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Carta 101

Os grandes filhos da p*

Quando você para de dar errado, surge um medo novo e solitário. Mas esse medo pode ser motivo de celebração.

Nóias da cabeça

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!

Como a senhorita está nessa sexta?

Bom, hoje quero conversar sobre um troço que essa semana parece que pegou forte

nas senhoritas.

Conversei com um monte de vocês no direct, no Conselho e na Vênus, e várias de vocês trouxeram o mesmo tema.

Hoje falaremos sobre um sentimento estranhíssimo que nos acomete quando (ironicamente)

paramos de dar errado.

Vou explicar:

Lembra da senhorita quando você começou essa ideia descabida de ser dona do próprio negócio?

Entusiasmo, empolgação, adrenalina.

Você (talvez pela primeira vez) estava se lançando em um troço inteiramente movida pelo próprio desejo. Só e somente só porque as outras opções pareciam tão xoxas (capengas e mancas), tão sem graça que era impossível escolher outra coisa.

Pois muito que bem.

Você começa, e passada a empolgação inicial vem o filho da puta do medo.

Meu Deus, e se eu não conseguir pagar minhas contas?

Investi até o que eu não tinha aqui e se der errado?

E se ninguém comprar de mim?

E se meu produto for um fiasco?

E se eu passar vergonhinha?

Se meu lançamento zerar?

Medo, medo, medo.

Estamos correndo loucamente para fugir do cenário catastrófico onde não conseguimos transformar nossa paixão em grana.

Se falharmos, seremos obrigadas a caçar qualquer outra coisa, muito menos reluzente, por sinal, para pagar boletos.

Você persiste.

Se lasca.

Cai.

Volta.

Tenta de novo.

Do mais absoluto nada, você percebe que tem vááários meses que seu pró-labore não é mais preocupação.

Cai a ficha que tem um tempo que você não precisa oferecer até a mãe para bater a meta

do mês.

Você não acorda mais no meio da noite ansiosa para saber se aquela cliente já te mandou o comprovante

no WhatsApp.

Sem aviso prévio, você simplesmente se dá conta que PAROU DE DAR ERRADO.

Todas as infinitas cagadas que antes eram cometidas, hoje se tornaram aprendizado.

Você já tem espaço na cabeça para pensar no longo prazo, já percebe os gargalos que talvez te atrapalhem a dobrar de tamanho e começa a projetar soluções para eles.

Mas como assim?

Pouco tempo atrás seu medo era precisar zerar a (diminuta) reserva de emergência que construiu.

Como você foi parar aqui?

Como, de um dia para o outro, você tem um time para sustentar?

Contratos para honrar para sei lá quantos meses à frente.

Como você se tornou a empresária que SABE QUE CRESCERÁ?

O medo de não pagar as contas é substituído por um sentimento estranho.

Novo.

Nada familiar.

Você demora um tempo para entender o que é (e talvez não tenha entendido até agora).

Não existe mais o medo de dar errado.

E o problema é JUSTAMENTE esse.

Não tem mais como dar errado.

Já era.

Você agora, de verdade, tem uma empresa para cuidar.

É isso, o filho é teu.

É isso, agora você sabe.

É medo.

Mas você tinha certeza que depois que desse certo nunca mais sentiria medo.

Você almejava o dia em que o problema seria “crescer” e não mais “sobreviver.”

Esse dia chegou e você sente medo, ainda.

E esse sentimento é muito solitário.

Solitário porque às vezes você acha que não tem direito

de sentir medo uma vez que agora deu certo.

Você sente que é “frescura” demais sentir medo quando agora seus boletos são pagos sem perrengue.

É falta de noção ficar preocupada em “crescer demais.”

Tanta mulher ralando para pagar as contas e você aí, preocupada com a próxima contratação.

Francamente.

Chorando de barriga cheia.

Não é assim que a vozinha na sua cabeça te reprime?

Pois saiba que ela está errada.

Você tem todo o direito de ter medo das responsabilidades colossais que pagar o salário de outras pessoas traz.

É legítimo que você se questione se estará à altura do organismo quase de vida própria que você pariu.

Tá tudo bem continuar tendo medo MESMO depois de crescer.

Talvez até esse ponto do texto de hoje você tenha mantido esse sentimento para você.

Você já falou dele para alguém?

Já assumiu para você mesma que você teme não ser boa o suficiente para não destruir tudo que construiu?

Pois assuma.

Assuma.

E agora ouça esse ponto de vista

que vou trazer para você:

O seu medo sinaliza duas coisas, e elas vão fazer você amar esse medo (confia em mim).

A primeira

é que você está num lugar que nunca esteve.

Já parou para pensar nisso?

Que se você tem essa porra desse medo é porque você NUNCA chegou aonde está?

Tem noção do que é esse crescimento que você mesma se proporcionou?

Foi você mesma que se colocou aí.

VOCÊ MESMA.

Você não herdou essa empresa.

Ela não caiu do céu.

Você criou os produtos, implementou os funis, aprendeu a vender…

VOCÊ.

Esse é o primeiro significado desse medo.

E o segundo

, e que me emociona toda vez que noto isso em uma empresária:

É porque você tem medo porque de verdade SE IMPORTA.

Você se importa (leia de novo).

Se importa com a qualidade do seu serviço.

Se importa se seus clientes serão tão bem atendidos como quando quem respondia cada Whats era você.

Se importa se a sua equipe vai continuar se sentindo acolhida e cuidada mesmo quando vocês forem mais que 3 rostinhos num Zoom.

VOCÊ SE IMPORTA.

Seu medo tá te dizendo:

“que bom que você teme fazer errado, é justamente por isso que você fará o certo.”

Você acha que os grandes empresários filhas da puta sentem medo?

De deixarem um cliente chateado?

De entregarem menos do que prometeram?

Não, eles não sentem.

Porque eles estão cagando.

Você não.

E é por isso que você teme.

Talvez, só talvez, esse medo seja motivo de CELEBRAÇÃO.

Honremos nosso medo de não sermos grandes filhas da puta.

Bem-vindo, medo.

Mari Fernandes.

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