Carta 010
O último de 2022 — um ritual nada clichê
A última carta de 2022. Tem um ritual aqui dentro que eu te desafio a parar no terceiro nome — chuto que você não vai conseguir. Sobre as mulheres que foram nó da sua rede esse ano sem nem saber.
Oi, maravilhosa!
Esse é o último email de 2022. Clichêzão essa constatação, né?
Mas eu curto demais esses rituais coletivos que nos ajudam a fatiar o tempo em partes e compartilhar coletivamente uma mesma “vibe”. Não é louco que para todas as espécies do planeta terra o Réveillon não exista, mas que para nós seja um dia, um momento, um marco de transição entre um ano e outro?
Pode me chamar de emocionada que eu sou mesmo.
No email de hoje eu queria primeiro compartilhar que estou feliz pra ppk de termos criado esse canal de cartinhas virtuais entre nós.
A cada semana conversamos sobre um trem diferente — tem textão, vozes da minha cabeça, minhas reflexões, fracassos, alegrias e um bocado de piadas de gosto duvidoso.
Aqui eu tenho espaço para criar, para “ser” e escrever livre.
Curiosamente parece que o mesmo se aplica a vocês. Recebemos respostas dos nossos emails semanais que nunca leríamos num comentário do insta — tem muita coisa íntima sendo compartilhada por aqui.
Tô orgulhosa do que construímos.
Parágrafo emocionado feito, vamos ao tópico principal do nosso último email de 2022.
Queria propor um pequeno ritual de fim de ano. Eu prometo que esse é uma delicinha — nada clichê.
Você me vê advogando fortemente pela causa da retrospectiva focada no negócio — entender o que aconteceu em cada mês do ano, quais foram as ações de venda, quais eram as metas, quais produtos vendeu, fazer um balanço financeiro.
Mas isso são sobre negócios, números e pedaçinhos de papel que pagam nossos boletos.
Empreender é solitário para cacete. Empreender na internet tendo como colega de trabalho uma máquina chamada computador é frequentemente frio e esquisito.
Costumamos avaliar muito O QUE nos fez chegar onde estamos. Mas hoje eu queria olhar para os “QUEM”.
QUEM te ajudou a chegar até aqui? QUEM te ouviu? Quem foi aquela inspiração que te salvou de um dia cagado de TPM?
Só que eu queria que a gente pensasse num tipo específico de “quem”: o “quem” das MULHERES.
Tem uma pá de coisa na nossa vida de empreender, e equilibrar os trocentos pratinhos que o mundo taca nas nossas costas, que só outra MULHER é capaz de entender:
- O dia que sua cólica vem e você tem atendimento para fazer
- O tênue (des)equilíbrio entre “ter uma boa imagem pessoal” e “hoje eu só queria ficar o dia todo de pijama e coque”
- A onipresente culpa que se espreita no “não posso agora filho, mamãe tá trabalhando”
Não tem nenhum “quem” que entenda isso melhor que outra MULHER.
O ritual de hoje é sobre isso.
Eu queria que você pensasse agora nos momentos mais desafiadores que você viveu esse ano. Naqueles buracos que você falou “não sei se eu saio daqui.” Ou naqueles pequenos tropeços que não foram enormes mas que doeram na alma que nem mindinho quando bate na quina da mesa.
Lembra desse momento aí.
Agora eu queria que você pensasse nas pequeníssimas vitórias e conquistas que você viveu. O dia que pariu um produto, aquele post fodão, conseguiu uma cliente, vendeu mais do que esperado ou simplesmente conseguiu atravessar um dia sem dormir sem perder o réu primário.
Lembrou desses dias?
E agora eu te pergunto: nesses dias, QUAIS MULHERES fizeram parte dessa cena com você?
Eu chuto que algumas dividiram visceralmente com você esses dias — elas receberam áudios seus no zap desabafando, foram almoçar com você num dia bosta, te mandaram memes engraçados no Instagram. Essas são as suas co-protagonistas.
Mas eu queria te lembrar de uma outra categoria de mulheres. Aquelas que talvez nem tenham ciência que fizeram parte dos seus dias.
É aquela colega do curso que abriu o coração numa aula ao vivo e te fez se sentir ouvida sem você dizer uma palavra. Aquela outra que você segue no Instagram que compartilhou uma conquista e você ficou feliz por ela. Elas não são nossas amigas confidentes, mas em cada uma delas conseguimos ver (e acolher) um pedacinho de nós mesmas.
Talvez elas não tenham mudado radicalmente o seu negócio ou o seu ano, mas te serviram de combustível naquele instante que você precisava.
Essas mulheres foram um nó na rede que suportou o seu ano. Mas elas SABEM disso?
Agora vem a parte final do nosso ritual.
Escreva num papelzinho, ou pense mentalmente, nos NOMES dessas mulheres.
Eu te desafio a parar no terceiro. Chuto que você não vai conseguir. Elas são muitas.
Pensou nos nomes?
Pega o seu celular agora. Abre o lugar onde você tem contato da primeira mulher da sua lista. Escreve assim:
“Maravilhosa, talvez você não saiba, mas você foi parte da minha rede esse ano. Obrigada por ser você e fazer o seu trabalho, continue, ele é necessário.”
(Você pode escrever qualquer outra coisa que vier no seu coração — tá autorizada.)
Escreveu? Agora aperta “enviar.”
Eu acredito fervorosamente no poder da REDE. Da rede entre nós, MULHERES. A base da Fluida foi essa e continua sendo.
E agora é a minha vez de fazer o meu ritual com você.
Você precisa ler com muita atenção o próximo parágrafo:
Maravilhosa, talvez você não saiba, mas você foi parte da minha rede esse ano.
Obrigada por ser você e fazer o seu trabalho, continue, ele é necessário.
Talvez você não saiba, mas o email que você me mandou, a caixinha no insta que você respondeu, o “obrigada por essa aula” que me mandou no zoom — em vários dias foram os nós da minha rede.
Eu queria que você soubesse.
OBRIGADA POR SER VOCÊ E FAZER O SEU TRABALHO. CONTINUE. ELE É NECESSÁRIO.
Feliz Ano Novo.
Beijos,
Mari e as Sereias da Fluida.