nosso tradicional papo de sexta?

Simbora!

Para a gente começar eu vou usar um discurso pedagógico chamado “imaginação”.

Bora visualizar juntas um trem aqui:

Imagine que a gente reúne um bando de empresária, marchamos com essa essa mulherada toda até a rende de um castelo (sim, é um exercício de imaginação, por gentileza não me exija rigor com a realidade).

Eis que eu pego um megafone e grito bem alto para o nosso grupo:

“Atire uma pedra no castelo para cada vez que você se sentiu insegura com a qualidade do seu trabalho”

Consegue visualizar a cena?

O barulho ensurdecedor de centenas e centenas de pedras sendo arremessadas sem parcimônia na porra do castelo.

A cada lembrança de um momento que nos sentimos uma bosta a gente pega outra pedrinha e taca lá na porta.

POW

Você pega outra pedra mais redondinha e arremeça ela com raiva:

“Por que eu vivi isso tantas vezes?!”

Outras vem com um gostinho salgado de lágrimas:

“Como eu fui dura comigo né? Eu sou muito boa no que faço”

Respira

Eu me pergunto se haveriam pedras suficientes no planeta terra para cumprir tal missão.

(Por acaso apareceu em você uma vontade súbita de tacar umas pedras e arremessar para longe todas as vezes que você duvidou de você mesma? Porque em mim eu juro que deu. Acho que seria coletivamente terapêutico, mas voltando ao email)

Síndrome da imposta, gap de confiança, censora, ser uma boa moça, bela, recatada e do lar.

Existem N coisas que explicam porque vira e mexe você se sente que talvez “não seja tão boa assim”.

Temos séculos de sociedade machista e patriarcal que embasam as nossas inseguranças.

Fomos reprimidas e oprimidas do ponto de vista pessoal como mulher e carregamos os reflexos disso para o ponto de vista empresarial ao liderar negócios femininos também.

E é um saco isso, né?

Porra, parece que a gente trabalha todo dia para vencer um inimigo invisível instalado lá no meio dos nossos miolos.

(A gente deveria ganhar adicional de insalubridade por isso)

O fato mais fato de todos é:

como empresária, muitas vezes, você VAI se sentir insegura, incapaz e vai ter medo de fazer coisas novas e ousadas.

Tipo: num vai dar para evitar isso.

Mas, tem um trem que é um ÓTIMO antídoto/remédio/afago

(chame como quiser) para isso: OUTRAS MULHERES

Tô falando de estar embrenhada, junto, agarrada com as outras doida que tacam pedra na porta de castelo, sacou?

Um grupo forte e intimista te faz forte também.

Um grupo que faz coisas que você duvida que é capaz, te faz acreditar QUE DÁ.

Você sabe que tudo que eu faço nessa vida sempre tem um bando de mulher junto.

Eu me vejo claramente gritando lá no megafone para todas nós:

“A partir de hoje estamos todas autorizadas a tacar pedras quando necessário”

Eu faço uma pausa e retomo

“Nós somos maravilhosas e competentes demais para mandar orçamento com o cool na mão”

“Pode sim subir a porra do preço”

Eu vejo o meu papel nesse mundo assim.

A mulher do megafone que grita alto as verdades que a gente precisa dizer para nós mesmas:

“SOMOS SUFICIENTES”

(Porra, emocionei)

Sensibilidade nada tem a ver com fragilidade.

É o contrário, a gente cata as coisas no nosso coração antes delas serem coisas no mundo real.

ISSO É FORÇA!

Que a gente use a sensibilidade a favor dos resultados que queremos juntas.

SEM JULGAMENTOS, com pé no chão e mão na massa.

Você acredita nesses trem tudo que nem eu?

Seja lá o que você decidir fazer agora, lembre-se dessas duas coisas:

  1. Você é suficiente

  2. Encontre o grupo de mulheres que tacaria pedras na porta do castelo com você

Beijo,

Mari.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·