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Carta 113

Extraordinárias pequenezas

Revisão de ano revelou que a escala da PJ não precisa contaminar a PF. As pequenas coisas da vida pessoal são extraordinárias do seu jeito — e só precisam fazer sentido para você.

Reflexões duvidosas

BUENAS TARDES, MARAVILHOSAS!

Como as senhoritas estão nessa primeira sexta útil do ano?

2025 CHEGOOOOUUUUUUUU.

Cês tão animadas?

Pois espero que estejam, a gente tem umas CINQUENTAS cartas juntas pela frente.

Imagina tudo que ainda vamos viver? As reflexões mais profundas que vamos fazer juntas? As conquistas suadas que vou dividir com vocês? Vai ser mais um ano delicinha desse ritual sagrado de toda sexta que, de ritual, acabou virando terapia coletiva (quem mais se sente assim?).

Não sei como foi a primeira semana útil aí para você, mas aparentemente meu ano começou na velocidade do créu. Hoje é dia 10 e eu tenho a sensação de que vivi janeiro inteiro, juro! kkkk

Por aqui já teve: onboarding de sereia nova, reunião de planejamento de 2025 com o time, criação de uma nova narrativa para a imersão de planejamento, escrevi 78 mil conteúdos e, hoje, começo um projeto novo aqui na Fluida também. E eu nem sei como fiz isso em 4 dias!

Hoje eu tenho uma novidadinha de Fluida para contar e quero dividir com vocês antes do tema da carta de hoje, por motivos de: tô empolgada e quero compartilhar.

Vamos à novidadinha:

Eu amo fazer conteúdo, mas odeio fazer conteúdo. Vocês são assim também? Eu amo fazer conteúdo denso, longo, com as vozes da minha cabeça, mas odeio ter que “gravar um reels”. Às vezes, minhas ideias não cabem num reels, num stories… me sinto hiper engessada.

Bom, fato é que vamos testar essa semana uma imersão presencial de gravação de conteúdo. Sim, sim, como os maias faziam: vamos nos encontrar, eu e nossa sereia de conteúdo, em 3D mesmo, e vamos gravar conteúdo para vocês. Na verdade, quando a carta sair, eu já estarei nessa missão.

A missão é gravar a maior quantidade de vídeos que essa cachola parir, para que eu possa viver em paz os demais dias do mês sem deixar a voz da doida me cobrando que tem conteúdo para fazer.

E isso talvez tenha relação com o tópico de hoje.

Então, vamos a ele:

Eu tirei duas semanas de recesso. Eu tive tanto tempo para pensar que vocês me aguentem com todas as reflexões advindas desse período sem obrigações.

Uma das coisas que eu fiz foi o meu planejamento PESSOAL.

No final do ano, fizemos a revisão de 2024 da Fluida e o planejamento macro de 2025 juntas: eu e nossas sereias deusas.

Comemoramos tudo que vivemos: as metonas, as metinhas, as grandes e pequenas conquistas. Foi delicinha demais. É um dos momentos em que vejo o quanto a cultura que a gente tem aqui na Fluida me orgulha: o time alinhado, trazendo cada uma sua visão, botando seus belos cérebros para jogo…

affe, é uma sensação única!

Pois muito que bem, fizemos o planejamento da Fluida e lá fui eu ver o meu planejamento pessoal.

Também outro ritual que eu amo: pego meu bullet journal

, minha agenda, 98 canetinhas coloridas, meu Notion e passo horas pensando sobre quem fui, o que fiz e o que quero para mim dali em diante.

Eis que uma coisa muito curiosa

aconteceu esse ano.

Todos os anos eu termino minha revisão pessoal com uma sensação de orgulho da porra.

Eu vejo o tanto que cresci como pessoa, os eventos que fui, as pessoas que mantive por perto… e isso me orgulha, porque equilibrar os pratinhos da vida pessoal quando você é responsável por uma empresa sendo mulher não é lá uma coisa muito trivial.

Bom, esse ano eu terminei essa revisão e, por algum motivo, não senti uma puta euforia.

Simplesmente parecia básico o que eu tinha feito, simples demais.

Quase como se fosse algo não muito digno de comemoração.

Essa sensação me alertou que tinha alguma coisa errada. Deixei ela assentar… e fiquei uns dias pensando.

Resolvi voltar para o meu dossiê de revisão pessoal para ver se achava alguma coisa ali.

Acompanhe comigo a leitura:

  • 156% de crescimento no faturamento da Fluida;
  • 3 períodos de férias, totalizando 31 dias;
  • 24 livros lidos;
  • 152 treinos executados entre yoga, crossfit, musculação;
  • Comemoração de 12 fucking anos junto com Sr. Fluido;
  • 98% das sextas compartilhadas com meu sobrinho;
  • 22 eventos com as minhas amigas só no último trimestre (sim, eu liguei minha bateria social no talo e encontrei todo mundo que era importante para mim);
  • Visitei meus avós, não perdi meu réu primário, paguei minhas contas em dia, troquei de carro, comprei um tablet de 4 bons dígitos, inventei um monte de hobby novo…

Leia essa lista.

Você vê alguma coisa de errado nela?

Eu também não estava enxergando nada que me dissesse:

“Nossa, Mariana, você foi uma bela vagabunda esse ano e não fez nada de relevante para a sua própria vida.”

Eu trabalhei, estudei, cuidei de mim, me diverti, tive lazer… o que estava faltando?

A resposta é um belo:

POHA NENHUMA.

Não estava faltando nada na minha lista de conquistas de 2024.

Nada.

Mas então por que eu não tinha terminado a revisão pessoal com a sensação de Copa do Mundo que senti quando fizemos o fechamento da Fluida?

Por que eu sentia que lá no fundo minhas conquistas pessoais não eram “tanta coisa assim”?

E sim, eu encontrei o “X” da questão e vou dividir com vocês:

A resposta está aqui:

Empreender exige uma caralhada de habilidades da gente: resiliência, controle emocional, pensamento analítico, antecipação de risco, oratória, liderança… é muito recurso emocional e pessoal envolvido.

A gente pega todos esses recursos e emprega com afinco quase obsessivo para construir as coisas em que acreditamos. E, depois de muito labutar, começamos a ver os resultados.

Você agora não faz mais tudo sozinha, você delega.

Caixa não é uma coisa que te deixa com insônia, ele já existe. Seus números agora vêm com um “K” na frente. Você fala em 10k, 50k, 500k…

A gente viu que é possível crescer e agora as metas são faladas em milhões.

Tudo agora PODE ser grande.

E aí que mora a porra do enigma:

A gente se acostuma com o grande.

Meteórico.

Megalomaníaco.

Só que quando a gente sai da tela do computador e volta para a PF, a escala dos eventos não acompanha a PJ.

Como “escalar” um relacionamento de 12 anos?

Quantos treinos a mais eu seria capaz de fazer num ano? Eu lá quero 12 viagens no ano?

Na PF, as coisas seguem outro ritmo. Não porque crescem devagar, mas porque não PRECISAM dobrar de um ano para o outro.

Um boy para chamar de meu tá ótimo.

Um dia na semana com meu sobrinho é mais do que suficiente. Fazer exercícios em 40% dos dias do ano, tendo pego Covid, dengue e feito viagens por mais de um mês, tá maravideuso.

Matei a charada:

O mundo dos negócios às vezes puxa a gente para uma corrida de Fórmula 1 com o carro em chamas, enquanto você tem que tirar sua mãe da forca na linha de chegada.

Tudo é rápido e PODE crescer ao infinito.

Reflete nisso:

sua empresa pode crescer para sempre.

Mas na sua vida pessoal, esse “crescimento” segue a mesma lógica?

Você vai, a cada ano da sua vida, aumentar seu tempo treinando, viajando, comendo bem?

Não, por dois motivos:

  1. É matematicamente impossível. Se você escalar tudo da sua vida, uma hora não tem mais dia no ano para escalar.

  2. Não precisa.

A rotina que eu me dediquei tanto, tanto, tanto para viver não é escalável.

E eu não quero que seja.

Eu quero pausa.

Tempo vazio.

Dias de preguiça.

Café com bolo na casa das amigas.

A aparente lentidão da vida da PF é exatamente o que eu tenho buscado por anos.

E talvez esse ano tenha me caído essa ficha: a grandeza das possibilidades da Fluida ultrapassou a grandeza dos meus eventos pessoais.

E isso é maravilhoso.

Eu vivi 7 anos construindo cada pixel da Fluida, sempre desejando ardentemente que um dia ela fosse grande.

Que eu pudesse falar na linguagem dos K.

Chegamos.

Sim, eu tenho muitos sonhos latentes em mim.

Eu continuo sendo uma megalomaníaca, sem recuperação e sem intenção de fazer tratamento algum.

Mas minha capacidade de sonhar alto para caralho não precisa entrar em conflito com a aparente vagareza de uma vida calma.

O que eu quero trazer para você hoje é que talvez tenha começado esse ano com uma sensação incômoda de “ainda não ter chegado lá”.

Que talvez tenha visto as trends de retrospectiva no Instagram e questionado se fez alguma coisa tão relevante quanto um carrossel de fotos em destinos paradisíacos mundo afora.

É para você que sonha grande.

Que quer muito.

Que deseja intensamente.

E que talvez, justamente por isso, reconheça menos do que deveria todas as “pequenas” extraordinárias que construiu para si mesma.

“O melhor ano da vida” para você pode ser um ano com bastante tempo em casa, debaixo das cobertas, lendo um livro e rodeada de gatos.

O melhor ano da vida para alguém pode ser um ano repleto de trilhas arriscadas em lugares remotos, sem acesso a água encanada ou um abrigo melhor do que uma barraca de vedação duvidosa.

Eu não sei qual é o melhor ano da sua vida.

Mas eu tenho certeza de que ele pode não fazer sentido para mais ninguém.

Só precisa fazer sentido para você.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·