Carta 112
Todo planejamento é uma mentira
Fechamento de ano na Fluida: metas batidas, time crescido e a reflexão sobre constância versus inovação. Todo planejamento é uma mentira, mas não planejar é mentir para si mesma.
Buenas tardes, Maravilhosas empresárias donas da poha toda!
Como as senhoritas estão nessa última sexta útil do ano antes de entrarmos na fenda temporal chamada recesso de Natal e Ano Novo?
Essa semana na Fluida foi de fechamento e encerramento dos troços.
Hoje é nosso último dia de expediente externo, daqui para frente é só para trás 😂.
Na quarta fizemos nosso encontrão de Encerramento das Mentoradas da Vênus.
Teve bons drinks com a mulherada e celebração de cada resultado foda que eu vi essa mulherada construir esse ano.
Internamente, em Dona Fluida, também fechamos nossa revisão de 2024 e nosso planejamento de 2025. Ainda faltam alguns detalhes do plano tático, que farei em janeiro depois de ter me empanturrado de rabanadas. Mas o sentimento geral, e clichê por óbvio, é de gratidão tilelê good vibes.
A gente conquistou coisas para caralho como time esse ano.
Então hoje eu vou apenas exaltar todos os feitos do meu time maravideus, por motivos de que a carta de sexta se chama “cartas da Mari”, então posso eu tratar quaisquer temas que sejam de meu interesse.
**Batemos nossa meta do ano em novembro, **exatamente como previmos no planejamento anual de 2024.
Ultrapassamos a danada da meta em mais de 6 fucking dígitos.
Quase triplicamos o tamanho do time (quem não estava aqui ano passado talvez não saiba que, na nossa época de lançamentos, chegamos a ter 12 sereias no time. Depois que decidi expurgar lançamento da minha vida e virar nosso modelo de negócio de cabeça para baixo, nós ficamos em 2 sócias e uma sereia só. Hoje, estamos em 6).
Mantive minha sanidade em (quase kkk) todo o ano. Nos momentos que deixei ela escapar, eu estava apenas sendo uma completa maluca dando vozes à doida que mora na minha cabeça.
Nos mantivemos fiéis aos valores que acreditamos: dissemos não para inúmeras mulheres para as quais não era hora de entrar na Fluida; não inventamos falsa escassez para vender; continuei sendo transparente e sincera com as minhas mentoradas; fui aberta com a minha equipe e descartei diversas estratégias, pitacos e orientações que simplesmente não faziam sentido para a minha visão de longo prazo.
Me mantive próxima das minhas mentoradas e cuidei não só dos resultados delas, mas também da sanidade e felicidade de cada uma.
Sonhei inúmeras vezes com soluções para os negócios delas, tive ideias enquanto tomava banho e saí correndo para anotar. Discuti casos com Sr. Fluido, quebrei a cabeça com as sereias e celebramos juntas conquistas que vimos essas mulheres alcançarem esse ano.
Passei todas as sextas do ano com meu sobrinho, me dedicando ao maravilhoso papel de tia.
Fiquei firme no momento PF, depois de alguns meses lutando para voltar a botá-lo na rotina. Fiz tudo quanto é esporte: yoga, corrida, musculação, canoa havaiana e até beach tennis, para o desgosto de parte do meu time que acha que é esporte menos nobre que squash.
Bati ponto em minha psicóloga religiosamente, para a alegria dela e de todos que convivem com minha pessoa.
Atravessei os Lençóis Maranhenses a pé, na companhia de uma mochila (que fez o favor de quebrar literalmente no primeiro passo que dei), Sr. Fluida e um guia.
Passei uns dias num spa tal qual Helena de Manoel Carlos.
Gravei uma tonelada de BBBs para minhas mentoradas (BBBs são áudios com histórias dos bastidores da Fluida em tempo real).
Produzi (junto com a minha equipe) mais de uma centena de Googles de Gestão (nossos processos de gestão feminista para a mulherada copiar e colar).
Dei nada mais nada menos que 27 sessões de Hotseat ao longo do ano, contabilizando aí talvez mais de uma centena de horas só em Hotseat.
Sem contar a cacetada de análises de negócio e reuniões do conselho, que ainda não fui contar para saber quantas foram.
Esse ano, aqui na Fluida, foi um ano de constância.
Nós definimos uma meta, um plano, e nos mantivemos firmes nos nossos objetivos o ano todinho.
Isso, para mim, é um enorme feito.
O mundo dos negócios privilegia a inovação, velocidade e um monte de pataquada que às vezes só serve para satisfazer uma sensação gostosinha, porém perigosíssima, de que estamos “em movimento”.
Cada hora uma estratégia nova, um funil inovador, uma ferramenta disruptiva.
Tudo distrai.
Esse ano, a gente provou, durante 365 fucking dias, que um planejamento claro, alinhado a valores fortes e uma gestão feminista funcionam.
Depender só de “talento” e esforço para fazer as coisas funcionarem é uma burrice tremenda.
Acabei de perceber que essa carta talvez tenha virado uma retrospectiva resumida do nosso (ou do meu, quem sabe) ano.
Não planejei esse tema para a carta, mas às vezes esse ritual tem disso. Eu penso onde quero chegar com vocês e me deixo navegar por onde ele me leva, e aí caímos em temas que, no começo, nem estavam previstos, mas que descubro que eram exatamente para onde deveria ir.
Talvez essa seja uma bela analogia do nosso ano. Tivemos um plano, fomos consistentes na execução dele, e justamente por estarmos todo dia construindo um pedacinho desse troço pudemos chegar em lugares e caminhos que lá atrás a gente não previa.
Tem um mantra que eu falo sempre na Fluida:
“Todo planejamento é uma mentira.”
Não dá para controlar todas as variáveis do futuro.
Não tem como saber se eu vou ter um piriri no meio de um pitch ou se vão derrubar o nosso Instagram (aconteceu também esse ano).
Mas dá para desenhar onde raios a gente quer chegar.
Caminhos que não queremos percorrer.
Concessões que não estamos dispostas a fazer.
Valores que não abrimos mão.
Isso tudo dá.
Essas coisas são as coisas imutáveis.
Os pedaços do plano que a gente não mexe.
E ao redor dessas pedras imóveis, vamos construindo caminhos para chegar no tal do “lá”.
Todo planejamento é uma mentira.
Mas não sentar a bunda e planejar onde você quer chegar é mentir para si mesma.
É usar a fé como bengala.
É esconder seus desejos mais viscerais.
É fingir para você mesma que você não quer tanto.
Eu sei onde quero chegar com as cartas:
quero criar uma relação próxima com vocês fora da correria das redes sociais, quero poder me expressar com mais liberdade em mais caracteres do que 45 segundos de stories, quero ser verdadeira com vocês e comigo e espalhar minhas ideias, às vezes não tão ortodoxas.
Eu sei onde quero chegar.
Mas eu não sei exatamente quais temas vou conversar com vocês, ou qual tamanho cada carta tem que ter.
Muitas vezes o tema aparece só na hora que pego meu computador e deito no sofá de casa (exatamente como estou agora) e começo a digitar sem pressa.
Apago alguns trechos porque sinto que eles não são eu.
Descarto uma ideia porque percebo que ela não está madura o suficiente.
Reescrevo uma frase que não é verdadeira para mim.
E assim, cada carta vai sendo construída, linha a linha, piadinha a piadinha.
Eu não sei o caminho exato que vou percorrer antes de terminar cada carta.
Mas eu sei que toda sexta-feira eu pegarei meu notebook, vou sentar no sofá, abrir o Notion e começar a escrever.
Depois, sei também que ela passará pela revisão de uma talentosa sereia, será disparada no ActiveCampaign, chegará belíssima na sua caixa de entrada.
E vai te sacolejar por dentro. Seja te fazendo sentir alegria, um tico de raiva, culpa ou até mesmo vergonha.
Mas eu sei que essa carta vai chegar para você e fazer você refletir sobre você mesma, as coisas que faz na sua vida, como toca o seu negócio e o que valoriza de verdade.
Isso eu sei.
E isso é meu inegociável.
O processo das cartas é então o mesmo processo do planejamento de qualquer coisa que seja na nossa vida.
Um planejamento anual da empresa.
Uma campanha de vendas.
Uma festa de aniversário que foi comemorada em uma micareta de axé com todas as suas melhores amigas em caravana.
Não dá para saber cada micro passo que daremos.
Mas dá para assumir logo onde raios você quer chegar.
Para onde você quer ir?