Carta 118
VERDADE
Uma mentorada me chamou de desgraça no grupo e eu adorei — porque na Fluida a gente pode ser quem é de verdade, sem se editar. Essa carta é sobre o ingrediente milagroso que faz tudo funcionar aqui: verdade, da porta para fora e da porta para dentro.
Buenas noites, maravilhosa!
Como a senhorita chega nesta sexta?
Esta semana eu voltei para a idade das pedras.
Fiz conforme os incas e ministrei uma palestra PRESENCIAL.
Tem tanto tempo que tudo da Fluida é digital que eu nem me lembrava que essa modalidade carne e osso era possível.
Parece que voltamos à idade das cavernas e, além de palestra presencial, teve consultoria presencial também.
Em breve, passarei a enviar as cartas por sinal de fumaça para vocês.
Gracinhas à parte, a Fluida nasceu no offline. Antes de abrir a Fluida, eu era consultora independente e dava consultorias individuais para empresárias e mulheres em posições de liderança.
O troço foi crescendo, crescendo, crescendo e hoje é esse monstrinho maravilhoso pelo qual sou apaixonada.
Já se foram mais de DEZ ANOS de experiência.
Me sinto uma centenária de cabelos brancos falando isso, mas é verdade verdadeira.
Como é que tem UMA DÉCADA que eu trabalho com a mesma coisa, gente?
Como é que eu não enjoo de tanta 🐸 que já passou por aqui?
Só as deusas explicam. Na verdade, eu sei.
É um mix de paixão com fogo no cool e um tico de insanidade.
Mas a trajetória da Gestão Feminista vai ser conversa para outra carta.
Hoje eu já sei sobre o que quero conversar com vocês.
Na verdade, vou dividir um trem que aconteceu comigo nesta semana.
Vamos dizer que fui insultada (e fiquei feliz).
Comecemos.
Quinta-feira, vulgo ontem, fui eu abrir o celular para gastar meu precioso tempo com redes sociais que não agregam em nada na minha existência e acabei abrindo o grupo de mentoradas da Vênus.
Vi que estava cheio de notificações, já pensei: “Ou alguém teve um resultado foda ou um perrengue da mesma intensidade.”
Quando o grupo fica em polvorosa, é um ou outro.
(Ou, às vezes, é só a gente compartilhando figurinhas de humor duvidoso e rindo dos gurus de sapatênis.)
Acompanhe com o que eu dei de cara quando abri o grupo.
Sim, é isso mesmo que você está lendo.
A abençoada da minha mentorada teve a audácia de me chamar de DESGRAÇA de mulher.
Pensa na minha cara vendo isso.
Primeiro eu fiquei assim 🤡
“Cara, não é possível que eu estou lendo isso.”
Pausa para o cérebro processar.
Aumento o brilho do celular.
E leio de novo.
Ufa!
Não era aquilo que eu tinha pensado.
Soltei uma gargalhada.
E me perguntei mentalmente:
Em que planeta seria ok uma mentorada chamar a mentora assim e a mentora ainda achar graça?
Certamente em nenhuma das bolhas de negócio que eu (infelizmente) frequentei antes de criar a Fluida.
Solto um sorriso orgulhoso e falo para mim mesma:
“Ainda bem que na Fluida é assim.”
E hoje eu queria dizer para você o que raios é esse “assim” que a Fluida é.
Sinto que só sendo Fluida para entender a mudança de química cerebral que é estar entre essas mulheres que a gente junta para saber.
Mas hoje eu vou descrever para você sentir:
No universo Fluida, uma mentorada se sente segura o suficiente para fazer uma brincadeira dessas e todo mundo cai na gargalhada.
Uma mulher só fica confortável o suficiente para escrever sem rodeios o sentimento de viver um problema e ter sua mentora jogando chás de realidade na sua face se ela CONFIAR no espaço que está.
E isso é raro.
Mais raro do que eu gostaria.
Quantas vezes você pensou duas vezes antes de emitir uma opinião?
Ou editou uma mensagem colocando um emojizinho sorrindo para que ela parecesse menos “grossa”?
Toda mulher sabe o que é ficar se editando o tempo todo.
Que bom que aqui construímos uma rede onde ninguém precisa se editar.
Então lá vai a primeira nota do sabor que é ser uma Fluida: Poder ser você mesma.
A segunda nota está misturada com a primeira.
E tem a ver com ser reconhecida exatamente por quem você é.
Parece a mesma coisa, mas não é.
Uma coisa é SER você mesma, outra coisa é sentir que TÁ TUDO bem ser você.
É saber que você vai chamar a sua mentora de DESGRAÇA e ainda vai se sentir assim:
Existe também uma terceira nota da alquimia Fluida.
Vou recorrer a exemplos para ilustrar.
É mandar essa mensagem no grupo com suas coleguinhas de mentoria comemorando um resultado.
E receber essa resposta aqui:
Sentiu?
🌊 O Universo Fluida é isso.
Uma composição refinada de tudo aquilo que sempre negaram para nós, mulheres.
Poder ser engraçada, estranha, cômica, ácida, crítica e, ainda assim, ter todas as suas facetas reconhecidas e exaltadas.
Falar como você quer falar.
Ser engraçada sem ser vista como menos inteligente.
Fazer muita grana e, ainda assim, continuar sendo você mesma.
Eu tenho mais umas 7 ou 9 notas que fazem parte da alquimia que é ser uma Fluida, mas hoje vou trazer só mais uma.
Talvez ela seja um combinado de todas as outras.
Não tenho uma palavra só para resumir todos esses átomos arranjados.
Mas vou arriscar e trazer uma.
VERDADE.
Aqui somos quem somos, sem máscaras.
Sem branding falso para esconder partes de nós que nem precisavam ser escondidas.
Nos acostumamos a falar a verdade.
A ouvir a verdade.
E buscar essa danada.
Seja através de uma quantidade não saudável de planilhas e fórmulas no Excel.
Seja num hot seat duro que balança suas estruturas.
Ou numa simples mensagem sobre a relação de amor e ódio que você tem com a sua mentora.
VERDADE.
Guarde isso.
Uma vez, muito tempo atrás, cometemos um erro no envio de um e-mail e acabamos enviando um produto que era pago para um monte de gente que não tinha pagado pelo bendito.
Minha equipe me procurou desesperada falando: “Mari, de Deus, socorro! Mandei o e-mail para a tag errada no gerenciador de e-mails.”
Eu não tive um segundo de dúvida sobre o que faríamos.
Falaríamos a verdade.
E foi o que fizemos.
Fiz um e-mail, como esse que você está lendo hoje, contando exatamente o que tinha rolado.
Na época, recebi mais de uma mensagem de gente me perguntando se não era só uma estratégia de marketing.
Aquela narrativa toda de que havíamos “errado” e que consertaríamos a cagada estava tão “boa” que não podia ser verdade.
E era.Como sempre foi.E sempre será.
Esse talvez seja o nosso ingrediente milagroso.
A composição secreta da Coca-Cola.
VERDADE.
Da porta para fora.
E da porta para dentro.
Obs:
Se você cansou de copy barata te convencendo com head milagrosa, você está precisando de generosas doses de verdade.
Quarta que vem vou fazer um aulão ao vivo curtido e marinado na verdade sobre
DELEGAR.
Ou talvez sobre como assumir de vez que seu papel é mandar mesmo.
Se você transita entre se sentir sendo feita de trouxa pelo seu time e, ao mesmo tempo, morre de medo de virar uma ditadora sem coração, você está precisando de verdade.
Pega tua xícara que o chá de realidade será servido.
Quinta, dia 19/02, às 17:00. Só se inscrever aqui abaixo: