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Carta 129

Velha

Às vésperas de completar 36 anos, uma reflexão sobre envelhecer, celebrar e o único motivo pelo qual não deveríamos temer ficar mais velhas: a outra opção é estar morta. E você continua aqui.

Reflexões duvidosas

Buenas tardes, maravilhosa

Como a senhorita chega no dia de hoje?

Eu espero que você já tenha anotado no seu calendário o grande evento que comemoramos no dia 10 de maio.

Vulgo AMANHÃ.

Pois se não tiver colocado, já abre o Google Agenda e insira esse momento esperado do ano.

Bem-vindas ao MEU ANIVERSÁRIOOOOOOO.

Chegou!

Amanhã, a essa hora, eu já terei completado 36 anos.

Ô coisa maravilhosa é envelhecer.

Acho que o tema da carta de hoje será exatamente esse:

Ficar velha.

Eu juro que busco entender quem não gosta de comemorar aniversário. Já pensei 98 cenários na minha cabeça, mas nenhum me parece fazer sentido.

Na minha visão, fazer aniversário é uma prova de que “olá, você continua viva”.

É tipo um dia para você parar e pensar: “caraca, de todas as coisas bizarras que podem acontecer aos seres humanos todos os dias, NENHUMA DELAS me pegou”.

Continuo aqui respirando, trabalhando, recebendo e fazendo pix por aí.

Não é uma beleza?

Pois eu gostaria de te convencer que sim.

Acho eu que essa parada de não gostar de comemorar aniversário, em algumas mulheres, pode estar relacionada à noção de ficar velha.

De perder a juventude e todo o colágeno advindo dessa fase sem rugas de nossa vida.

E chegamos a elas: as rugas.

Elas são as anunciadoras do caos. Quando elas se instalam: fim. Enterra-se nossa jovialidade.

E é hora de buscar soluções mais drásticas.

Cremes, preenchimento, botox, bioestimulador do sei lá o quê.

Nós tememos o envelhecimento.

Acho que cada mulher teme de formas diferentes.

A perda da beleza.

Da independência.

Da capacidade de atrair para si atenção.

Fomos treinadas para desejar do fundo de nossas almas esses atributos.

Hoje, prestes a completar mais um ano, eu queria refletir junto com você sobre o que é, de fato, envelhecer.

E começo com uma frase sem rodeios:

Envelhecer é bom porque a outra opção é estar morta.

Leia com calma.

A primeira vez que ouvi foi tipo como um estalo na cabeça.

Sempre gostei de comemorar aniversários porque era um dia MEU.

Onde eu tinha licença poética para fazer só o que eu quero, do jeito que eu quero, com as pessoas que eu quero.

Onde as pessoas que eu mais amo na vida dão um jeito de parar as suas para celebrar a minha.

E olha que coisa doida.

Para pra pensar comigo: são TRINTA E SEIS ANOS vividos 100% dos dias.

Não houve um dia em que “eu não estive viva”.

Eu acordei, comi, bebi, respirei, andei, dormi de novo em todos esses dias.

Meu coração não parou, minhas pernas funcionam, meu cérebro continua criando ideias.

É uma probabilidade ínfima passar por todos esses eventos e voltar para a sua cama sã e salva.

Então hoje, eu queria te lembrar de NÃO TEMER O ENVELHECIMENTO.

De, na verdade, CELEBRAR o que caralhos ele signifique para você.

Os dias fazendo yoga ao ar livre, os lanches da tarde com as amigas, as fofocas à distância com quem mora longe… são 36 anos disso.

E a segunda coisa da carta de hoje é:

AGRADECER.

Sim, começaremos o momento gratiluz tilelê.

Você já deve ter me lido falar sobre um dos princípios que temos dentro da gestão feminista, que é celebrar cada micro coisa que um dia foi um desejo.

Cada dígito, cada funcionário novo… celebrar para si mesma coisas que você acha que ninguém entenderia.

Fazemos isso o tempo todo aqui. Na Vênus, no Conselho, com nosso time…

Eu não acredito que dá para ser feliz sem saber de fato que você o é.

E celebrar para mim é isso: é RECONHECER que você foi feliz.

Reconhecer.

Passar um marca-texto em cima de cada memória importante.

Botar um post-it amarelo nos dias que você se orgulhou de você mesma.

Mas tem uma coisa do ritual de celebrar que eu não sei se tá clara pra você:

Ele só funciona se você tiver alguém para dividir isso.

Ter um escritório com a cara da Fluida é uma delícia, mas mais gostoso ainda é dividir ele com as sereias que trabalham comigo.

É foda bater 100k num mês, mas mais legal ainda é bater palma, tocar sino e dar gritinhos agudos com a sua equipe no Zoom.

Ultrapassar uma centena de empresárias pessoalmente direcionadas por mim é um marco quase inacreditável, mas ter feito essa contagem regressiva com cada uma das minhas alunas do Empreender Sem Enlouquecer foi memorável.

A vida é essa coisa doida, imprevisível e muitíssimo misteriosa que estamos navegando nesse momento.

Mas ela é o que é porque temos outras de nós dividindo esse trem com a gente.

A amiga de mentoria que comemora suas férias postadas num grupo da Vênus.

A colega concursada que não entende nada de empresas, mas acha chiquérrimo cada um dos seus conteúdos (e curte todos).

A irmã que lê todas as suas cartas e comenta todas elas.

A vida de nós, mulheres, é muito mais significativa quando nos rodeamos de nós mesmas.

Talvez mulheres tenham nascido para ficarem assim: orbitando umas em volta das outras.

Grudadas como carrapicho em pelo de poodle.

Não deixa de se aglomerar com outras de você.

Procura sua rede.

Seu grupo.

Seu clã.

Se você acha que ainda não encontrou, surpresa: você faz parte do meu.

Obrigada por fazer parte do que um dia foi só um desejo visceral de ter um lugar para pertencer.

Obrigada por ler minhas cartas.

Comentar nos meus stories.

Indicar a Fluida para uma amiga querida.

Obrigada, senhorita, por — talvez sem ter se dado conta disso — fazer a rede que criamos juntas.

Obrigada, time de sereias, por fazer isso da porta pra dentro.

Obrigada, minhas Fluidas maravilhosas, por espalharem isso da porta pra fora.

Obrigada.

Obrigada.

Obrigaaa.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·