Carta 125
Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Criamos uma assistente de IA em 3 dias que escreve como eu — e a lição não foi sobre tecnologia, foi sobre gestão. Só dá para treinar uma IA bem se você já sabe treinar uma pessoa de carne e osso.
Buenas tardes, maravilhosa!
Como você chega na sua sexta?
Primeiro de tudo: quero agradecer cada uma de vocês que respondeu à carta da semana passada com suas próprias histórias de luto. Vocês são uma audiência para quem sempre vale a pena escrever.
Obrigada.
Segundamente, na carta de hoje eu quero dividir com você sobre a minha mais nova obsessão.
Inteligências artificiais. SIM. Mas eu juro juradinho que não é esse papo velho de revolução das maquininhas de sapatênis de óculos de lente amarela.
Nós teremos um papo bem maduro sobre gestão de pessoas, liderança e as danadas das IAs.
Toda empresária que, assim como eu, tem uma comunicação muito específica, que fala de um jeito específico, ou tem valores divergentes do mercado sofre com uma coisa chamada delegar copy e conteúdo.
Você precisa ensinar outra pessoa a fazer o que você nem sabe muito bem como faz.
Seu conteúdo é só você sendo você mesma, e seu desafio como gestora é ensinar alguém a meio que ser você.
Uma loucura.
Você até gosta do danado do conteúdo escrito pela copy, do vídeo criado pela social media, mas você olha para o trem e ainda fala: “isso aí não sou eu, não.”
Atire a primeira página de vendas quem nunca ficou até com dó de mandar uma copy para ser alterada.
Você vê que a pessoa se esforçou, que a copy É UMA COPY boa, mas não tem seu DNA ali.
Pois muito que bem, explicado o rolê da copy, vamos ao segundo rolê que está relacionado com esse primeiro rolê.
Todo ano, no nosso planejamento anual, nós definimos um mantra para o ano. Esse ano definimos um mantra por departamento.
Esse mantra guia a gente ao longo do ano de qual caralhos é nossa missão nesses 365 dias.
É uma frase resumida que nos lembra para onde devemos olhar esse ano.
Num dos anos passados, por exemplo, foi: “escalar as vendas da Vênus com sanidade.”
Bom, um dos lemas que criamos esse ano foi “sereia fala com sereia”. Ele é um resumo para uma série de melhorias de comunicação entre os departamentos que percebemos que precisávamos criar.
É muito diferente você operar uma empresa que tem você e a sua assistente, para quando você tem uma responsável por cada área.
Copy, produto, comercial… é departamento demais para você ficar no centro de tudo.
Se você ficar no meio de tudo, pode ter certeza que a conta do psicólogo vai ser alta.
Bom, estamos nessa missão de fazer um departamento apoiar o outro sem que as coisas passem por mim.
Ah, e tem um detalhe: nosso time é remoto. Ou seja, eu não estou vendo a cara das pessoas 8 horas por dia. Tá cada uma num canto, num fuso, e às vezes num calendário diferente.
E aí, seguindo esse mantra do ano, eu comecei a fuçar formas de facilitar essa integração entre as sereias.
Pensei: “deve ter alguma IA que me ajude com esse caralho.”
Eu sou do tipo fuçadora. Eu posso não saber de um trem, mas se você me der umas 3 horinhas fuçando, eu aprendo.
E gosto de aprender no modo mais empreendedora existente: FAZENDO SEM SABER. KKK
Pois me meti então com a IA que já me é mais íntima.
Senhor ChatGPT.
Comecei esse trem na terça:
“vou tentar treinar umas IAs aqui para ajudar o time.”
3 dias depois eu recebo essa mensagem do time:

Em 3 dias criamos a assistente, o time já usou, testou e já criamos um funil INTEIRO usando ela. Tipo inteirinho, de cabo a rabo. Desde a promessa até e-mail, stories e feed.
3 dias. Achei rápido demais.
Eu esperava que fosse levar, sei lá, um mês para ela estar redondinha.
Principalmente porque eu conheço várias empresárias que implementaram assistentes nos seus negócios também e as reações em maioria eram tipo assim:
“é legal, mas a gente ainda tem que revisar muita coisa.""ela ajuda sim, mas tem que ter alguém em cima acompanhando.""ela faz as coisas rápidas, mas não dá para confiar em tudo.”
Você não acha essas frases familiares demais?
Pois para mim são.
Elas são as MESMAS frases que eu já ouvi centenas de vezes de empresárias que têm um time de carne e osso.
Aí meu cérebro começou a matutar:
Uai gente, por que na Fluida foi diferente?
POR QUE a IA que teoricamente não tem erro, não tem emoções, não tem dias ruins, veio para facilitar a vida, continua trazendo exatamente as mesmas reclamações que as pessoainhas que são de inteligência humana?
Comecei a revisar mentalmente como eu tinha feito para treinar uma copy em 3 dias e ela gerar resultados tão parecidos com a
minha escrita que até eu tive dificuldade de identificar.
Bingo!
Descobri por quê.
No meu processo de treinar a danada, a primeira coisa que eu fiz foi jogar a descrição de cargo lá dentro.
Depois disso, peguei as rotinas da sereia de copy, ou seja, o que ela tem que fazer cada dia, cada semana…
Aí foi a hora de alimentar ela com, finalmente, copys.
Peguei um punhado das nossas cartas de sextas, uns 2 ou 3 posts que têm o meu tipo de escrita bem marcante e foi isso.
Mandei para o time começar a testar e me dar feedback.
Já percebeu onde eu quero chegar?
A única coisa que eu fiz foi TRANSFERIR informações que eu JÁ TINHA no nosso sistema de gestão.
Eu não passei 18 horas conversando com ela.
Nem dando 98 feedbacks de como queria que ela dissesse.
Eu também não precisei dizer que ela estava de corpo mole e continuava errando no tom de voz das copys.
Criamos uma IA de copy que funciona em 3 dias não porque somos especialistas em IA (na verdade, eu nunca tinha criado do zero porra nenhuma no ChatGPT até 3 dias atrás).
Nós criamos uma integrante maravideusa do time com inteligência artificial porque nós sabemos como ter uma ótima integrante no time de carne e osso.
Só dá para ter uma inteligência artificial em que você pode confiar se você primeiro sabe treinar uma PESSOA DE CARNE E OSSO.
Não dá para querer escalar se a gente não sabe fazer o artesanal direito, sacou?
A sua habilidade de crescer e sair da operação mora na porra dos processos “manuais” que você não vê propósito em fazer.
“Não precisa abrir processo seletivo não, eu já tô com uma indicação boa aqui.”
“Eu não vou criar a rotina da minha equipe, cada pessoa tem que ter autonomia para criar a sua.”
Aí, como você não fez o processo seletivo, você não tem uma mísera lista com as tarefas daquele cargo.
Como nem isso você tem, como é que você vai ensinar a IA a fazer as tarefas que VOCÊ NEM SABE QUAIS SÃO?
Entende? Suas reclamações com a sua equipe vão continuar sendo exatamente as mesmas com time de carne e osso, de porca e parafuso ou projeção astral.
O problema não está no seu time.
Tá na sua teimosia em manter conhecimentos valiosíssimos que você criou todo esse tempo enfurnados na sua cachola.
Gestão salva.
E vai continuar te salvando com coisas que você sequer sabia que ela te salvaria.
Como uma copy fodíssima que cria um funil inteiro em 3 dias.
Aí você escolhe: postergar profissionalizar a gestão da sua empresa.
Ou decidir que não será a senhora a ficar sofrendo com aprovação de post nunca mais.